Compressa quente ou fria e contraste: quando e como fazer em todos os casos!

Olá, gente, tudo bem?

Este é um texto adaptado de um vídeo publicado no meu canal do YouTube:

Em algum momento da sua vida, com certeza você já deve ter usado compressas de calor ou frio para alguma dor no corpo, mas infelizmente muita gente tem feito e ensinado errado para as pessoas.

Por isso, eu decidi estudar à fundo o tema e trazer o que tem de mais atual e correto para você, incluindo quando cada uma é indicada, quando não deve ser feita e como deve ser feita as compressas quentes, o gelo e o contraste, tanto para doenças como artrose e tendinite, quanto para atletas e praticantes de atividade física!

Então, antes de começar a falar quais são todas as indicações de cada um desses tratamentos, seja do calor ou do frio, é fundamental que a gente entenda como cada um age no nosso corpo e assim, com este raciocínio, a gente consegue entender melhor os tratamentos.

O calor aumenta o fluxo sanguíneo, promove um aumento do metabolismo celular, relaxamento dos tecidos e leva a uma analgesia.

Já o gelo leva a uma diminuição do tamanho dos vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo de sangue, a inflamação e o inchaço local, e por consequência possui ação anti-inflamatória e anestésica.

Aqui abro um parêntese, pois quando o gelo é realizado de forma inadequada, ou seja, de forma muito intensa, ele pode queimar e levar a uma lesão dos tecidos e por consequência piora da inflamação.

Posto isso, a gente consegue entender melhor a indicação de cada um e vemos que os dois tipos de compressa, seja a com gelo ou calor local, ambos têm efeito terapêutico e não só paliativo, elas ajudam no processo de cura e não só nos sintomas.

Como vimos então, o gelo é mais utilizado para traumas e processos inflamatórios agudos, diminuindo principalmente a dor e o inchaço através do seu efeito anti-inflamatório e anestésico.

já a compressa quente, é mais utilizada para dores crônicas, rigidez dos tecidos como contraturas musculares e artrose, promovendo o relaxamento dos tecidos, aumento do fluxo sanguíneo e metabolismo, além do seu efeito analgésico.

Agora, antes de falar qual a compressa que eu prefiro e como devem ser feitas corretamente, ou vou falar especificamente do uso em cada doença e lesão.

O gelo é mais indicado para quadros agudos de:

– Bursite

– Tendinite

– Entorses de joelho, tornozelo e outras articulações

– Condromalácia

– Fascíte plantar

– Epicondilite

– Canelite

– Flebite

– Fraturas, luxações e contusões

– Após cirurgias recentes

– Hematomas

– Rupturas e distensões musculares

No caso das cirurgias o gelo também ajuda a diminuir o sangramento pós-operatório e a formação de hematoma.

Já o calor local, é mais indicado para quadros crônicos de:

– Artrose

– Doenças reumáticas

– Dores miofasciais, como aquelas dores que às vezes temos na coluna dorsal e lombar, torcicolo

– Contraturas musculares

– Fase crônica de tendinites

Já o contraste de quente frio, é indicado na fase subaguda de traumas promovendo a diminuição do hematoma e edema e recuperação mais rápida do tecido.

Para pacientes com dores crônicas relacionadas aos esforços repetitivos e por desgaste, sejam elas articulares, musculares ou de tendões, eu abro aqui um outro parêntese, pois tanto o calor local quanto o gelo têm efeito benéfico.

Eu recomendo para que estas pessoas, por exemplo, atletas que tem dor relacionada ao esforço repetitivo como algum tipo de tendinite crônica e pessoas que realizam atividades repetitivas no trabalho, recomendo que realizem o calor local antes daquele tipo de atividade, pois ele vai promover analgesia, aumento do fluxo sanguíneo, relaxamento do tecido e do seu metabolismo, diminuindo a incidência ou o agravamento das lesões.

É por este motivo que a gente sempre realiza aquecimento antes de atividades físicas.

