
Cirurgia de joelho à vista? Veja tudo o que você precisa saber antes do procedimento
Está se preparando para uma cirurgia de joelho? Então este artigo é para você. Aqui, reunimos as informações mais importantes para que você saiba exatamente como se preparar: desde os exames pré-operatórios até os cuidados com medicações, higiene, jejum e detalhes fundamentais no dia da internação. Além disso, vamos mostrar o que pode acelerar sua recuperação e evitar contratempos desnecessários.
Siga com a leitura e descubra como garantir um pré-operatório tranquilo e um pós-cirúrgico com menos dores e mais resultados.
A importância dos exames pré-operatórios
Antes de qualquer cirurgia, os exames pré-operatórios são o primeiro passo para garantir que tudo ocorra com segurança, tanto para o paciente quanto para a equipe médica. Eles ajudam a identificar possíveis riscos, evitam surpresas durante o procedimento e asseguram que o corpo esteja preparado para o desafio.
Veja abaixo o que é necessário considerar:
Exames para pacientes com menos de 40 anos e saudáveis
- Hemograma completo: avalia a quantidade e qualidade das células do sangue.
- Coagulograma (TP e TTPA): analisa a capacidade de coagulação, essencial para evitar sangramentos durante a cirurgia.
Esses dois exames, na maioria dos casos, já são suficientes para a liberação anestésica em pacientes jovens e sem comorbidades.
Exames adicionais para pacientes com mais de 40 anos
A partir dos 40 anos, é comum que o corpo já apresente algumas alterações metabólicas ou cardiovasculares que exigem mais atenção:
- Hemograma completo e coagulograma
- Ureia e creatinina: indicam o funcionamento dos rins.
- Sódio e potássio: analisam o equilíbrio eletrolítico, essencial para o funcionamento do coração e músculos.
- Glicemia: mede o nível de açúcar no sangue, especialmente importante para diabéticos.
- Eletrocardiograma com 12 derivações: avalia a saúde do coração e pode detectar arritmias ou sobrecargas cardíacas.
- Raio-X de tórax (em 2 incidências): verifica se há alterações pulmonares que podem interferir na anestesia.
Esses exames geralmente têm validade de 6 meses para exames de sangue e de 1 ano para eletrocardiograma e raio-X, desde que não tenha ocorrido nenhuma intercorrência clínica recente.
Exames de imagem
Além dos exames laboratoriais, é imprescindível levar os exames de imagem utilizados no diagnóstico da lesão. Entre os principais:
- Radiografias do joelho
- Radiografias panorâmicas
- Ressonância magnética
Esses exames são indispensáveis para o cirurgião revisar o caso antes e durante a cirurgia, relembrar detalhes da lesão e definir a melhor tática cirúrgica.
Afinal, entre a consulta e a data do procedimento, pode se passar um bom tempo, e confiar apenas na memória não é uma boa ideia quando se trata da sua saúde.

Avaliação de risco e condições clínicas: segurança em primeiro lugar
Nem todo paciente é igual, e por isso, a avaliação do risco cirúrgico precisa ser personalizada. Essa etapa é fundamental para garantir que a cirurgia será feita com o menor risco possível, levando em conta o histórico de saúde de cada pessoa.
Veja o que deve ser considerado:
Pacientes com doenças crônicas ou histórico de problemas cardíacos, como hipertensão arterial, arritmia, insuficiência cardíaca, doenças coronarianas e diabetes descontrolada devem ser avaliados por um clínico geral ou cardiologista. Esse profissional verificará a estabilidade da condição atual, podendo solicitar exames complementares, como o ecocardiograma, que analisa a estrutura e a função do coração.
Além disso, é importante revisar ou ajustar a medicação, evitando interferências no procedimento ou na anestesia.
Pacientes com mais de 65 anos
Mesmo que você não tenha doenças diagnosticadas, se está acima dos 65 anos e vai realizar uma cirurgia de porte maior (como uma prótese de joelho), é altamente recomendável fazer:
- Ecocardiograma
- Avaliação clínica completa com um profissional habilitado
O objetivo aqui é prevenir complicações que poderiam surgir de forma inesperada, como alterações na pressão, falhas na circulação ou reações à anestesia.
Por que essa etapa é tão importante?
- Ela reduz riscos durante a cirurgia e no pós-operatório
- Permite ajustes prévios em medicações e hábitos
- Dá mais tranquilidade para o paciente e para a equipe médica, que poderá se preparar com antecedência caso alguma condição precise de atenção especial.

