Dor no ombro: saiba as causas e como tratar

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1. Dor no ombro: saiba as causas e como tratar

Se você está enfrentando dores no ombro que interfere nas suas atividades diárias, como praticar exercícios, trabalhar ou até mesmo durante o sono, este artigo vai esclarecer definitivamente as principais causas do seu desconforto e o que pode estar acontecendo na sua articulação.

Entendendo a anatomia do ombro

Antes de discutirmos as doenças especificamente, é essencial compreender a anatomia do ombro, o que facilitará a compreensão dos problemas abordados.

A articulação do ombro é a que tem mais mobilidade no nosso corpo. Embora seja comparável à articulação do quadril em termos de estrutura, enquanto uma é desenhada para resistência, suportando carga e peso durante a vida inteira, principalmente para caminhar, o ombro é projetado para mobilidade, permitindo uma ampla gama de movimentos que facilitam nossas habilidades manuais.

A conexão da articulação do ombro com o tronco só ocorre de forma verdadeira através pequenas articulações com a clavícula, o restante é estabilizado por músculos em volta da escápula.  

Articulação do Ombro - Dr. Oliver Ulson

A escápula não articula de forma verdadeira com o tórax, como por exemplo uma articulação do cotovelo do quadril ou do próprio ombro. 

Articulação Glenoumeral - Dr. Oliver Ulson

Já a articulação do próprio ombro, chamada de articulação glenoumeral devido a mobilidade, é mais instável e depende dos músculos ao redor para mantê-la no lugar e funcionando sem dor. 

É importante ressaltar que existem dois grupos de músculos importantes: O primeiro é o do manguito rotador, que segura a articulação glenoumeral, ou seja, a cabeça do úmero, o osso do braço. Conforme mostram as imagens abaixo:

Já o outro é o da musculatura Peri escapular, que estabiliza a escápula, também conhecida como omoplata ou, popularmente, a “asa”. Veja mais nas imagens:

Os grupos do manguito rotador e do periescapular são os principais músculos que protegem a articulação. Acima deles, estão os músculos treinados frequentemente na academia.  

Mas qual a importância destes músculos?

Os músculos destes dois grupos são essenciais porque cumprem o papel de estabilizar o ombro, já que sua força e condicionamento são fundamentais para prevenir lesões. Se esses músculos menores não estiverem bem fortalecidos, o risco de lesões no ombro aumenta significativamente.

A origem da maioria das lesões no ombro está no desequilíbrio muscular, caracterizado pela fraqueza e pela falta de flexibilidade. Portanto, é essencial manter esses músculos não apenas fortes, mas também bem alongados para garantir o equilíbrio e a saúde do ombro.

Tendinite do manguito rotador

O manguito rotador é um grupo de quatro músculos, localizado da escápula até o úmero, que estabilizam a articulação propriamente dita do ombro. Ele é composto pelo músculo supraespinhal (o de cima), o subescapular (o da frente) e os dois atrás, infraespinhal e redondo menor. 

As tendinopatias podem ser desenvolvidas em qualquer um destes músculos, o mais comum é o supraespinhal que está relacionado ao impacto subacromial, seguido pelas tendinopatias do subescapular e infraespinhal. A do redondo menor é bem menos frequente. 

Por que ocorrem as lesões dos tendões?

A lesão desses tendões pode acontecer por alguns motivos, como:

  • Esforços repetitivos;
  • Falta de fortalecimento;
  • Enfraquecimento;
  • Desgaste com o tempo.

Além disso, estas lesões são comuns tanto em pessoas sedentárias quanto em esportistas. 

Como surgem as tendinopatias no manguito rotador?

As lesões nestes tendões começam com uma tendinite, ou seja, uma inflamação aguda, que quando não é tratada direito, se degenera e enfraquece o tendão, apresentando fissuras e podendo até romper, necessitando de intervenção cirurgia. 

A lesão desses tendões é muito comum, em um estudo de autópsia feito em pacientes com mais de 75 anos, foi observado que 25% delas tinham lesão do manguito. 

Como é feito o diagnóstico da lesão do manguito rotador?

Pacientes com lesão do manguito apresentam dores com ou sem perda de força nos testes de elevação do braço e rotação interna e externa. Assim, fazendo esses testes é possível identificar qual tendão está machucado. Além disso, um exame de imagem é ideal para observar melhor a lesão. 

