Alendronato / Risendronato e Ibandronato: A polêmica dos bifosfonatos orais

Introdução

Olá, pessoal! Tudo bem?

Este é um texto adaptado de um vídeo publicado no meu canal do YouTube:

A osteoporose e a osteopenia são doenças que enfraquecem nossos ossos e aumentam o risco de fraturas. Fraturas como as do fêmur, quando acontecem em idosos aumentam muito a mortalidade nessas pessoas.

Os bifosfonatos orais, como o alendronato, risendronato e ibandronato são a primeira opção de medicamentos para a prevenção da osteoporose, porém, por conta dos efeitos colaterais e complicações desses remédios, existe muita polêmica no seu uso!

Então fica aqui até o final desse artigo que eu vou explicar tudo sobre eles!

O que é a osteoporose

Antes da gente falar sobre os remédios em si eu vou explicar de forma simples como que é o metabolismo do osso e como que aparece a osteoporose.

O osso, assim como a maioria dos nossos tecidos do corpo, como a pele, o cabelo, e as unhas, ele está constantemente formando tecido novo e tirando o tecido velho. Para fazer isso a gente tem 2 tipos de células: a que forma osso, que chama osteoblasto e aqui tira o osso que chama osteoclasto.

As duas células são muito importantes para a gente ter um osso sempre resistente. Além disso, o osso é um reservatório de cálcio para várias outras atividades e outros nutrientes.

Nos trocamos nosso esqueleto por um novo a cada 10 anos aproximadamente.

Essas células sofrem influência de vários tipos de hormônios. Conforme a gente envelhece, e principalmente no caso das mulheres após a menopausa, que tem uma diminuição importante de alguns hormônios como o estrogênio e a progesterona, o osteoblasto, que a célula que forma osso, fica muito menos ativa que o osteoclasto que a célula que tira o osso e com o passar do tempo esse osso vai ficando poroso e frágil.

Como os bifosfonatos funcionam e quais seus benefícios

O alendronato, ibandronato e risendronato são remédios em comprimidos de uma classe chamada de bifosfonatos. Esses remédios agem nos osteoclastos que são aquelas células que retiram o osso, diminuindo o efeito deles.

Assim, os osteoblastos que estão ativos numa velocidade menor, conseguem produzir mais osso do que o que está sendo degradado pelo osteoclasto, aumentando a densidade do osso.

Esses remédios são muito eficazes no tratamento da osteoporose, eles chegam a diminuir em 70% o risco de fraturas na coluna vertebral e até 50% o risco de fraturas do fêmur na região do quadril.

Porém, esses remédios têm efeitos colaterais que não podem ser ignorados, então antes de explicar quando que tem que tomar esse remédio e como que se toma, eu vou explicar quais são esses riscos e no final do artigo eu vou discutir um pouco sobre a polêmica no uso desses remédios.

Quais os riscos e efeitos colaterais dos bifosfonatos

Além dos efeitos colaterais comuns, como dor no estômago, dor de cabeça e dor nas costas, os bifosfonatos também podem causar efeitos colaterais graves, como inflamação e úlcera no esôfago, osteonecrose da mandíbula, baixos níveis de cálcio no sangue, além de fraturas atípicas no fêmur, que é um tipo mais incomum de fratura.

Então, se você quer prevenir ou tratar a osteoporose, tem que pensar duas vezes antes de sair tomando esse remédio por conta. Tem que fazer um acompanhamento médico.

Quando que a pessoa tem que tomar esses remédios então?

O alendronato, risendronato e ibandronato são indicados para o tratamento de homens e mulheres com osteoporose e fraturas por osteoporose, e eventualmente em pessoas com osteopenia e fatores de risco para a osteoporose e fraturas, como por exemplo, pessoas que fumam, idosos, menopausa precoce, histórico de osteoporose na família, falta de atividade física, alcoolismo, entre outros.

E quem não deve tomar esses remédios?

