Paciente com dores crônicas no joelho

Dores crônicas: Principais medicamentos para o controle da dor

Pacientes que sentem dor crônica, ou pessoas que convivem com estes sabem o fardo que é. As dores crônicas podem ser impeditivas para diversas atividades do dia a dia, como trabalhar, dormir e realizar exercícios físicos.

Neste artigo, adaptado do meu vídeo do YouTube, eu explico sobre como tratar a dor crônica, quais os principais tipos de remédios para esse fim e como usá-los. 

Em sua maioria, os pacientes com dores crônicas já passaram por vários médicos, mas nunca chegaram a uma solução eficaz para o problema. Infelizmente, a falta de conhecimento sobre o problema faz com que as pessoas com dor crônica passem por situações desagradáveis e, muitas vezes, humilhantes. 

Por isso, o primeiro passo é a conscientização, aceitação e entendimento da condição. Se as pessoas não enxergam o problema, torna-se impossível de tratar. 

Qual a definição de dor crônica?

Existem várias definições para a dor crônica, mas de forma geral são dores com duração ou intensidade que compromete a qualidade de vida do paciente – fora as causas oncológicas. 

Geralmente, a dor crônica segue além do tempo normal para a resolução do agente causador. Como por exemplo, se o paciente apresentou uma dor após torcer o tornozelo e depois de 3 meses que a lesão já cicatrizou totalmente, ele continua com a dor, podemos considerar uma dor crônica. 

De forma simplificada, a dor crônica é aquela que dura de 3 a 6 meses. 

Qual a diferença entre a dor crônica e a dor aguda?

A dor crônica é muito diferente de uma dor aguda, isso porque ela deixa de ser uma dor de causa local, onde teve a lesão e passa a apresentar uma alteração na interpretação da dor pelo nosso sistema nervo periférico e central, ou seja, os nervos, a medula espinhal e cérebro. 

Como é possível prevenir a dor crônica?

A melhor forma de prevenir a dor crônica é tratando rapidamente a causa do problema e a dor enquanto é aguda. 

Muitas vezes, um paciente com dor crônica depende de várias outras terapias no seu tratamento, como controle da parte emocional, atividades físicas e fisioterapias, correção de postura e mecânica nos movimentos, entre outros. 

Portanto, ter um bom diagnóstico e tratar a causa do problema é indispensável para evitar o surgimento de uma dor crônica.

Os remédios para dor crônica vão variar de acordo com a região do corpo?

Não necessariamente, não há muita mudança em relação a região da dor e o tipo de remédio.

Se a causa do problema da articulação é a mesma, então não há diferença entre dor no joelho, no quadril ou no ombro.

Por exemplo, se o paciente apresenta uma artrose no joelho, no ombro ou no quadril, o mesmo remédio pode ser usado nos três casos com o mesmo efeito.

paciente com dores crônicas no joelho

Quais são os principais remédios para a dor crônica?

Dipirona, o paracetamol e o ibuprofeno

Estes medicamentos costumam ser bem tolerados e seguros para os pacientes. Podendo ser comprados pelos nomes comerciais (Lisador, Novalgina, Dorflex, Tylenol e Alivium) sem receita, estes remédios são prescritos para dores leves e podem ser utilizados por períodos mais longos com segurança, inclusive em idosos, e não atrapalham a recuperação muscular para atletas. 

Estes medicamentos podem ser usados para o tratamento de:

  • Dor nas costas;
  • Torcicolo;
  • Dor de cabeça;
  • Artrose;
  • Tendinite;
  • Bursite. 

O ibuprofeno, dependendo da dosagem, tem efeito anti-inflamatório também. 

Caso a dor fique mais forte, esses medicamentos podem ser usados em conjunto com outros analgésicos mais fortes, que tem mecanismo de ação diferente. 

Anti-inflamatório

Essa classe de medicamento é mais utilizada no tratamento da dor aguda e, na realidade, é inclusive evitada no tratamento da dor crônica, tanto não esteroidais quanto os esteroidais, que são os corticoides. 