A imagem abaixo ilustra uma ressonância de um tendão normal (seta branca), um tendão com tendinopatia (seta amarela) e um tendão rompido (seta verde). O natural é completamente preto, com a tendinite é meio cinza, já o rompido não chega até o osso, apresentando uma linha branca de líquido. 

Lesão do Manguito Rotador - Dr. Oliver Ulson

Impacto subacromial

O tendão do infraespinhal é o que apresenta mais lesões, devido ao impacto subacromial. Mas o que é esta condição e qual sua relação com a tendinopatia do supraespinhal e a bursite?

Primeiramente, é preciso saber que o tendão do supraespinhal e o seu músculo estão localizados (seta amarela), assim como a bursa (em verde), entre a cabeça do úmero e o osso de cima, chamado de acrômio (setas vermelhas). 

Como ocorre o impacto subacromial?

O impacto subacromial ocorre quando o paciente realiza um movimento de elevação do braço que comprime o supraespinhal e a bursa entre os dois ossos da cabeça do úmero e do acrômio, conforme ilustrado abaixo.

Impacto Subacromial - Dr. Oliver Ulson

Isso porque movimentos repetitivos intensos ou movimentos leves ao longo de anos acabam levando à lesão e a inflamação dessas duas estruturas. Por esse motivo, o tendão do supra-espinal é o que mais se machuca. 

Além disso, em algumas pessoas, esse acrômio é mais curvo para baixo, aumentando esse atrito. 

Outra causa, que é mais simples de resolver, são aqueles pacientes com uma postura ruim, com o ombro projetado para baixo e para frente. Isso ocorre porque, geralmente, eles podem apresentar os músculos periescapulares fracos e o peitoral maior e menor encurtados. Ou seja, eles têm os músculos das costas fracos e os da frente encurtados, sem alongamento. 

Nestes casos, o acrômio se desloca para uma posição ainda mais baixa, intensificando o impacto. A fisioterapia é extremamente benéfica para a recuperação do paciente, pois contribui significativamente para a melhoria da postura e do alinhamento do ombro.

Qual o mais preocupante? A bursite ou a lesão do manguito rotador?

Embora a bursite seja mais perceptível, especialmente por ser facilmente identificada em exames de ultrassom e por ser potencialmente dolorosa, ela não é a maior preocupação.

O que é mais preocupante é a lesão do manguito rotador, pois se romper o paciente perde força, movimento e a longo prazo, se a lesão for grande, pode levar à artrose do ombro. 

Como tratar as lesões do manguito e o impacto subacromial junto com a bursite? 

Para lesões mais leves, como uma tendinite sem nenhum grau de ruptura ou um tipo de ruptura pequena, pode ser tratado de formas conservadoras, como fisioterapia e fortalecimento e alongamento muscular para melhorar a biomecânica do ombro.  

Além disso, podem ser associadas técnicas para estimular a regressão da inflamação e estimular a regeneração do tecido com técnicas mais modernas como o tratamento de ondas de choque e infiltrações. 

E quando o tratamento conservador não funciona?

Em outros casos, em que o paciente continua com dor mesmo após esses tratamentos, ou ainda tem lesões maiores dos tendões, principalmente com perda de força e movimento. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada para reparar a lesão e retirar a ponta do acrômio para parar de fazer atrito no tendão. Geralmente, o procedimento cirúrgico acontece através de artroscopia. 

Tendinopatia ou Tendinite do Tendão do Cabo Longo do Bíceps

Uma outra lesão que é comum de acontecer junto com as tendinopatia do manguito rotador é a tendinopatia ou tendinites do tendão do cabo longo do bíceps. 

Na imagem abaixo, é possível ver o tendão do cabo longo do bíceps (em amarelo), passando entre o supraespinhal e o subescapular, dentro da articulação do ombro. Este tendão pode inflamar por uma sobrecarga aumentada, atritos e instabilidade ou quando o ligamento umeral transverso (em verde) está frouxo ou lesionado. 

Em algumas situações, o tendão do bíceps pode romper, indicando o sinal do Popeye, onde o bíceps fica com um calombo aumentado, conforme a imagem abaixo. 

Qual o tratamento para a tendinopatia do tendão do cabo longo do bíceps?

O tratamento depende da gravidade do problema, assim como nas lesões do manguito rotador, os cuidados variam entre fisioterapia, técnicas para estimulação da cicatrização do tendão, até cirurgia por artroscopia. 

