Artrose no joelho: dúvidas frequentes

Conforme temos visto aqui no blog do Dr. Oliver Ulson, a artrose no joelho é uma patologia crônica, que progride irreversivelmente e consiste no desgaste da cartilagem local provocado, entre outros fatores, pelo avanço da idade.

Dentre todas as disfunções que podem acometer esta articulação, como tendinites e rupturas, esta é a única para a qual ainda não há um tratamento que, comprovadamente, alcance uma cura. No entanto, existe uma série de métodos que podem permitir ao paciente conviver com o problema e levar uma vida ativa e saudável.

Mas o que seria exatamente uma “vida ativa e saudável”? Que atividades o indivíduo que sofre com artrose no joelho pode realizar? Existem muitas limitações no dia-a-dia? Mais abaixo, vamos esclarecer estas e outras dúvidas frequentes sobre a lesão, além de passar a limpo outros aspectos pertinentes.

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Artrose: o que é?

Como dito na introdução, a artrose no joelho – também conhecida como osteoartrose ou osteoartrite – consiste no comprometimento grave e crônico da articulação que se dá pelo seu desgaste – processo que costuma se iniciar por volta dos 45 anos. E como se trata de um distúrbio que pode progredir irreversivelmente com o passar da idade, os idosos tendem a ser os principais alvos.

A artrose pode comprometer qualquer articulação do corpo humano. No caso dos joelhos, por serem duas articulações iguais, é comum que ambos sofram com o problema, mas não necessariamente com os mesmos sintomas, devido ao grau de comprometimento de cada um.

Causas

Além do avanço da idade, existem outros fatores de risco. Por exemplo, estar muito acima do peso também pode desencadear artrose no joelho, antecipando a manifestação dos sintomas para a faixa dos 30 anos.

Outras causas são: traumatismo direto (pancada ou queda com os joelhos diretamente no solo); doença inflamatória (como artrite reumaóide), uso indevido da articulação; fraqueza muscular; mau condicionamento físico; deficiência nutricional; problemas hormonais; fadiga e sono; e outras doenças como depressão e diabetes.

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Sintomas

Quaisquer destas causas podem levar o indivíduo a sofrer com sintomas de artrose no joelho. O mais recorrente deles é a dor, que costuma variar de intensidade de acordo com a gravidade do caso.

Além da dor, indivíduos com artrose no joelho podem sofrer também com rigidez na região após o despertar pela manhã ou depois de longos períodos de repouso; inchaço, que, geralmente, é provocado na fase inflamatória; enfraquecimento e depauperamento dos músculos da coxa; limitação de movimentos, sobretudo, ao esticar a perna; dificuldade para apoiar a perna lesionada no solo; estalos durante movimentos; e sensação de que o joelho está “maior”, por causa do aumento do tamanho dos ossos e outros tecidos da articulação, além do próprio aumento de líquido sinovial.

Diagnóstico

Se notar algum destes sintomas, o indivíduo deve procurar um ortopedista a fim de se chegar a um diagnóstico. A primeira providência é uma avaliação clínica para checar aqueles fatores de risco já mencionados (idade, peso…) e outros mais.

Por exemplo: traumatismos pregressos e outras doenças (depressão e diabetes); tratamentos já realizados e os resultados obtidos; postura, alinhamento e mobilidade das articulações; força, função muscular e equilíbrio; regularidade na prática de atividades físicas; hábitos de sono; frequência com que se sente fadigado; e estado psíquico.

Em seguida, para que se tenha mais precisão no diagnóstico, o médico pode recorrer a um exame físico, para detectar inchaço e estalos, e a exames de imagem (radiografia ou ressonância), para averiguar fatores como grau de desgaste da cartilagem; foco da lesão e alinhamento articular; anormalidades como espaçamentos entre um osso e outro; osteófitos (o popular bico de papagaio); escleroses; cistos e outras deformidades.

Tratamentos

Com o diagnóstico em mãos, o ortopedista terá uma noção exata da gravidade da artrose no joelho e, assim, poderá determinar o tratamento mais adequado. Se o paciente ainda estiver em um nível inicial da lesão, quando a dor não se mostra incapacitante, a medicação pode ser uma opção.

Os medicamentos mais receitados são analgésicos, para alívio da dor; anti-inflamatórios, mais recomendados para momentos de crise; ou suplementos – ainda que muitos produtos sejam considerados ineficazes.

Caso a medicação não tenha surtido o efeito desejado, é indicado o tratamento com infiltração. O próprio ortopedista pode realizar a injeção, e o medicamento a ser utilizado é definido de acordo com o resultado que se pretende obter.

