Dores crônicas: Saiba como parar de tomar remédios para a condição

Os remédios são importantes para o tratamento de dores fortes e doenças e, em alguns casos, até fundamentais. Mas a dependência de medicamentos para as dores crônicas e a automedicação podem ser perigosas ao paciente.

Neste artigo adaptado do meu vídeo do YouTube, eu explico formas de controle de dores crônicas e como é possível se livrar dos medicamentos para alívio da dor. Continue lendo!

Cuidar do próprio corpo de verdade é mais importante do que ficar só no tratamento paliativo. Se tratando da dor crônica, não é diferente.

O que é a dor crônica?

A dor crônica, na maior parte das vezes é uma dor prolongada, ligada a uma doença multifatorial.

As dores crônicas podem ter relação com uma série de hábitos no dia a dia, como má postura, sedentarismo e alimentação ruim, também podendo estar atrelada a alguma doença (como artrites) ou lesões e traumas anteriores no corpo que não foram completamente curadas.  

Como é diagnosticada a dor crônica?

Antes de entender como é possível se livrar do uso de medicamentos para dor crônica, primeiro é preciso abordar como é feito o diagnóstico para esta condição tão dolorosa.

O diagnóstico correto para a dor crônica é essencial na hora de iniciar um tratamento adequado. Para isto, o médico responsável pelo caso precisará fazer uma avaliação completa e poderá solicitar alguns exames. Funciona da seguinte forma:

  • História Clínica: Nesta etapa, o paciente contará ao médico detalhadamente sobre as dores: o local de incidência, quando surgiram, se já realizou algum procedimento cirúrgico anteriormente ou se possui alguma condição, se há sintomas associados, entre outros detalhes.
  • Exames físicos: Faz-se uma avaliação física no paciente a fim de identificar anormalidades físicas, como inchaço, limitação de movimento, sensibilidade e reflexos anormais.
  • Exames complementares: Em alguns casos, o médico pode solicitar exames de imagens (como radiografias, ressonância magnética ou tomografia computadorizada) para identificar alterações na estrutura das articulações, músculos e ossos, além de exames de sangue.

Ter um bom diagnóstico é indispensável na hora de fazer o melhor tratamento para o alívio das dores crônicas. Se automedicar sem identificar ao certo a causa da dor crônica é como tentar dirigir um carro com os olhos vendados.

Portanto, ao notar o aparecimento de dor crônica ou outros sinais estranhos que possam ter relação com os ossos, músculos e articulações, não deixe de adiar uma consulta o mais rápido possível com um ortopedista.

A importância de tratar outras doenças associadas

Antes de tratar a dor crônica em si, é necessário que o paciente trate outras doenças que possam estar de certa forma associadas ao surgimento da neuropatia. Por exemplo, se o paciente começa com uma dor neuropática e tem diabetes, se ele não trata adequadamente a diabetes, é muito mais difícil melhorar da neuropatia.

Outro exemplo são pacientes que possuem tendinopatias ou artrose e fibromialgia. Se a fibromialgia não é tratada da forma correta, torna-se mais difícil o paciente melhorar da tendinite ou dos sintomas da artrose.

Já pacientes que têm alguma doença reumática, como artrite reumatoide ou lúpus, o tratamento da dor e da artrite isoladamente, sem o do reumatismo, não é suficiente para eliminar as dores efetivamente.

Em muitos casos, os pacientes sequer sabem da existência dessas doenças. Por isso é importante uma avaliação médica completa e adequada.

Erros posturais e de execução de movimentos podem acarretar o surgimento da dor crônica?

Sim!

Pessoas que realizam muitos movimentos repetitivos de forma errada em atividades diárias, como no trabalho ou a dirigir por longos períodos, podem cursar com dores crônicas posteriormente.

Visualize este exemplo: Se você fica 10 horas por dia digitando e está com tendinite, caso o volume do esforço não seja diminuído e o movimento e a postura não sejam corrigidos, torna-se muito difícil se livrar das dores.

Como posso prevenir o surgimento de dores associadas a postura errada, então?

Para prevenir o aparecimento de quadros de dor crônica decorrentes das atividades diárias, é preciso se atentar a manter a postura correta ao:

  • Trabalhar;
  • Ficar sentado por longos períodos (como em home office);
  • Usar o celular;
  • Dirigir;
  • Dormir;
  • Fazer exercícios físicos – especialmente os que envolvem levantamento de peso.

Ou seja, quase todas as atividades diárias acarretam dores se não são realizadas de maneira adequada.

Um exemplo disto está no uso do celular. A depender da postura em que o indivíduo fica, o peso de sustentação da cabeça pode aumentar mais de 5 vezes.

Já a postura errada da lombar em atividades que envolvam levantar peso ou ficar sentado por muitas horas, pode aumentar mais de 9 vezes a sobrecarga no disco lombar.

Portanto, é importante se atentar a postura correta na hora de realizar as atividades diárias, conforme o exemplo abaixo:

Erros posturais que podem acarretar dores crônicas

Como a atividade física pode influenciar o controle da dor?

A prática regular de atividade física é importante para o controle da dor, isso porque quando realizamos exercícios, o corpo libera substâncias que tem efeito analgésico. A mais conhecidas são as endorfinas.