Lesão SLAP

Uma outra lesão importante é a lesão SLAP – que já tive quando praticava atletismo ao lançar um dardo. Esta condição é relevante devido à sua complexidade e ao impacto significativo que pode ter no desempenho e na recuperação do atleta.

Apesar de menos comum do que as citadas anteriormente, essa lesão se apresenta principalmente em pacientes que praticam atividades físicas com o membro superior, com arremesso e movimentos bruscos, como jogar vôlei, handball e tênis. 

A lesão SLAP afeta o labrum ou lábio glenoidal, uma estrutura de fibrocartilagem, parecida com o menisco, que serve para aumentar a superfície de contato na articulação do ombro e gerar mais estabilidade. 

Mas como ocorre essa lesão?

O tendão do cabo longo do bíceps fixa no lábio glenoidal e, principalmente nos esportes de arremesso, pode haver um arrancamento dessas estruturas devido ao movimento de desaceleração final. 

Na imagem abaixo é possível perceber o tendão do bíceps (em amarelo) e o labrum (em verde). 

Lesão SLAP no ombro - Dr. Oliver Ulson

Como é o tratamento do SLAP?

Essas lesões causam dor intensa em pacientes que praticam atividade física, pois exigem mais da estabilidade do ombro. O tratamento pode ser feito sem cirurgia, mas dependendo do resultado pode ser feito o procedimento em que reinsere o labrum e o fixa com âncoras no osso, feito por artroscopia. 

Se tratando do labrum, existem outras lesões como a de Bankart e outras instabilidades, ou seja, quando o ombro fica meio solto, frouxo no lugar. 

Caso você queira saber mais profundamente sobre essas e outras lesões, fique de olho no meu canal no YouTube, onde eu posto vídeos mais detalhados sobre o tema!

Capsula articular e labrum

A articulação do ombro não tem tanto contato ósseo quanto uma articulação do quadril, porque ela prioriza a mobilidade para que a pessoa consiga colocar seus braços na maior área possível.  

Assim, a articulação do ombro depende muito das estruturas moles, como o próprio labrum, cápsula articular, ligamentos e os músculos. 

Nas imagens abaixo, é possível ver as camadas e estruturas que são necessárias para segurar o ombro. Sendo a primeira da cápsula articular e a segunda dos ligamentos, além do labrum. Tudo isso é essencial para dar sustentação ao nosso ombro.

Capsulite Articular - Causa de dor no ombro - Dr. Oliver Ulson

Luxação do Ombro

Em alguns pacientes, a articulação pode ficar instável e sair do lugar às vezes. Todo mundo conhece alguém que deslocou ou desloca o ombro com frequência. O termo médico para este deslocamento da articulação é luxação. 

Nestes casos, a luxação não é somente o inchaço e roxo, que podem ser uma contusão ou entorse. Luxação é quando ocorre o deslocamento da articulação.

Aqui estão duas radiografias para comparação: a da esquerda mostra um ombro em posição normal, enquanto a da direita exibe um ombro luxado. Observe como, na imagem da direita, a articulação está claramente deslocada de sua posição normal.

Radiografia de Luxação no Ombro - Dr. Oliver Ulson

Existem dois tipos de pacientes com instabilidade e luxação do ombro. O primeiro é que a luxação e a instabilidade acontecem por uma frouxidão ligamentar. 

Nessas situações, o ligamento apresenta maior elasticidade e extensão do que o usual, permitindo que a articulação se desloque parcialmente ou se movimente com maior facilidade. Em tais casos, frequentemente a cápsula e os ligamentos não estão completamente rompidos.

O outro caso é aquele que não apresenta frouxidão ligamentar, a articulação deslocou por algum trauma ou um movimento incorreto que forçou demais a articulação. Nesses casos, a articulação continua saindo do lugar, porque aqueles ligamentos, a cápsula articular e o labrum, romperam e não dão estabilidade adequada para a articulação. 

Qual a diferença entre estes dois casos?

É importante entender a diferença entre o caso que há frouxidão ligamentar e o que não há, isso porque, no primeiro caso, é comum preferir o tratamento conservador.  

O segundo caso, se foi a primeira vez que saiu do lugar ou a segunda, é possível tentar o tratamento conservador, mas pode não ser suficiente. Sendo assim, é necessária a intervenção cirúrgica para reparar aquelas estruturas lesionadas. 

