Fraturas e luxações da mão e punho


Índice

1. Fraturas e luxações da mão e do punho
2. Anatomia da mão e do punho
3. Diagnóstico e exames
4. Tratamento das luxações da mão e do punho
5. Tratamento das fraturas da mão e do punho
6. Recuperação das fraturas e luxações da mão e punho
7. Complicações das luxações e fraturas do punho e da mão
8. Conclusão
9. Referências

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1. Fraturas e luxações da mão e do punho

A mão é o principal órgão que permite a interação do ser humano com o ambiente externo, o pleno funcionamento das mãos é fundamental para que as pessoas consigam exercer suas atividades no trabalho, no dia a dia, hobbies e atividades esportivas. Ocasiões em que perdemos sua funcionalidade, o prejuízo ao indivíduo não é apenas físico, mas principalmente emocional, pois a incapacidade de realizar suas atividades desencadeia uma sucessão de anseios no paciente.

É uma estrutura delicada, quando comparada aos outros segmentos ortopédicos, com pequenos ossos, articulações, ligamentos, tendões, artérias, veias e nervos. Os ossos têm a função de servir de base firme para o pleno funcionamento das partes moles, estruturas delicadas citadas anteriormente, como ligamentos, tendões, nervos e vasos sanguíneos.

O cuidado com as partes moles na região da mão é mais importante do que em qualquer outro segmento corporal, pois a falta de cuidado, falta de mobilidade precoce e a própria gravidade do trauma, pode levar a fibrose e aderências, formadas por tecido cicatricial pode levar à rigidez e limitação dos movimentos.

Como vemos, a mão está particularmente exposta a traumas e apresenta fragilidade maior quando comparada aos outros ossos do corpo, favorecendo ao acontecimento de fraturas e luxações com maior frequência. As fraturas na região do punho e mão estão entre as mais comuns do corpo humano.

Ninguém está livre de quebrar um dia a mão. Isso pode incluir pessoas que realizam atividades manuais como trabalhos de marcenaria, artes plásticas e construção civil, pessoas envolvidas com atividades esportivas, principalmente esportes de contato, como lutas (trauma direto ou torção em kimono), esportes coletivos (principalmente goleiros e jogadores de basquete e vôlei), mas ainda pessoas com traumas corriqueiros em atividades em casa ou na rua (como quedas ou esmagamento em portas).

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Desvio da fratura da base do primeiro metacarpo

2. Anatomia da mão e do punho

A região do punho é composta pela articulação do rádio e da ulna e os oito ossos do carpo:

– Escafoide,
– Semilunar,
– Capitato,
– Hamato,
– Trapézio,
– Trapezóide,
– Piramidal,
– Pisiforme.

A mão é composta, basicamente, por 5 metacarpos (01 para cada dedo) e 14 falanges (02 no polegar e 03 para os demais).

As fraturas mais comuns são dos metacarpos, falanges e do escafóide, e as luxações mais comuns ocorrem nas articulações entre as falanges (interfalangeanas) e metacarpos (metacarpofalangeanas), já as luxações localizadas na região do carpo são mais raras.

3. Diagnóstico e exames

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Avaliação clínica das fraturas das falanges da mão

O diagnóstico desses pacientes, na maioria das vezes, pode ser feito com uma história e exame físico adequados e radiografias do segmento afetado. No exame físico, vamos avaliar a presença de deformidades, limitações do movimento, ferimentos e lesões de outras estruturas, como tendões, nervos e vasos sanguíneos.

A radiografia é um exame inicial básico para o diagnóstico de traumas na região da mão e do punho, ela permite a avaliação das estruturas ósseas e congruência da articulação. Alguns casos específicos, principalmente de lesões na região do carpo, pode se indicar a realização de tomografia e ressonância magnética, pois podem existir fraturas ocultas nessa região, principalmente no osso escafoide.

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4. Tratamento das luxações da mão e do punho

A luxação, também conhecida popularmente como deslocamento, acontece quando a articulação perde a sua congruência, com um osso desviando em relação ao outro. Ela causa espanto e preocupação muito grandes aos pacientes, pois a dor é intensa e o paciente costuma ter alguma deformidade. A luxação é considerada como uma urgência na ortopedia, devendo ser reduzida o mais rapidamente possível, por um médico.

É importante que, antes ser colocada no lugar, ela deve ser avaliada por um ortopedista, pois muitas vezes existem fraturas ósseas associadas que podem modificar a conduta do tratamento. Da mesma forma, é importante que a colocação do osso no lugar seja realizada por um médico ortopedista, pois algumas vezes, algum ligamento ou tendão pode ficar entre os ossos na hora de colocar no lugar, e isto é muito mais comum quando realizado com técnica inadequada.

