
Complicações da cirurgia de joelho: saiba quais são as principais e como preveni-las ou resolvê-las
Se você está pensando em fazer uma cirurgia no joelho ou já passou por uma e está enfrentando dificuldades, este conteúdo é para você. O objetivo deste artigo não é assustar, mas sim esclarecer sobre as principais complicações pós-operatórias, como preveni-las e o que fazer caso ocorram. Vou explicar desde o risco do próprio procedimento até as complicações precoces e tardias. Quer entender melhor sobre o assunto? Continue a leitura!
Complicação cirúrgica ou erro médico?
Antes de entrarmos em detalhes sobre as possíveis complicações cirúrgicas, vamos entender o que é um erro médico?
Erro médico: O médico fazer um procedimento que não era o correto para aquele paciente e ter uma complicação, ou deixar de fazer uma coisa que era indicada para esse paciente e ter uma complicação, pode ser considerado como um erro médico, como uma imprudência ou uma negligência.
Complicação cirúrgica: A complicação é um problema que pode surgir mesmo quando tudo é feito corretamente, como uma infecção ou rigidez na articulação. São coisas que podem acontecer após uma cirurgia.
Por isso, escolher um cirurgião experiente minimiza os riscos e aumenta as chances de um bom resultado.
Complicações durante a cirurgia
Durante a cirurgia, as principais complicações estão relacionadas à anestesia e ao próprio ato cirúrgico:
Reação à anestesia: Pode ocorrer alergia a medicações, problemas respiratórios ou circulatórios, porém, uma avaliação pré-anestésica, clínica e cardiológica adequada do paciente pode prevenir essas complicações.
Exemplos: Diabetes, pressão alta descontrolada, obesidade, desnutrição, problemas pulmonares (como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), problemas cardíacos (como Arritmia e infarto prévio), o uso de cigarro e outras drogas, aumentam o risco dessas complicações.
Lesão de artérias ou nervos: O risco de lesão de artérias e nervos durante uma cirurgia de joelho varia muito de procedimento para procedimento. Embora raras (menos de 1% dos casos), pode acontecer, especialmente em cirurgias complexas como revisão de prótese e reconstrução do ligamento cruzado posterior, isso porque os principais nervos e vasos sanguíneos da perna passam na parte de trás do joelho, chamada fossa poplítea. Então, quanto mais perto desta região for a cirurgia, maior o risco de lesões.
Exemplos: prótese de joelho, reconstrução do ligamento cruzado anterior e artroscopia para a lesão de cartilagem do menisco são as cirurgias mais comuns e com baixa chance de lesões. Já a troca de próteses em joelhos tortos, dobrados e deformados são mais complexos e com mais chances de lesões.
Complicações precoces: Primeiras semanas após a cirurgia
Trombose Venosa Profunda (TVP) A trombose ocorre quando um coágulo se forma dentro do vaso sanguíneo, que na maioria das vezes acontece na perna, podendo se deslocar para o pulmão (embolia pulmonar). Os fatores de risco incluem:
- Histórico prévio de trombose ou trombofilia.
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Uso de anticoncepcional;
- Idade avançada e imobilização;
- Insuficiência venosa e mulheres.
Para prevenção, recomendo o uso de anticoagulantes, como enoxaparina ou rivaroxabana. No entanto, essas medicações são aplicadas em momentos e situações diferentes, como: A enoxaparina é utilizada quando o paciente está internado, já que o protocolo da maioria dos hospitais indica esses remédios. Já a rivaroxabana é utilizada quando o paciente recebe alta.
A recomendação é que o paciente comece a fazer uso do anticoagulante no dia seguinte à cirurgia, para minimizar o sangramento após o procedimento e formar o hematoma.
Sangramento e hematomas
Sangramentos podem ocorrer devido ao uso de anticoagulantes. Na maior parte das vezes, esse sangramento cessa sozinho. Pequenos hematomas são comuns, mas acúmulos em excesso aumentam o risco de infecção. Por isso, é comum o uso de dreno após a cirurgia, para evitar a formação do hematoma. Um curativo expressivo, onde é pressionada a região da incisão, estimulando que o sangue saia por onde fez o corte, entre os pontos também pode ser realizado. O uso de gelo, curativos compressivos e acompanhamento médico também são fundamentais para controlar esse problema.
Problemas de cicatrização
Problemas de cicatrização nos pontos podem ocorrer e dificilmente viram uma complicação mais séria. O mais comum é a reação aos pontos, como uma alergia, que se resolve com a retirada deles. Mas atenção, a cicatrização pode ser afetada por diabetes, obesidade e tabagismo, além de insuficiência vascular. Caso haja necrose e feridas abertas, um acompanhamento especializado é necessário, assim como o uso da câmara hiperbárica, lasers específicos e curativos de pressão negativa para cicatrização dessas feridas.