Claro, é importante ressaltar que existem outros fatores que vão determinar o tipo de cirurgia e quando é indicada. Cada tratamento dependerá das individualidades do paciente, sendo assim, é indispensável o acompanhamento médico contínuo.

Distensões e contraturas musculares

É comum observarmos pacientes com lesões musculares, especialmente as contraturas nos músculos periescapulares, que são aqueles localizados ao redor da escápula, na região das costas. Nessas situações, frequentemente, há confusão quanto à localização exata da dor, oscilando entre o ombro e as costas.

Os músculos onde mais se observam as contraturas são: 

  • O trapézio;
Trapézio, músculo com frequente contratura - Dr. Oliver Ulson
  • Os músculos romboides, localizados mais abaixo e atrás, juntamente com o músculo levantador da escápula, situado mais acima, são frequentemente associados à dor ao girar o pescoço;
Músculos romboides, localizados próximos ao ombro - Dr. Oliver Ulson

  • E o redondo maior, presente mais atrás na axila. 

Geralmente na contratura muscular, o músculo apresenta um espasmo e pode-se sentir o nó muscular, que é o ponto com a maior contratura. 

Já as distensões e rupturas acontecem geralmente nos músculos onde se concentra mais esforço, como o peitoral maior, o deltoide e o trapézio e o bíceps. Observe as imagens abaixo:

Distenções e rupturas musculares como causas de dor no ombro - Dr. Oliver Ulson

De uma forma geral, as distensões e rupturas ocorrem quando o músculo é mais alongado que o normal, ou quando tem uma carga maior do que ele aguenta. 

A contratura pode causar muita dor, mas é bem mais fácil e rápida de resolver. No entanto, em alguns casos, rupturas maiores podem precisar de cirurgia. 

Como são tratadas as rupturas e contraturas?

O tratamento geralmente é feito de forma conservadora, com o uso de remédios, compressas de calor ou frio e, as vezes fisioterapia, exceto os casos de ruptura muscular mais grave, que geralmente são cirúrgicos. Se quiser saber mais a respeito desses tratamentos, acesse meu canal no Youtube. 

A artrose como causa de dor no ombro

A artrose no ombro pode se apresentar em duas articulações diferentes. Na glenoumeral, a maior (seta amarela), onde tem o principal movimento do ombro. E na articulação acromioclavicular (seta verde), que é uma articulação menor e que pode causar dores em pontos específicos em cima do ombro. 

Artrose como causa de dor no ombro - Dr. Oliver Ulson

Artrose na articulação acromioclavicular

A artrose da articulação acromioclavicular se apresenta com frequência em pacientes jovens, principalmente aqueles que praticam esportes com sobrecarga na articulação do ombro.  

A artrose e a artrite são condições comuns nessa articulação, porque é uma articulação muito pequena que transfere toda a energia e peso carregado pelo braço para o restante do corpo. 

Artrose na articulação de glenoumeral

A artrose na articulação de glenoumeral, ou seja, na própria articulação do ombro, é menos comum. Porém, pode ser mais limitante, pois gera mais rigidez e dor com o movimento do ombro. 

A artrose nesta articulação frequentemente se desenvolve em indivíduos que anteriormente sofreram lesões, como lesões crônicas do manguito rotador ou instabilidade crônica do ombro.

Outros fatores que contribuem para artrose na articulação glenoumeral incluem:

  • Sequelas de fraturas;
  • Traumas diversos;
  • Osteonecrose.

Além disso, a progressão da artrose é influenciada pela idade do paciente, com alterações degenerativas tornando-se mais prevalentes à medida que avançamos em idade.

Nas imagens de raio-X abaixo, é possível comparar o desgaste no espaço entre os ossos e do próprio osso. Na imagem da esquerda, vemos um ombro normal, já a direita apresenta o ombro com artrose. 

Artrose no Ombro - Dr. Oliver Ulson

Como é o tratamento da artrose no ombro?

O tratamento da artrose varia muito entre as pessoas. Como a articulação do ombro não é uma articulação que suporta muito peso, como o quadril, joelho e tornozelo, dá muito bem para a pessoa conviver com artrose sem precisar de cirurgia. 

Nesses casos, pode ser feito um tratamento conservador com medicações, fisioterapia e outras terapias analgésicas. 

Agora se o paciente não apresentar melhora com esses tratamentos, é indicada a cirurgia, que pode ser feita a substituição da articulação por uma prótese, ou pode ser tentado o bloqueio com radiofrequência, que permite muitas vezes tirar a dor no ombro do paciente sem a necessidade de uma cirurgia grande como a da prótese.  