As principais contraindicações:

– Gestantes

– Mulheres amamentando

– Alergia a esses remédios

– Tratamento com radioterapia

– Infecção na boca e cirurgias recentes nos dentes, assim como implantes, pois é fator de risco para a necrose da mandíbula e perda do implante

– Insuficiência renal grave

– Doenças do esôfago e estômago, ou cirurgias recentes como cirurgia bariátrica

– Baixos níveis de cálcio no sangue

Como devem ser tomados os bifosfonatos

Como esses remédios podem irritar o esôfago e a absorção diminui muito com alimentos e bebidas é recomendado que tome o comprimido de alendronato, ibandronato ou risendronato inteiro.

Não pode de jeito nenhum mastigar, triturar ou cortá-los.

Tem que tomar em jejum, logo pela manhã, com bastante água, 30 a 60 minutos antes da refeição e tem que ficar sentado ou de pé o mesmo tempo após, não pode tomar e voltar para a cama!

Um outro detalhe importante, tomar com o omeprazol e o remédio para tireoide não tem problema, mas os alimentos podem diminuir em até 50% a absorção do remédio.

Antes de falar as dosagens desses remédios, eu quero lembrar uma coisa importante a pessoa que está tratando da osteoporose e osteopenia precisa adequar a reposição de cálcio e vitamina D, que eu explico melhor em outro artigo.

Bom continuando, o alendronato e o risendronato são prescritos 1 vez por semana, 70mg para tratar a osteoporose e 35mg para a prevenção.

Já o ibandronato é prescrito 150mg uma vez ao mês no tratamento da osteoporose e uma vez há cada 3 meses, na prevenção.

Boa gente, agora vamos para a cereja do bolo. Falar o que todos estavam esperando, mas antes, se esse conteúdo está sendo útil para você, gostaria de convidar para se inscrever no meu canal.

A polêmica do uso explicada

Então gente, tem muito profissional de saúde que abomina esses remédios, principalmente por conta dos efeitos colaterais.

Como esses remédios diminuem o metabolismo do osteoclasto e o osso “velho” não é retirado, o osso apesar de mais denso, a resistência em alguns lugares fica diminuída e não permite a integração dos implantes e pode levar à osteonecrose de mandíbula, fraturas atípicas no fêmur, além é claro, da úlcera no esôfago.

Por outro lado, segundo a organização mundial de saúde, 9 milhões de fraturas por osteoporose ocorrem todo ano. E sabe-se que fraturas na região do quadril em idosos podem aumentar a mortalidade em 30% em um ano.

Por conta disso, o uso desses remédios precisa ser bem acompanhado e colocar na balança os riscos e benefícios. Não dá para simplesmente fala que o remédio é mocinho ou vilão.

A melhor forma de lidar com esses pacientes é colocar numa balança os riscos benefícios individualmente com seu médico e fazer um acompanhamento regular anual ou a cada 2 anos com densitometria óssea e comparar o efeito dos remédios.

Hoje, por exemplo, temos remédios que podem ser uma opção para quem tem problema no esôfago, como o ácido zoledrônico ou para quem tem problema nos rins e intolerância aos bifosfonatos, como o denosumabe.

Hoje é defendido o conceito de “férias” dos remédios da osteoporose e cada um tem seu intervalo adequado, mas isso não é um consenso, tem muito médico e dentista que perde a amizade por isso!

Como que funciona isso?

Então a pessoa em uso do alendronato, por exemplo, usa o remédio por 5 anos fazendo acompanhamento com a densitometria óssea.

Se ela teve um ganho bom de osso, o remédio é suspenso, mantendo os outros cuidados de prevenção e a pessoa mantém com o seguimento com a densitometria e reavaliando se vai precisar voltar a usar o remédio ou não.

É importante também sempre lembrar que a osteoporose não é só tratada com remédio. Precisa de mudança do estilo de vida e suplementação quando necessário.

Espero que tenha gostado desse artigo e se foi útil compartilhe com outras pessoas, e veja outros vídeos do meu canal e artigos do blog.

Um grande abraço e até a próximo!