Medicações e substâncias que precisam ser suspensas
Remédios como anticoagulantes, ginkgo biloba e até medicamentos para emagrecer (como o Ozempic) devem ser suspensos com antecedência. O mesmo vale para o uso de drogas como maconha e cocaína. Esses elementos aumentam o risco de complicações anestésicas e cirúrgicas, em alguns casos, precisam ser interrompidos com até três semanas de antecedência.
O cigarro, embora não seja impeditivo, dificulta a cicatrização. Se possível, pare de fumar três semanas antes do procedimento para reduzir complicações no pós-operatório

Jejum e higiene: cuidados simples que fazem toda a diferença
Muitos pacientes subestimam esses dois pontos, mas o jejum adequado e a higiene pré-operatória são essenciais para o sucesso da cirurgia. Pequenos deslizes aqui podem resultar em adiamentos, riscos e até infecções.
A importância do jejum de 8 horas
Pode parecer um detalhe, mas tomar até mesmo um copo d’água algumas horas antes da cirurgia pode ser suficiente para que o procedimento seja cancelado.
Isso acontece porque:
- Durante a anestesia, o reflexo de proteção das vias aéreas fica comprometido.
- Se houver alimento ou líquido no estômago, existe o risco de broncoaspiração, ou seja, o conteúdo gástrico pode ir para os pulmões, causando complicações graves e até risco de vida.
Por isso, respeite o jejum de 8 horas para alimentos e bebidas, inclusive água. Não “dê aquela golada rápida” achando que não tem problema, e tem sim.
Outro ponto essencial é o cuidado com a pele nos dias que antecedem a cirurgia. A recomendação é:
- Tomar banho com sabonete antisséptico à base de clorexidina
- Iniciar esse cuidado três dias antes da cirurgia
- Dar atenção especial às pernas, região do joelho e virilhas
Por que isso é importante?
- A pele de todos nós possui bactérias e algumas delas são altamente resistentes e virulentas.
- Quando há um corte cirúrgico, essas bactérias podem entrar no corpo e causar infecções sérias, mesmo em hospitais com protocolos rígidos de segurança.
Usar a clorexidina ajuda a reduzir essa carga bacteriana e diminui o risco de infecção pós-operatória, especialmente em cirurgias ortopédicas, onde o uso de próteses ou instrumentos internos exige ainda mais cuidado.
O que levar no dia da cirurgia
Prepare uma mala com roupas confortáveis, seus remédios de uso contínuo, muletas ou andador (caso indicados) e os exames do joelho. Não se esqueça de levar também sua imobilização, se ela for necessária após o procedimento. Detalhes como esses fazem diferença na organização do hospital e na sua recuperação.
Ah! E não vá sozinho. Ter um acompanhante é essencial, especialmente no primeiro dia, para ajudar com atividades simples, como ir ao banheiro ou se locomover no quarto.
Evite atrasos e frustrações
Chegar cedo ao hospital é fundamental. O processo de internação pode demorar, e é preciso realizar etapas importantes como assinar os termos de consentimento e marcar corretamente o lado que será operado.
Além disso, saiba que atrasos são comuns, mesmo nos melhores hospitais. Um procedimento anterior pode demorar mais, ou um material pode atrasar. Mantenha a calma, o mais importante é que tudo esteja 100% seguro quando chegar a sua vez.
Cuidados estéticos que impactam a cirurgia
Pode parecer exagero, mas tirar cílios postiços, esmalte, maquiagem, brincos e piercings é mais do que uma recomendação estética: é uma medida de segurança. O bisturi elétrico pode causar queimaduras graves em contato com esses materiais. E evite raspar os pelos com gilete antes da cirurgia; esse hábito pode lesionar a pele e aumentar o risco de infecção.
Fisioterapia pré-operatória: acelere sua recuperação
Fazer fisioterapia antes da cirurgia é um dos maiores aliados da sua recuperação. Isso ajuda a fortalecer a musculatura, especialmente o quadríceps, que costuma ficar inibido após o procedimento. Além disso, aprender previamente como usar as muletas ou andador facilita muito os primeiros dias após a alta hospitalar.
Quanto mais preparado o joelho estiver, mais rápido será o retorno à mobilidade, com menos dor e maior segurança.
Precisa de imobilização após a cirurgia?
Nem todas as cirurgias exigem imobilização. Artroscopias simples, reconstruções de ligamento cruzado anterior e próteses geralmente não precisam. Por outro lado, procedimentos mais delicados, como suturas no menisco, reconstrução de ligamentos colaterais ou transplantes de cartilagem, podem necessitar de um brace longo. O ideal é sempre confirmar com seu médico, pois a necessidade pode mudar conforme o andamento da cirurgia.
Se você vai passar por uma cirurgia no joelho e quer se preparar da melhor forma, este artigo é para você. Aqui, compartilho todas as orientações importantes para o pré-operatório. E se quiser saber mais sobre este e outros temas relacionados à ortopedia, aproveite para visitar o meu canal no YouTube.
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Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, professor, mestre e doutorando na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Realizo atendimentos presenciais em meu consultório particular em São Paulo e Alphaville ou por telemedicina.