O tratamento com ondas de choque serve para dor no ombro?

Sim! 

A Terapia com Ondas de Choque é uma opção para o tratamento da dor no ombro, especialmente a causada por Capsulite Adesiva, Tendinite Calcárea, bem como a Osteonecrose da Cabeça do Úmero.

Mas, antes de discorrer mais sobre cada uma dessas condições, é preciso entender sobre o que são as ondas de choque.

O que é a terapia de ondas de choque?

A terapia com ondas de choque, diferente da usada na fisioterapia, é um tratamento ortopédico que causa no corpo um efeito chamado de mecanotransdução. Este estímulo mecânico produzido pela onda de choque transforma-se em uma resposta biológica no corpo, que modula a inflamação crônica dos tecidos, como ossos, tendão e músculos, e inverte o processo para inibir esse processo e estimular a cura pelas células.

Caso você queira saber mais sobre este tratamento, veja este vídeo em que eu explico detalhadamente sobre.

Capsulite Adesiva

A capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado, é uma doença que afeta a cápsula e os ligamentos da articulação do ombro, formando uma espécie de fibrose, que deixa o ombro rígido ao longo do tempo. 

Capsulite Adesiva - Dr. Oliver Ulson

Ainda não se entende totalmente as causas da capsulite, embora seja reconhecido que diversos fatores de risco contribuem, incluindo lesões anteriores no ombro e certas condições de saúde.

Essa condição pode manifestar-se espontaneamente e desaparecer por conta própria. No entanto, na ausência de tratamento adequado, pode resultar em rigidez permanente da articulação. Portanto, é ideal iniciar o tratamento o quanto antes para prevenir consequências de longo prazo.

Como é feito o diagnóstico de capsulite?

Faz-se uma avaliação física do paciente para diagnosticar a capsulite. Neste teste, observa-se o ombro ficando rígido mesmo sob força externa.

Exames de imagem também são essenciais para complementar a avaliação. O raio-X pode não revelar alterações específicas, mas é útil para excluir outras condições, como artrose, que também pode causar rigidez.

O diagnóstico de capsulite adesiva é melhor visualizado através de ultrassonografia ou, preferencialmente, ressonância magnética (RM). Em um ombro normal, é possível ver uma bolsa sinovial branca com tecido circundante fino preto (seta verde). Já na capsulite, essa bolsa praticamente some, ficando uma mancha cinza em volta, indicando fibrose.

Como é o tratamento para a capsulite?

O tratamento da capsulite depende de manter o alongamento do ombro e a mobilidade com fisioterapia. Porém, muitos pacientes sentem dor ao fazer fisioterapia, sendo indicado tratar com infiltrações. 

Nestes casos, eu indico o tratamento com ondas de choque, que além de diminuir a dor, acelera o processo de recuperação da fibrose, deixando-a elástica, melhorando o movimento. 

Tendinite Calcárea

A tendinopatia calcárea é a doença onde acontece a calcificação de um dos tendões do manguito rotador. Geralmente, a calcificação se apresenta em um tendão já doente. 

A tendinopatia calcárea tem duas fases. A crônica, que causa uma dor mais fraca e constante que pode durar anos e a fase aguda onde começa a absorção da calcificação e pode dar uma dor muito forte, aguda. 

Geralmente, pacientes acometidos por essa condição tendem a sentir mais dor no ombro, embora não apresentem uma redução significativa no movimento, o que contrasta com a capsulite adesiva, na qual a perda de mobilidade é mais proeminente.

Além disso, ao contrário da capsulite, o diagnóstico da tendinite calcárea pode ser confirmado através de um raio-X, que evidencia a presença de calcificações.

Abaixo, as imagens mostram o resultado do tratamento de um paciente, feito através ondas de choque, e é possível observar a calcificação antes e a melhora após as terapias. 

Tendinite calcárea como causa para dores nos ombros - Dr. Oliver Ulson

Em mais de 75% dos casos, é possível curar a tendinite calcárea com a onda de choque. O tratamento também é muito usado para quebrar as pedras nos rins, mas neste caso, o equipamento utilizado é diferente do usado na ortopedia. 

Os casos sem resolução, que não respondem aos tratamentos convencionais, geralmente necessitam de intervenção cirúrgica, embora sejam a minoria.