Os anti-inflamatórios são evitados por conta dos efeitos colaterais do medicamento e dos riscos no uso prolongado. Geralmente, são recomendados quando o paciente com dor crônica apresenta agudização do quadro, como a lombar travada. 

Estes medicamentos devem ser utilizados pelo menor tempo possível, sendo cerca de 3 a 7 dias, com uma média de 5 dias de uso. 

Para entender mais, leia também: Tipos de remédios usados no tratamento da dor aguda

medicamentos para dores crônicas

Anti-inflamatórios naturais e fitoterápicos

Estes medicamentos apresentam um bom efeito analgésico e o paciente pode tomar por meses. Dentre os principais que eu costumo recomendar estão: cúrcuma longa, arnica, a diacereína, a garra do diabo, o UC2 (para artrose). 

Utilizam-se também os anti-inflamatórios tópicos em cremes, pomadas, gel e emplastros, como o loxonin flex, arnica, cataflam, já que a absorção pelo organismo é baixa e eles costumam ter um bom efeito local quando a dor é mais superficial, perto da pele, como nas mãos, pés e joelhos, por exemplo. 

Relaxantes musculares

Estes remédios ajudam muito em alguns casos de dor crônica, porque diminuem o consumo de outros remédios para a dor. Os principais relaxantes musculares usados para a dor crônica são: ciclobenzaprina (miosan ou musculare), baclofeno ou o sirdalud. 

A ciclobenzaprina é o medicamento da classe dos relaxantes musculares mais conhecido e usado, mas costuma deixar o paciente que faz o uso sonolento. Já o baclofeno e o sirdalud (tizanidina) dão menos sono que a ciclobenzaprina e tem efeito analgésico, sendo muito indicado para dores na coluna. 

Os relaxantes musculares, no entanto, têm o papel apenas de relaxar o músculo, não ajudando tanto no alívio de dores articulares, como artrites e artroses. Então, prescreve-se para pacientes com dor muscular principalmente por contratura, comum em problemas na coluna, como torcicolo, dorsalgia e lombalgia.  

Da mesma forma, os relaxantes musculares também podem ajudar muito em dores miofasciais, fibromialgia e tendinites crônicas. 

Opioides

Os opioides são os remédios da família da morfina. Os mais conhecidos são o tramadol, ou tramal, a codeína, que têm no Paco e no Tylex e a própria morfina. 

Os opioides têm efeito bem mais forte na dor do que as outras classes de medicamentos citadas. Mas, assim como a dipirona e o paracetamol, esses medicamentos só aliviam a dor, não ajudam a curar o problema, não tiram a contratura muscular nem diminuem inflamações. 

Estes medicamentos são peça fundamental para tirar o paciente da dor intensa, antes de iniciar outros para controle da dor posteriormente. Porém, muitos pacientes têm objeções e medo pelo risco de viciarem.

Quais são os remédios adjuvantes para a dor crônica?

Os remédios adjuvantes no tratamento da dor crônica são remédios que não são diretamente analgésicos, sendo medicamentos de outras classes. Eles ajudam no controle da dor e a reverter o processo de sensibilização que acontece no sistema nervoso.

As classes principais de medicamentos adjuvantes usadas no alívio da dor crônica são os antidepressivos e anticonvulsivantes. Alguns dos mais conhecidos são: amitriptilina, pregabalina, duloxetina, gabapentina, entre outros. 

Como os remédios adjuvantes agem no controle da dor crônica?

Quando o paciente tem um estímulo doloroso por muito tempo, como no caso da dor crônica, o sistema nervoso central sofre várias modificações na transmissão dos impulsos nervoso e interpretação da dor. 

Sem o sistema nervoso, não é possível sentir nada. Um exemplo disso são pacientes com lesão grave na medula, geralmente, eles não conseguem sentir nada das pernas pra baixo. 

Um paciente com hérnia de disco pode ter uma parte do corpo anestesiada também, já que são os nervos que captam as sensações no lugar do machucado e levam até o cérebro, onde realmente sentimos as coisas.

Já o cérebro manda um estímulo nervoso novo para a região do machucado controlando a sensação dolorosa. 