As opções são corticoide, eficaz no combate às dores; ácido hialurônico, que: ajuda na reposição do líquido sinovial, um lubrificante natural das articulações; e o bloqueio anestésico, para casos de dor crônica e limitante.

joelho minimamente invasivo

Para um resultado mais rápido e eficaz, são recomendados também exercícios de fisioterapia. Algumas opções recomendadas são:

  • Agentes de temperatura
  • Corrente elétrica
  • Massagem
  • Mobilização
  • Alongamentos
  • Propriocepção
  • Correção da pisada
  • Pilates

Entretanto, caso o quadro seja mais avançado, a melhor alternativa é o tratamento cirúrgico. Mas não há motivo para preocupação porque existem procedimentos minimamente invasivos considerados extremamente eficazes.

São eles: a radiofrequência resfriada impede que sinais de dor sejam transmitidos para o cérebro; a artroscopia faz uma limpeza articular para remoção do tecido comprometido; a subcondroplastia consiste na infusão de fosfato tricálcico (substância sintética) para reforço da região mais comprometida do osso afetado pela artrose.

Para casos mais graves, dispomos da artroplastia total do joelho, procedimento este, consagrado no tratamento da artrose do joelho, há mais de 50 anos. No caso, a articulação é substituída por uma prótese metálica e com um polietileno (material plástico), de altíssima durabilidade e baixíssimo atrito, proporcionando durabilidade entre 15-30 anos.

Artrose Grave Do Joelho Tratada Com Artroplastia

Dúvidas frequentes

Mas, afinal, entre o surgimento dos sintomas e os primeiros resultados com o tratamento escolhido, como o paciente deve proceder com suas atividades cotidianas? É necessário, por exemplo, suspender as práticas esportivas? Existe algum movimento que não seja recomendado? Vamos tentar abaixo sanar algumas dúvidas que costumam ser frequentes para pacientes com artrose no joelho.

Antes de mais nada, vamos deixar claro que o diagnóstico de artrose no joelho não significa a interrupção das atividades físicas. Muito pelo contrário! É fundamental pacientes de artrose no joelho praticarem esportes, mesmo aqueles que não tinham tal hábito antes da artrose – já que o sedentarismo provoca atrofia muscular, o que pode prejudicar a absorção de sobrecargas e acelerar a degeneração.

Especialistas chamam a atenção de pacientes com artrose para a importância do esporte, que pode ser fundamental para fortalecer a musculatura local e diminuir o risco de uma cirurgia futura. De acordo com um estudo do renomado American Journal of Sports Medicine, de 2017, para pacientes que se exercitam mesmo após o diagnóstico, a possibilidade de colocação de uma prótese de joelho cai pela metade.

“Posso então praticar qualquer modalidade esportiva?”, você deve estar se perguntando. Não é bem assim, já que especialistas também destacam que é melhor optar por atividades de menor impacto, como caminhadas, dança de salão, bicicleta, natação e hidroginástica. As práticas de maior impacto, como futebol, tênis e corrida, só para pacientes com casos muito específicos.

Assim como alguns movimentos – que, muitas vezes, realizamos no dia-a-dia sem nos darmos conta – devem ser igualmente evitados, até que um médico diga o contrário. Por exemplo: subir e descer escadas; ficar na posição de cócoras ou de joelhos no chão; fazer longas caminhadas; usar calçado inadequado; e carregar peso.

Portanto, antes de se exercitar por conta própria, consulte seu ortopedista sobre a quais práticas você pode aderir e, inclusive, com que intensidade, o que vai depender do grau da lesão e do seu condicionamento físico.

Conclusão

A artrose se configura pela degeneração crônica e progressiva da cartilagem local, que tem o avanço da idade como principal causa. Ou seja, começa por volta dos 45 anos e, como não tem cura, tende a evoluir gradativamente com o passar do tempo – não à toa, os idosos são as principais vítimas.

No caso do joelho, por serem duas articulações idênticas, o distúrbio pode acometer ambas, mas os sintomas – sendo a dor, o principal deles – não necessariamente se manifestam da mesma forma, devido ao grau de comprometimento de cada um.

Para se chegar ao diagnóstico, o ortopedista pode realizar uma avaliação clínica e exames físico e de imagem. E se for confirmado o quadro, apesar da gravidade da doença, os tratamentos são diversos, possibilitando o médico escolher o método mais adequado para o grau da lesão de cada paciente.

As opções vão desde medicação até cirurgias minimamente invasivas, passando por infiltração e exercícios de fisioterapia. Mas todas podem permitir o indivíduo levar uma vida saudável e ativa.

“Levar uma vida saudável e ativa” significa poder voltar a fazer tudo o que se fazia antes? Depende! Atividades físicas não são apenas liberadas, mas também recomendadas, pois fortalecem a musculatura local e diminuem o risco de uma cirurgia no futuro.

Mas nem todas as práticas e movimentos são aconselháveis. Bicicleta e natação, pode! Futebol e corrida, nem sempre! Portanto, antes de se exercitar por cota própria, procure o seu ortopedista para um acompanhamento profissional!

Referências (em inglês):

-Artrose: sintomas e causas

-Tratamentos para artrose

-Tudo sobre Artrose (Osteoartrite)