A osteonecrose da cabeça do úmero

A osteonecrose é o motivo mais grave de dor no ombro dentre os abordados nesse artigo. No entanto, ele também é o mais raro. Essa é uma doença onde acontece o infarto do osso, levando a morte de parte da cabeça do úmero. 

No ombro, a doença pode se apresentar depois de uma fratura, quando acontece uma ruptura dos vasos sanguíneos que levam sangue até essa parte da cabeça. Ademais, a osteonecrose também pode acontecer como consequência do uso de alguns medicamentos ou complicação de outras doenças. 

Com mais frequência se apresenta pelo uso crônico e excessivo de corticoides ou pelo excesso de bebida alcoólica. Nesses casos, é comum a osteonecrose em várias partes do esqueleto. 

A osteonecrose sempre tem uma causa associada? Quem são os mais afetados?

Não, raramente a osteonecrose pode aparecer sem uma causa definida, chamada de osteonecrose primária. Essa condição geralmente acontece em todas as idades, mas é comum em pacientes com a idade avançada.

Quais são os sintomas da osteonecrose?

Os principais sintomas que podem indicar um quadro de osteonecrose incluem:

  • Dor no ombro;
  • Limitação do movimento;
  • Perda de força.

Mas, em alguns casos, o paciente pode apresentar poucos sintomas. O grande problema da osteonecrose é que a cabeça do úmero pode ficar deformada, levando a uma artrose precoce. 

Observe a diferença de uma cabeça do úmero normal (imagem da esquerda) e uma com a doença (à direita). É possível observar até um descolamento de parte da articulação. 

Osteonecrose no Ombro - Dr. Oliver Ulson

Como é o tratamento da osteonecrose no ombro?

Como a articulação do ombro não é uma articulação que suporta carga, como a do quadril ou joelho, por exemplo, pode-se tentar o tratamento conservador com a onda de choque, que estimula a revascularização da cabeça do úmero. 

A cirurgia só é indicada quando o paciente apresenta limitação e dor no ombro. Se estiver sem sintomas, não é recomendado a realização de cirurgia. 

Contudo, quando necessário realizar o procedimento cirúrgico, recomenda-se a prótese do ombro, onde troca-se a articulação por uma de metal ou, em alguns casos, utiliza-se o polietileno.

Prótese do Ombro - Dr. Oliver Ulson

Quais são as outras causas de dor no ombro? 

Problemas na Coluna

A dor no ombro também pode ser irradiada devido a problemas na coluna, tanto na cervical quanto na dorsal. Por exemplo, uma hérnia de disco pode comprimir um nervo, causando dores que se irradiam para o braço.

Para entender mais sobre dores relacionadas à coluna, acesse essa playlist disponível no meu canal.

Síndrome miofascial

Condição caracterizada por dor resultante de contraturas e nós musculares. Isso leva à inflamação da fáscia muscular, a membrana branca que envolve o músculo.

Outras condições como:

  • Infecção na articulação e no osso, chamadas de pioartrite e osteomielite;
  • Dor oncológica, ou seja, tumores;
  • Doenças reumáticas, como artrite reumatoide e a gota. 

No caso destas condições, o paciente pode sentir outros sintomas associados, como:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Perda de peso;
  • Aumento do tamanho da articulação;
  • Dor em outras articulações.  

Além disso, os pacientes frequentemente apresentam sintomas ou características adicionais que nos alertam sobre a possibilidade desses diagnósticos alternativos. Então, fatores como um longo histórico de tabagismo, idade avançada, antecedentes de doenças reumáticas, ou histórico pessoal ou familiar de câncer podem ser indicativos.

Portanto, é ideal realizar uma investigação detalhada, incluindo exames de sangue e de imagem de outras partes do corpo, para um diagnóstico preciso.


Como é possível perceber, a dor no ombro precisa de atenção, porque pode significar algo mais sério. Além disso, o sintoma não é uma sentença e existem tratamentos para curá-lo, como a terapia com ondas de choque!

Se você sofre com dores no ombro e precisa da ajuda de um profissional da ortopedia, também estou disposto a te ajudar. Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista. Na minha prática médica, busco auxiliar meus pacientes a aliviarem suas dores relacionadas a condições ortopédicas, tanto com medicamentos quanto com terapias mais avançadas, como o tratamento com ondas de choque.

Agende uma consulta e, juntos, vamos ver qual a melhor opção para você!