Fascite Plantar


Índice

1. O que é e como tratar a dor na planta do pé? Fascite Plantar tem Cura?
2. Mas afinal, o que é a fascite plantar?
3. Diagnóstico da Fascite Plantar
4. Quais são os sintomas da fascite plantar
5. O que diferencia do esporão calcâneo
6. Porque a fáscia plantar inflama?
7. Quais são os fatores de risco para a doença
8. Como é feito o diagnóstico da fascite plantar
9. Fascite plantar – tratamento
10. Infiltração ou terapia de ondas de choque?
11. Bloqueio por radiofrêquencia ou cirurgia aberta?
12. Conclusão
13. Referências

1. O que é e como tratar a dor na planta do pé? | Fascite Plantar tem Cura?

Você sabia que a fascite plantar atinge de um a dois por cento da população? Considerando que no Brasil temos mais de 200 milhões de habitantes, podemos supor que 2 até 4 milhões de pessoas sofrerão dessa doença, só em nosso país!

2. Mas afinal, o que é a fascite plantar?

A fascite plantar é o termo que designa a inflamação da fáscia plantar. A fáscia plantar é um tecido conjuntivo amplo localizado na face plantar do pé (profundamente à “sola do pé”). Ela segue desde o calcâneo (calcanhar) até a cabeça dos metatarsos (próximo à base dos dedos) e é responsável por sustentar a concavidade do pé.

Ela atua como um arco de mola, permitindo relativo acomodamento, auxiliando na impulsão e absorção do impacto durante a marcha.

Veja mais a frente como tratar a fascite plantar

3. Diagnóstico da Fascite Plantar

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4. Quais são os sintomas da fascite plantar

Os principais sintomas de fascite plantar são caracterizados por dor na sola do pé, predominantemente próximo ao calcanhar relacionado aos fatores de risco que serão abordados mais à frente. Os pacientes queixam-se tipicamente de dor nos pés ao levantar da cama.

Essa dor se desenvolve de forma progressiva e lenta, sem caráter incapacitante. Desta forma, os pacientes com fascite plantar não têm um período de repouso, perpetuando a inflamação e as micro lesões, passando para um quadro crônico.

5. O que diferencia do esporão calcâneo

O esporão calcâneo é uma proeminência óssea que que surge em dois possíveis locais no osso calcâneo, um na planta do pé e outro mais atrás do osso, perto do tendão de Aquiles. Ele ocorre pela calcificação da inserção dos tecidos moles como tendões e fascias. Antes pensava-se que o esporão seria a causa da dor, mas hoje sabe-se que não há relação clínica entre a dor e o esporão plantar.

6. Porque a fáscia plantar inflama?

A doença é caracterizada por duas fases, a aguda e a crônica. Sobrecarga de esforço, peso ou desequilíbrio muscular, bem como encurtamento da fáscia levam a microtraumatismos de forma prolongada podendo levar a um processo inflamatória agudo ou crônico degenerativo. Os casos degenerativos crônicos podem apresentar agudização recorrente.

Boa parte das vezes, quando o paciente procura o médico já está diante de uma situação crônica. É por esse motivo que muitas vezes o uso de antiinflamatórios para a fascite plantar não funcionam, bem como outros medicamentos, corticoides e analgésicos.

7. Quais são os fatores de risco para a doença

Como comentado anteriormente, a fascite plantar é uma doença frequente, que acomete até 10% da população em algum momento da vida (variando entre trabalhos de 1-2% até 10%), ocorre predominantemente em homens adultos (40 a 70 anos). Têm como fatores de risco o sobrepeso, atletas de corrida, longos períodos em pé, encurtamento do tendão de Aquiles e pés planos.

Mulheres também são afetadas pela doença, sendo o uso prolongado de salto alto um fator de risco maior, por levar ao encurtamento do tendão de Aquiles e da fáscia plantar.

8. Como é feito o diagnóstico da fascite plantar

O diagnóstico da fascite plantar é tipicamente clínico, entretanto, podemos lançar mão de outros exames para realizar o diagnóstico diferencial. Exames de sangue, radiografias, ultrassonografia, ressonância magnética e cintilografia podem ser utilizados para exclusão de outras causas, como doenças reumáticas ou infecciosas.