Infecções precoces e tardias após cirurgia no joelho
Outro ponto importante são as infecções precoces e tardias, complicações que merecem atenção especial após a cirurgia de prótese no joelho. Uma infecção precoce ocorre nas primeiras semanas após a cirurgia, enquanto uma infecção tardia pode aparecer meses ou até anos depois. A identificação precoce dessas infecções é fundamental, pois quanto mais cedo forem tratadas, melhores são os resultados.
De forma geral, a infecção pode se manifestar com sinais óbvios, como a saída de pus e inflamação intensa no local operado. No entanto, algumas infecções podem ser menos evidentes, sem apresentar pus ou inflamação muito intensa. É importante destacar a diferença entre pus e transudato (líquido corporal normal): o pus tem um aspecto amarelado e opaco, semelhante ao catarro, enquanto o líquido sinovial saudável é claro e transparente.

Os sintomas gerais de infecção também variam bastante. Em casos mais graves, podem ocorrer febre alta, fraqueza e mal-estar geral. Contudo, em quadros leves ou no início da infecção, esses sintomas podem não estar presentes, tornando a detecção mais difícil.
Infecção superficial x infecção profunda
Outra distinção importante está entre infecção superficial e profunda. Infecções superficiais, próximas à pele e à ferida operatória, quando leves e sem coleção de pus, podem ser tratadas apenas com antibióticos. No entanto, se houver suspeita de infecção profunda, envolvendo a articulação ou até mesmo o osso, será necessária uma nova cirurgia para limpeza e drenagem adequadas. Embora ninguém queira passar por outra cirurgia, postergar esse tratamento pode causar problemas muito mais sérios.
Especialmente em cirurgias com implantes, como próteses, placas e parafusos, as bactérias podem aderir ao metal formando uma película chamada biofilme, algo semelhante ao tártaro que se forma nos dentes. Quando esse biofilme é formado, os antibióticos não são mais suficientes para resolver o problema, exigindo uma nova cirurgia, muito mais complexa, para substituir a prótese ou o implante afetado.
Rigidez articular: O que faz o joelho perder o movimento após a cirurgia?
Além das complicações mencionadas anteriormente, outra situação que pode ocorrer após a cirurgia do joelho é a rigidez articular. Em outras palavras, o paciente tem dificuldade para dobrar ou esticar completamente o joelho operado, o que afeta diretamente a qualidade de vida.
De maneira geral, existem três causas principais para essa rigidez.
Primeiramente, temos o posicionamento inadequado da prótese ou do ligamento reconstruído. Pequenas diferenças no tamanho ou no alinhamento podem limitar muito o movimento; por exemplo, apenas 2 milímetros a mais no tamanho da prótese já são suficientes para gerar dificuldade. Por isso, é essencial que o cirurgião faça testes cuidadosos durante o procedimento para garantir que tudo esteja perfeitamente alinhado.
Outro motivo frequente são os casos traumáticos, como fraturas ou lesões no tendão patelar ou quadríceps, especialmente quando há demora para realizar a cirurgia corretiva. Essa espera prolongada pode causar encurtamento muscular, prejudicando o movimento do joelho.
Por fim, talvez a causa mais comum de rigidez seja a formação de fibrose, ou seja, uma cicatriz interna. Algumas pessoas têm mais tendência à fibrose, especialmente aquelas que desenvolvem queloide na pele. Por isso, o ideal é iniciar a fisioterapia logo após a cirurgia, mesmo antes de retirar os pontos, para evitar que essa fibrose limite o movimento. É fundamental focar especialmente na extensão completa do joelho desde cedo, já que é mais fácil resolver problemas de flexão (dobrar) do que de extensão (esticar).

Portanto, quanto antes você começar a mexer o joelho após a cirurgia, maiores são as chances de evitar a rigidez e garantir uma recuperação tranquila e sem complicações.
Dores crônicas
Em alguns trabalhos científicos, até 20% dos pacientes que fazem uso da prótese de joelho continuam com dores no local. É possível apontar casos em que essas dores se repetem.
- Dor do membro fantasma: Pode ocorrer em casos de amputação ou pela troca de articulação desgastada;
- Tendinite, bursite ou edema ósseo;
- Fraqueza no quadríceps: Este músculo pode sofrer uma atrofia, e sua fragilidade pode causar uma sobrecarga localizada na parte da frente do joelho, levando à tendinite patelar ou do quadríceps, e que se intensifica ainda mais a decorrência da fibrose nessa região.
- Soltura da prótese, placas ou parafusos;


Caso todas essas hipóteses sejam eliminadas, o próximo passo é iniciar o tratamento para dor crônica, utilizando medicamentos como pregabalina, amitriptilina, duloxetina e, em alguns casos, extratos de cannabis.
Soltura da Prótese
Além das complicações já mencionadas, outra possível ocorrência a médio e longo prazo é a soltura da prótese. Isso significa que a prótese de joelho, que deveria ficar firmemente fixada ao osso, acaba se afrouxando com o tempo. Essa situação pode acontecer anos após a cirurgia e geralmente causa dor, sensação de instabilidade ao caminhar e dificuldade em realizar atividades diárias.