As endorfinas são opioides endógenos, ou seja, elas se assemelham a substâncias como a morfina, a codeína e o tramal, por exemplo. A endorfina, além de ajudar no alívio da dor, ainda pode colaborar na sensação de bem-estar.

Ao realizar atividades físicas, os músculos liberam também miocinas, que são moléculas que têm efeito anti-inflamatório e ajudam no controle da dor.

De forma geral, o próprio corpo é capaz de produzir remédios “naturais” para ajudar no controle da dor crônica. Sendo assim, em alguns casos, o uso de medicamentos farmacológicos torna-se dispensável.

Perder peso pode me ajudar a controlar a dor crônica?

Sim!

Muitos médicos podem recomendar que o paciente perca peso e invista em uma rotina de exercícios e alimentação balanceada como forma de controlar as dores, isso porque a gordura provoca dois efeitos principais nas nossas articulações, músculos e tendões, sendo eles:

  • Sobrecarga nas articulações: O excesso de peso sobrecarrega as articulações. Como a física, a pressão é uma relação de força sobre área.

Como a área da articulação não muda após o crescimento, quando o peso aumenta, a pressão nela também cresce.

  • Produção de substâncias inflamatórias: As células de gordura produzem substâncias inflamatórias ao corpo. Por isso, a obesidade é responsável muitas vezes pelo desenvolvimento de outras condições adjacentes.

O ganho de músculo, em contrapartida, provoca efeito inverso ao da gordura, já que além de produzir miocinas anti-inflamatórias, os músculos absorvem o impacto nas articulações e sustentam o corpo na posição correta.

O ortopedista responsável por cada caso poderá indicar quando é necessário o controle do peso no tratamento da dor crônica nas articulações.

Como o fortalecimento muscular e o alongamento podem aliviar as dores crônicas?

A prática de exercícios físicos como musculação pode impactar no ganho de tônus muscular e resistência, além de fortalecer os músculos que estabilizam nossa coluna e articulações.

Já os alongamentos melhoram a mobilidade do corpo e ajuda com que consigamos sustentar nosso corpo por várias horas na postura correta.

Para perder peso e ganhar músculo de forma otimizada, é indispensável se atentar a dois pilares essenciais no controle da dor, sendo eles:

  • Alimentação: Para manter uma alimentação saudável e balanceada, o paciente acometido por dores crônicas ou não, deve evitar frituras, comidas processadas, muito açúcar refinado e acrescentar alimentos ricos na dieta, como verduras, frutas e legumes.
  • Sono: Um bom sono reparador é também fundamental para a melhorar da dor crônica. Isso porque dormir mal faz com que aumentem os níveis de cortisol, adrenalina e outras substâncias que têm uma relação direta com o estresse.

Dormir em colchões ou travesseiros ruins ou velhos também podem ser prejudiciais a postura e a qualidade do sono.

Quais os impactos do emocional na dor crônica?

O estresse, ansiedade e depressão têm vários impactos na dor. Tanto pela liberação de hormônios e substâncias que aumentam as contraturas musculares e inflamação, quanto pela sensibilização da dor pelo sistema nervoso central.

Os nervos são responsáveis por captar a dor e demais sensações do corpo. Sendo assim, quando a parte emocional do corpo está comprometida, a interpretação da dor muda, aumentando ainda mais a sensação dolorosa.

Como ocorre um desequilíbrio de neurotransmissores, que são iguais nas vias de dor e humor no cérebro, recomenda-se o uso de remédios antidepressivos e anticonvulsivantes para o controle da dor crônica. O tratamento deste tipo pode requerer a colaboração de médicos de diversas áreas, como psiquiatria e ortopedia.

Já tentei largar os medicamentos para dor e não me senti bem. O que devo fazer?

Recebo relatos de pacientes que tentaram parar de usar remédios para o controle da dor como amitriptilina, duloxetina, pregabalina, gabapentina e desvenlafaxina e não se sentiram bem. Isso ocorre porque, mesmo que esses medicamentos não causem dependência, a parada repentina pode resultar na síndrome da descontinuação do uso.

Então, a recomendação é diminuir aos poucos o uso, o que chamamos de “desmame”. Esse processo deve ser feito acompanhado do médico responsável pela prescrição e deve acontecer de forma gradual, diminuindo semana após semana a dosagem dos remédios.

Em quadros de dores durante o desmame, analgésicos e relaxantes muscular simples podem ajudar no controle da dor.

Para pacientes com dependência de opioides, como a morfina, tramal, codeína ou oxicodona, é essencial procurar um médico especializado, como um psiquiatra ou neurologista. Prescreve-se também a psicoterapia e remédios controlados da mesma família, como metadona e buprenorfina para estes casos.

Lembrando que as dores crônicas podem ser limitantes a qualidade de vida do paciente. Portanto, o acompanhamento médico com um ortopedista é essencial para estabelecer quais são as melhores práticas, chegar a um diagnóstico preciso e definir o melhor tratamento.

Se você sofre com dores crônicas nas articulações, não hesite em marcar uma consulta comigo. Estou pronto para te ajudar!

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