Ligamento Cruzado Anterior: dúvidas frequentes

É bem verdade que atletas e pessoas que praticam esportes de maneira mais assídua e intensa são os maiores alvos de uma ruptura no Ligamento Cruzado Anterior. Afinal, são eles que exigem mais do joelho com movimentos bruscos de giro e mudanças de direção durante suas atividades.

No entanto, ninguém está de livre de ser acometido por uma lesão deste tipo, ao sofrer um acidente doméstico ou “dar um mau jeito” no escritório, por exemplo.

Mas, independentemente se o indivíduo tem ou não à disposição um departamento médico composto por ortopedistas, fisioterapeutas e afins – que é o caso de atletas profissionais – elencamos neste artigo uma série de dúvidas que podem surgir ao primeiro sinal de que é preciso procurar um especialista, pois há algo errado com esse pequeno tecido fibroso localizado no interior do joelho.

Cas oqueira fsaber mais sobra quais são as funções do LCa, os fatores de risco e o mecanismo de ruptura, além dos sintomas sentidos quando ocrre a lesão e como é feito o seu diagnóstico, clique aqui e veja aqui em nosso artigo publicado anteriormente.

Confirmada a lesão, cirurgia é a única opção de tratamento?

A cirurgia é a opção mais indicada para a maioria dos pacientes com ruptura do Ligamento Cruzado Anterior – principalmente no caso dos atletas – mas não é a única. Há ainda o tratamento com exercícios fisioterápicos.

Mas para definir o método de tratamento mais adequado, o ortopedista leva em consideração uma série de fatores. Entre eles, idade e profissão do paciente, frequência e intensidade da prática de atividades físicas, sintomas remanescentes e presença de lesões associadas.
A instabilidade causada pela a ausência do ligamento cruzado, pode levar a longo prazo ao desgaste de outras estruturas do joelho, como meniscos e cartilagem articular, sendo a opção cirúrgica a mais indicada em pacientes ativos e jovens, com lesões totais.

Outro ponto levado em consideração também é como o paciente reagiu à lesão. Por isto, são definidas três categorias na quais ele pode ser enquadrado:
– Paciente compensante: aquele que conseguiu compensar a lesão parcial, com dores e instabilidade dentro de um nível razoável.
– Paciente adaptável: o que sente instabilidade e dor apenas em poucas ocasiões e não apresenta lesões associadas.
– Paciente não-compensante: são os que não puderam compensar o trauma e ainda sofrem com instabilidade, limitação de movimentos e atividades, além de perda funcional.

Para os pacientes que se enquadram nos dois primeiros casos, o tratamento conservador, com fisioterapia, é o indicado. As sessões, que duram de 45 minutos a duas horas, podem começar já no dia da lesão.

E os exercícios mais recomendados são bicicleta ergométrica; compressas de gelo durante o repouso; mobilização do osso patelar; eletroterapia com ultrassom ou TENS (neuroestimulação elétrica transcutânea); repetidos movimentos de flexão do joelho e alongamentos; isometria (técnica de contração muscular); e agachamento e leg press. Veja aqui quais as opções para tratamentos não-cirurgicos.

Mas se o paciente for do tipo não-compensante, o ideal é optar pela intervenção cirúrgica. Já há alguns anos, a artroscopia vem sendo o procedimento mais difundido entre os ortopedistas no Brasil, por ser eficaz, de rápida recuperação e pouco invasiva, já que necessita apenas de pequenos cortes para cumprir sua finalidade: substituir o Ligamento Cruzado Anterior lesionado por um enxerto de tendões que, geralmente, são retirados do próprio paciente.

Ao longo da reabilitação, o enxerto vai adquirindo, gradual e naturalmente, propriedades parecidas com as de um ligamento de verdade. Clique aqui para saber mais sobre a cirurgia para corrigir a ruptura do LCA.

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TENS sendo aplicado no Joelho

Devo realizar exercícios de fisioterapia no pós-operatório?

No pós-operatório é fundamental que o paciente tome alguns cuidados, como, por exemplo, fazer compressas de gelo várias vezes durante o dia; evitar colocar almofadas ou travesseiros na parte posterior da coxa (atrás do joelho) para que o movimento de extensão completa da articulação não seja afetado futuramente; e usar bengala ou muleta para poupar o joelho.

Além disto, é indispensável também realizar exercícios de fisioterapia para o alívio da dor; a redução do edema; a retomada dos movimentos; e o restabelecimento da força da articulação.

Para tanto, são recomendados treinamento para fortalecimento dos músculos de quadril, joelho e tornozelo e a eletrotermofototerapia – procedimento com aparelhos como ultrassom, TENS, ondas curtas e laser. Se seguidas as orientações médicas, a expectativa é que o paciente já possa caminhar sem o auxílio de muletas dentro de um período de 30 dias.

Quando posso retomar as práticas esportivas após a cirurgia?

Já para voltar às práticas esportivas, o paciente precisará esperar um pouco mais. Estima-se que o retorno aconteça, com todos os cuidados, em seis, sete, oito ou até nove meses. Tudo vai depender do tipo de esporte e da disciplina da pessoa quanto aos exercícios de fisioterapia no pós-operatório e à resposta da articulação à cirurgia.
A partir da realização de uma série de testes específicos, são levados em consideração fatores como a ausência de dor local durante atividades intensas e condição funcional atual da perna operada, que deve assemelhar-se à da perna saudável.
Habitualmente os pacientes conseguem voltar à corrida com 3 a 4 meses de pós operatório e com realização adequada da fisioterapia. Esportes de contato e com rotação, são preferencialmente iniciados entre 6 e 9 meses, contato que cumpram os critérios de função para retorno ao esporte. O retorno antes da hora pode levar à uma nova ruptura precoce ou afrouxamento do ligamento.

Conclusão

O Ligamento Cruzado Anterior é um pequeno tecido formado por fibras de colágeno responsável por inúmeras funções, entre elas ligar o osso da coxa (fêmur) e o da perna (tíbia), impedindo que eles se desalinhem entre si. Por ser demasiadamente delicado e exigido – principalmente no caso de atletas – é altamente suscetível a lesões.

A mais comum delas é a ruptura, que pode ser parcial (quando apenas uma banda é rompida) ou total (quando são rompidas as duas bandas). O tratamento pode ser conservador com fisioterapia ou cirúrgico. E a opção do médico vai depender de uma série de fatores, como, por exemplo, idade e profissão do paciente.
Se a escolha for pela cirurgia, a técnica mais usada atualmente é a artroscopia, que é a menos invasiva. No pós-operatório, o paciente deve ser disciplinado quanto aos exercícios fisioterápicos e tomar alguns cuidados para que o retorno às atividades cotidianos fique dentro da média dos pacientes de lesão no Ligamento Cruzado Anterior. Estima-se que a pessoa volte a caminhar sem o auxílio de muletas entre 30 e 45 dias, enquanto o retorno aos esportes acontece entre seis e nove meses.

Referências em inglês:

-Recuperação de cirurgia de LCA

-7 dicas para recureçaão de cirurgia de joelho

-Pós-operatório de cirurgia de LCA

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