O tratamento conservador é indicado para os pacientes que obtiveram uma redução satisfatória da luxação após a manobra de redução (colocação no lugar) e apresentam estabilidade adequada na articulação. Após a redução é indicada a imobilização temporária para a plena cicatrização dos ligamentos e tendões, períodos longos de imobilização devem ser evitados para que não ocorra rigidez articular. Ainda assim, existem algumas exceções para se indicar o tratamento cirúrgico, como algumas luxações do carpo e do polegar, que deve ser avaliada com cautela, por um especialista.

O tratamento cirúrgico é indicado nos casos onde existem fraturas associadas, tecidos interpostos na articulação e lesões instáveis, onde a articulação tende a sair do lugar novamente mesmo quando colocada de forma adequada no lugar.

5. Tratamento das fraturas da mão e do punho

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Cirurgia para fratura do metacarpo com parafusos

A indicação do tratamento das fraturas na região da mão e do punho vai depender da característica da fratura (deslocamento entre fragmentos, número fragmentos, entre outros), mão dominante ou não, expectativas e demandas do paciente, idade, luxações ou lesões de partes moles associadas.

A grande maioria dos pacientes apresenta características suficientes para se indicar o tratamento conservador com imobilizações. É importante o segmento do caso após a imobilização, pois as fraturas podem novamente desviar e em pacientes pediátricos, podem apresentar deformidades tardias com o crescimento dos ossos.

O tratamento cirúrgico pode ser realizado com a colocação de placas e parafusos ou a fixação com com fios de aço ou titânio. Cada um com suas indicações, vantagens e desvantagens.

As placas e parafusos permitem uma mobilidade mais precoce e uma redução mais anatômica em fraturas mais graves, por outro lado, é necessária uma incisão (corte) maior na pele e partes moles o que pode levar a formação de fibrose e tecido cicatricial. Assim, a avaliação por um ortopedista qualificado é fundamental para escolha do melhor tratamento.

6. Recuperação das fraturas e luxações da mão e punho

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Cirurgia para fratura do quinto metacarpo com fio de kirshner

No caso das luxações, a cicatrização demora aproximadamente 3 semanas, quando não há lesão de tendões ou nervos. As fraturas das falanges e metacarpos tendem a consolidar entre 3 e 6 semanas, mas podem eventualmente demorar mais em casos graves ou de doenças como diabetes e hábitos como o tabagismo. As fraturas na região do carpo podem demorar mais para consolidar, principalmente no osso escafóide, que pode chegar a demorar até 4 meses dependendo das características da lesão e do paciente.

A fisioterapia e terapia ocupacional são fundamentais para a recuperação adequada e a colocação de imobilizações pode interferir no tempo do início terapia. Mesmo assim, os pacientes que são imobilizados foram submetidos a tratamentos menos invasivos, com risco um pouco menor da formação de fibrose.

7. Complicações das luxações e fraturas do punho e da mão

As complicações são variáveis, desde uma pequena rigidez ou limitação de uma articulação, até deformidades permanentes (consolidação viciosa), pseudoartrose (fratura não consolidada), infecção, amputações, entre outros. A ocorrência destas, depende de:

– Fatores do próprio indivíduo, como diabetes, cigarro e outras doenças e hábitos,
– Gravidade do trauma, como fraturas multifragmentares, lesão da cartilagem articular, ligamentos, tendões, nervos e vasos sanguíneos,
– Indicação e tratamento adequado por parte do médico,
– Reabilitação adequada, realizada com fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional
– Colaboração do paciente

8. Conclusão

Como vimos anteriormente, as lesões traumáticas na mão, apesar de serem lesões pequenas quando comparadas aos outros segmentos corporais, quando não tratadas de forma adequada, podem levar a uma série de complicações futuras, que podem levar não só há um prejuízo funcional, como também emocional, interferindo diretamente na qualidade de vida dos pacientes.

Se você gostou do artigo, ficou com alguma dúvida ou gostaria de sugerir algum tema, escreva nos comentários abaixo, e se você teve algum tipo de fratura ou outra lesão traumática e gostaria de agendar uma consulta entre em contato com a clínica e agende uma consulta com Dr. Oliver Ulson, ficarei feliz em poder ajudar.

9. Referências:

–Fraturas na Mão

–Fraturas no Pulho

–Fraturas no Rádio Distal

–Fratura de Punoh: sintomas e causas