Vale comentar sobre a radiografia, onde muitas vezes encontramos o famoso “esporão” calcâneo na região plantar. Como comentado anteriormente, esse sinal radiográfico não tem associação direta com a doença, pois apenas 50% dos indivíduos com o “esporão” são sintomáticos, da mesma forma apenas 50% dos pacientes com fascite plantar têm o esporão plantar.

Tratamento para Fascite Plantar

9. Fascite plantar – tratamento

O tratamento inicial consiste em terapias conservadoras como antiinflamatório para fascíte plantar, analgésicos, gelo, repouso relativo (diminuição da atividade que causa dor), alongamento, fisioterapia e ainda palmilha para fascíte plantar. As medicações são mais efetivas em casos agudos ou apenas para tratar os sintomas até s resultados da terapia física fazer efeito.

exercicios-para-fascite-plantar

exercícios para fascite plantar

10. Infiltração ou terapia de ondas de choque?

Da mesma forma que outras tendinoses e tendinites, podemos utilizar tratamentos alternativos como ondas de choque e infiltrações locais. Em raros casos, refratários ao tratamento conservador, podemos indicar procedimentos cirúrgicos de liberação da fáscia ou bloqueio por radiofrequência.

O tratamento da fascíte plantar é uma das principais indicações para a utilização da terapia de ondas de choque na ortopedia, com resultados próximos a 85%, mesmo em casos refratários ao tratamento fisioterápico e medicamentoso. Vale ressaltar que a terapia de ondas de choque é complementar, devendo-se sempre manter as outras terapias físicas como o alongamento da fáscia e tornozelo, fortalecimento muscular, ajuste da pisada e controle do peso corporal.

A infiltração com corticoide esta caindo em desuso e, ao meu ver, é questão de tempo até ser proscrita (contra-indicada), pois o corticoide leva a atrofia do coxim plantar e degeneração de tecidos conjuntivos como tendões, fáscias e cartilagem articular. Assim, mesmo que ocorra melhora temporária da dor, a degeneração é piorada de forma importante.

Terapia-de-ondas-de-choque-para-fascite-plantar

11. Bloqueio por radiofrêquencia ou cirurgia aberta?

Raramente é necessário indicar a cirurgia para pacientes com fascite plantar, tanto porque as medidas conservadoras e a terapia de ondas de choque somadas resolvem a grande maior dos casos, quanto porque os resultados cirúrgico são insatisfatórios, podendo apresentar outras complicações. Entenda, a fáscia plantar é fundamentar para manter a concavidade do arco plantar, quando esta é cortada, ele pode desabar levando a deformidades de pé plano (“pé chato”), ou na ressecção parcial, sobrecarga da parte íntegra.

A radiofrequência é uma técnica minimamente invasiva onde inativa-se o nervo sensitivo que sente a dor no local. Assim, por essa técnica, é possível preservar a fáscia retirando a dor.

Uma doença que pode ser confundida com a fascite plantar ou estar associada é a neuropatia ou síndrome de Baxter. Doença esta que ocorre a compressão de um ramo nervoso próximo ao local da dor da fáscia plantar. O tratamento nessa situação é semelhante ao da fascite, mas nesse caso a cirurgia aberta ou a radiofrequência podem ser indicadas com maior frequência, com bons resultados.

12. Conclusão

Como vimos, a fascite plantar tem cura, mas muitas vezes pode ser realmente incapacitante. Assim, o acompanhamento com um ortopedista pode ser necessário. Hoje temos uma infinidade de terapias para o tratamento da doença, mas soluções mais antigas como a infiltração com corticoide e a cirurgia aberta estão caindo em desuso.

Espero que tenha ajudado no tratamento desta doença tão prevalente, se ficou com alguma dúvida ou gostaria de fazer alguma sugestão escreva abaixo nos comentários. Se necessitar agendar uma consulta atendo em Alphaville, Higienópolis e Itaim Bibi / Jardins.

13. Referências

-causas e sintomas (em inglês)

-diagnostico e tratamento (em inglês)

-fascite plantar e terapia de ondas de choque (em inglês)

-fascite plantar e terapia de ondas de choque – evidência científica

-relação da fascite plantar e o esporão

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