A comunicação entre os nervos é feita com vários neurotransmissores e receptores nessas células. Veja o exemplo abaixo:

explicativo da dor crônica

Estes neurotransmissores são os mesmos que interferem na ansiedade e depressão, e por isso alguns pacientes precisam tratar as dores com anticonvulsivantes e antidepressivos.

Alodínia e Hiperalgesia

Pacientes com dor crônica, como uma dor nas costas crônica, neuropatia ou dores crônicas generalizadas como a fibromialgia tem o funcionamento alterado, funcionando diferente do normal, como se fosse um fio elétrico desencapado.

Sendo assim, as ações que antes dariam uma sensação tátil ou térmica, dão sensação de dor leve, podendo levar a uma dor intensa. Chama-se de alodínia e hiperalgesia estas condições, respectivamente. Alguns exemplos são:

  • Alodínia: Ocorre quando há a sensação de ardência só de passar a mão na pele;
  • Hiperisalgia: Ocorre quando o paciente sente muita dor só de apertar de leve o local, quando não há uma lesão grave na região. 
Fonte: Tratado de Dor da SBOT

A curva azul mostra um paciente que sofre com alodínia ou hiperisalgia, já a laranja representa um paciente com resposta normal da dor. Os pacientes que sofrem com essas condições sentem a dor antes de uma pessoa comum e a sensação dolorosa é muito mais forte. 

Muitas vezes, a dor dos pacientes com dor crônica não está no lugar do machucado e sim no cérebro. 

Você já deve ter ouvido falar da síndrome do membro fantasma. Nessa síndrome, o paciente que perdeu uma parte do corpo, continua sentindo-a, mesmo sem existir. Na dor crônica, ocorre algo parecido. 

Então, remédios como antidepressivos e anticonvulsivantes ajudam a voltar ao funcionamento normal, do sistema nervoso. Estes medicamentos demoram em torno de duas semanas para equilibrar no organismo, então é possível sentir efeitos colaterais e menos alívio da dor nos primeiros dias.

E como saber quando prescrever cada classe de medicamento?

Atualmente, o conceito de tratamento da dor requer que o paciente use as medicações conforme a intensidade da dor, sempre associando as várias classes quando possível, para que uma potencialize o efeito da outra. 

A escala de dor abaixo, retirada do Tratador de Dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT) é similar à preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e mostra como prescreve-se estes medicamentos, tanto para a dor aguda quanto para as dores crônicas. 

Se o personagem apresenta um quadro de dor leve, indica-se analgésicos comuns, relaxantes musculares e anti-inflamatórios quando necessário. No meu consultório, eu priorizo anti-inflamatórios de dor local, como cremes e emplastros, além de anti-inflamatórios fitoterápicos no tratamento da dor crônica.

É importante ressaltar também a importância das outras terapias complementares. 

Em resumo, prescreve-se tratamentos da seguinte forma:

Paciente com dor moderada

Além dos analgésicos comuns e relaxantes musculares, é possível associar também opioides fracos, como o tramadol e a codeína – estes dois sempre associados com algum da classe anterior, não isoladamente. 

Paciente com dor intensa

Para pacientes com dores mais intensas, é possível prescrever os mesmos medicamentos da dor leve e trocar o opioide fraco pelo forte. 

Pacientes com sensibilização ou efeito da dor crônica no sistema nervoso

Em casos que a alodínea ou a hiperalgesia estejam presentes, que é muito comum em pacientes com fibromialgia, neuropatia como a dor do ciático e síndrome do túnel do carpo, dores nas costas e musculares crônicas, é possível prescrever remédios adjuvantes (antidepressivos e anticonvulsivantes) associado a medicamentos de outras classes.

Conforme o paciente sinta menos dores, o tratamento também vai descendo esta escada de dor, até ficar sem medicação. Neste artigo, eu explico como se livrar dos medicamentos para dor crônica.

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Caso você ou algum conhecido sofra com dores crônicas, não hesite em marcar uma consulta comigo. Eu posso te ajudar!

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