As causas variam: pode ser pelo desgaste natural dos materiais da prótese, a um posicionamento inadequado no momento da cirurgia ou até a uma infecção tardia que comprometa a fixação.
Logo, é fundamental manter o acompanhamento regular com o ortopedista após a cirurgia, assim, qualquer sinal de soltura pode ser sinalizado precocemente. Se confirmada a soltura, o tratamento normalmente envolve uma cirurgia de revisão, na qual o médico substitui ou reafirma as partes soltas, aliviando a dor e recuperando a estabilidade do joelho.
Desgaste da Prótese
Por outro lado, uma complicação a longo prazo muito ligada à vida útil do implante é o desgaste da prótese. Com o passar dos anos de uso do joelho artificial, é natural que ocorra desgaste, especialmente no componente de plástico (polietileno) que fica entre as partes metálicas da prótese. Pequenas partículas liberadas por esse desgaste podem provocar irritação e inflamação na articulação. Além disso, o desgaste excessivo pode levar à perda de apoio da prótese no osso, contribuindo para a soltura mencionada anteriormente.
A boa notícia é que as próteses modernas são projetadas para durar muitos anos (em média 15 a 20 anos ou mais), e os materiais atuais são mais resistentes, reduzindo esse problema. No entanto, fatores como sobrecarga por atividades de alto impacto e excesso de peso podem acelerar o desgaste. Dessa forma, para prevenir ou atrasar esse processo, recomenda-se que o paciente siga as orientações médicas: mantenha o peso adequado, evite esforços extremos no joelho operado e faça exercícios conforme liberado pelo fisioterapeuta e médico. Caso o desgaste da prótese avance a ponto de causar sintomas significativos, o ortopedista poderá sugerir uma cirurgia para substituir as partes desgastadas, restaurando a função adequada do joelho.
Quebra do Implante
Por fim, embora seja uma complicação rara, pode ocorrer a quebra do implante (fratura da prótese do joelho). Isso quer dizer que algum componente da prótese se rompeu ou rachou. Essa situação pode acontecer em casos de trauma grave (como quedas ou acidentes) ou devido a estresse repetitivo excessivo sobre a articulação artificial ao longo do tempo. Os implantes modernos passam por rigorosos testes de qualidade, portanto a ruptura espontânea por falha do material é incomum. Ainda assim, pacientes com prótese de joelho devem ter cautela e evitar atividades além do recomendado pelo médico, pois um impacto muito forte ou movimento inadequado pode danificar a prótese.
Se houver quebra do implante, o paciente geralmente percebe dor intensa súbita, travamento do joelho ou incapacidade de apoiar o peso. Nessa situação, infelizmente será necessária uma cirurgia de revisão para remover os fragmentos e inserir um novo implante. A perspectiva de outra cirurgia assusta, mas felizmente esses casos são muito raros. O importante é seguir as recomendações de recuperação e uso do joelho para minimizar qualquer risco.
Falha da cirurgia do joelho: O que significa e como resolver?
De forma geral, mesmo após uma cirurgia de joelho tecnicamente bem executada, podem surgir falhas posteriores na recuperação, como rompimento de menisco ou ligamento, soltura da prótese ou da membrana de cartilagem, ou até falha na consolidação óssea em osteotomias. Muitas vezes, essas complicações acontecem por um retorno precoce às atividades físicas ou por uma fisioterapia malconduzida.
Por outro lado, fatores biomecânicos não corrigidos, como um desalinhamento da perna, podem sobrecarregar a região operada e levar a novos problemas.
Em alguns casos, é necessário refazer a cirurgia (cirurgia de revisão), que é mais complexa que a primeira. Por isso, as soluções podem envolver desde uma meniscectomia ou nova membrana de cartilagem até a revisão da prótese, troca de placa ou mesmo um enxerto ósseo, dependendo da situação.

Vale lembrar que nem sempre essas falhas significam erro médico, pois complicações podem acontecer mesmo com profissionais experientes e técnica adequada. Portanto, é fundamental escolher bem o cirurgião desde o início para minimizar riscos e garantir o melhor resultado possível.
Embora complicações após cirurgia no joelho possam ocorrer, elas são raras e muitas vezes tratáveis. A escolha de um bom cirurgião, uma avaliação pré-operatória adequada e o acompanhamento pós-cirúrgico são fundamentais para um resultado de excelência.
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Se você deseja saber todas as orientações pré-operatórias e pós-operatório da cirurgia de joelho, vale a pena ler este artigo. Para saber mais sobre a cirurgia do joelho e outros assuntos ligados a ortopedia, acesse o meu canal no YouTube.
Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, professor, mestre e doutorando na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Realizo atendimentos presenciais em meu consultório particular em São Paulo e Alphaville ou por telemedicina.