Agora, após estas atividades, eu recomendo que a pessoa faça o gelo no local para que diminua o processo inflamatório desencadeado pelo esforço, mantendo este local com uma menor inflamação após.

No caso da artrose, artrites e doenças reumáticas este raciocínio também é válido, se a pessoa está com aquele joelho ou outra articulação inchada, inflamada, avermelhada e dolorida o gelo vai ter um efeito melhor, agora se a pessoa tem aquela sensação de rigidez articular, que a articulação está “seca”, nestas circunstâncias o calor local vai ter um efeito melhor.

Agora que vocês entenderam quando usa cada um desses tipos de terapias, e que a meu ver é a parte que gera mais dúvida e é a mais importante para o resultado adequado, vamos para a parte mais simples que é como fazer cada uma delas.

O primeiro ponto, fundamental para explicar, é o cuidado que devemos ter para não queimar a pele e os outros tecidos abaixo dela, e isso vale tanto para a compressa quente quanto para o gelo.

Então, o primeiro ponto a se observar é que exista uma proteção entre a pele e a bolsa quente ou fria e não ultrapassar o período indicado para a realização de cada sessão da compressa.

Para a realização das compressas de calor, gelo ou contraste podemos utilizar bolsas térmicas específicas vendidas em farmácia ou pela internet, sacos plásticos com gelo ou água quente dentro, e aquelas bolsas térmicas em gel que permitem resfriar ou aquecer, podendo ser reutilizadas várias vezes.

Muitas pessoas me perguntam qual que eu prefiro.

A que eu mais gosto é bolsa térmica, porque ela já vem com uma camada protetora e é bem mole, então tem um bom contato com toda a pele e distribui melhor o calor ou o frio.

Essa aqui eu gosto bastante e uso em casa e tem umas variações muito boas que aceitam calor e frio e que prendem no corpo, assim dá para fazer outra coisa enquanto está fazendo a compressa.

A bolsa em gel é prática e mais barata, mas ela não tem um contato tão bom com a pele, eu diria que é um plano B.

Mas nada impede, na urgência de fazer o bom e velho gelo na toalha, só tomar um pouco mais de cuidado.

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As compressas quentes devem ser colocadas diretamente no local da lesão ou dor, e realizadas por períodos de 15 a 30 minutos de 3 a 4 vezes por dia lembrando sempre do cuidado com a pele.

já a compressa fria, também conhecido como crioterapia, é colocada diretamente no local da dor ou lesão, e deve ser deixada por no máximo 20 minutos, lembrando sempre de proteger a pele, para que não seja machucada pelo frio excessivo.

Esse é um cuidado muito importante, porque já atendi alguns pacientes com queimadura de pele pelas compressas, tanto a quente quanto a fria.

Esta compressa costuma ser realizada de 3 a 4 vezes por dia, podendo ser realizada até com intervalos de 2 em 2 horas, principalmente após cirurgias recentes e traumas agudos.

E o contraste, como ele é feito?

O contraste, também conhecido como choque térmico, combinamos os efeitos do calor e do frio auxiliando na diminuição e reabsorção do inchaço e hematoma na fase subaguda, ou seja, após 4 a 5 dias da lesão.

a realização do contraste leva a uma contração e diminuição dos vasos sanguíneos seguida de uma dilatação, funcionando como um bombeamento, facilitando a diminuição do edema.

No contraste, alternamos as compressas de calor e frio de 2 a 3 minutos cada uma durante 15 a 20 minutos terminando sempre com a compressa fria para que mantenha o efeito de diminuição do edema da terapia.

Assim como as outras compressas, pode ser feita de 3 a 4 vezes por dia, reforçando que ela é mais indicada quando queremos diminuir um inchaço persistente após alguns dias.

Como eu comentei, eu coloquei aqui acima as minhas compressas favoritas, que eu uso em casa e indico para os meus pacientes.

Agora, se você nunca tem tempo para fazer as compressas, eu recomendo pegar a que tem o suporte de velcro, que dá para fazer outras coisas enquanto faz a compressa.

Um grande abraço e até o próximo artigo!

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