Lesão do Ligamento Colateral Medial


Índice

1. Lesões do Ligamento Colateral Medial
2. Anatomia do Ligamento Colateral Medial
3. Mecanismo de Trauma do Ligamento Colateral Medial
4. Avaliação Clínica
5. Tratamento – ligamento colateral medial do joelho
6. Lesão crônica – Reconstrução do ligamento colateral medial do joelho
7. Conclusão
8. Referência

1. Lesões do Ligamento Colateral Medial (LCM)

O ligamento colateral tibial (colateral medial) , é o principal estabilizador da face interna do joelho (medial). Ele proporciona estabilidade em valgo (joelho é forçado para dentro) e é um dos ligamentos mais comumente lesionados nesta articulação, felizmente a grande maioria das vezes, seu tratamento é de forma não cirúrgica.


2. Anatomia do Ligamento Colateral Medial

Anatomia-da-regiao-medial-do-joelho

A região interna (medial) do joelho possui três camadas de tecidos: a profunda (camada III), a intermediária (II) e a superficial (I). O ligamento colateral medial é a estrutura dominante nessa região do joelho. Ele conecta os ossos do fêmur e da tíbia, possuindo uma porção superficial (camada II) e uma profunda (camada III).

A principal parte do ligamento é a sua porção superficial, respondendo por 57% da estabilidade em valgo com 5 graus de flexão do joelho e 78% da estabilidade com 20 graus de flexão.

3. Mecanismo de Trauma do Ligamento Colateral Medial

Mudancas-de-posicao-do-ligamento-colateral-medial

As lesões do LCM podem ocorrer por traumas diretos, indiretos ou combinados. O mais comum ocorre quando o joelho é forçado para dentro (estresse em valgo), e o fêmur roda internamente em relação a tíbia, quando essa está fixa ao chão, com aproximadamente 30 graus de flexão do joelho ou além.

As lesões ocorrem mais comumente em esportes de contato e que realizam movimentos de pivô e rotação do corpo, como futebol, basquete, handebol e lutas.

4. Avaliação Clínica

O mecanismo de trauma gera alta suspeita clínica para lesão do ligamento colateral medial, e o exame físico permite direcionar o diagnóstico e tratamento. Os pacientes habitualmente referem desconforto, dor e inchaço na parte interna do joelho, podendo ser local ou difusa. É necessário a realização do teste de estresse em valgo, com joelho em extensão e 30 graus de flexão, visando avaliar a integridade do ligamento colateral tibial e da cápsula póstero medial, outra importante estrutura da região interna do joelho.

Teste-do-estresse-em-valgo-para-testar-o-ligamento-colateral-medial

Classificação

A lesão pode ser classificada em três graus, quando realizados os testes acima (estresse em valgo 0º e 30º de flexão):

Grau I – estiramento do ligamento colateral medial com abertura medial da articulação entre 0 e 5 mm.

Grau II – abertura medial entre 5 e 10 mm.

Grau III – abertura medial maior que 10 mm.

Exames complementares

Os dois principais exames que são utilizados na avaliação dos pacientes com suspeita de lesão do ligamento colateral medial são a radiografia e a ressonância magnética.

– Radiografia: solicitados os exames na incidência de frente, perfil e axial de patela; procurando identificar incongruências ósseas avulsões e fraturas osteocondrais (osso + cartilagem). Eventualmente podem ser indicadas radiografias com stress visando avaliar aberturas anormais da articulação.

– Ressonância magnética: exame de escolha e padrão-ouro para avaliar e quantificar a ruptura do LCM. A ressonância magnética também permite identificar lesões associadas, comumente encontradas em lesões grau III como, dos outros ligamentos (ligamento colateral lateral, ligamento cruzado anterior e ligamento cruzado posterior), meniscos e do mecanismo extensor do joelho.

5. Tratamento – ligamento colateral medial do joelho

Graus-de-lesao-do-ligamento-colateral-medial

O tratamento da lesão ligamento colateral medial é baseado na sua gravidade:

– Grau I – o grau I é considerado um entorse do ligamento com estiramento de suas fibras mas mantendo a integridade do mesmo, desta forma, a recuperação costuma ser mais rápida. O paciente deve evitar esforços no joelho lesionado, realizar crioterapia (gelo local), medicações analgésicas e eventualmente fisioterapia. O imobilizador removível do tipo Brace, pode ser utilizado no quadro inicial a fim de minimizar a dor e desconforto. O imobilizador pode e deve ser removido para realização de fisioterapia quando indicada.

– Grau II – no grau II ocorre uma lesão parcial do ligamento e estiramento do remanescente do mesmo, dessa forma, a recuperação e reabilitação se faz de forma mais demorada. Nestes casos, o tratamento segue de forma semelhante a lesão grau I, em relação ao gelo, repouso e analgésicos. O que irá mudar no grau II é um período mais prolongado de imobilização com o Brace, e protocolo de fisioterapia individualizado.

– Grau III – neste estágio de lesão, ocorre uma lesão total do ligamento colateral medial e eventualmente de outras estruturas que estabilizam de forma secundária a região interna do joelho.

Podem incluir, como comentado anteriormente, lesões dos ligamentos cruzado anterior, ligamento cruzado posterior e do canto póstero-medial, as lesões do ligamento colateral lateral e canto posterolateral, são menos frequentes nesses casos.

Existe certa controvérsia e particularidades em relação ao tratamento cirúrgico ou conservador nas lesões grau III, entretanto, pode ser simplificada da seguinte forma: lesões isoladas sem instabilidade rotatória, o tratamento optado é o conservador com uso do imobilizador por períodos de seis a oito semanas; quando existe a presença de lesões associadas, ou instabilidade rotatória, fraturas por avulsão óssea ou interposição dificultando a cicatrização ligamentar, pode ser indicado o tratamento cirúrgico.

6. Lesão crônica – Reconstrução do ligamento colateral medial do joelho

Alguns pacientes persistem com dor mesmo após a realização, de forma adequada, do tratamento conservador. Esses pacientes podem referir dois principais sintomas: dor e instabilidade (falseio). Quando o paciente apresenta um joelho instável, referido pela queixa e exame físico do paciente, deve-se pensar no tratamento cirúrgico, visando a reconstrução do ligamento colateral medial do joelho e tratamento de lesões associadas.

Os casos onde o paciente persiste com dor crônica sem instabilidade referida ou identificada ao exame físico, procura-se tentar o tratamento com fisioterapia, acupuntura e analgesia. Algumas terapias em desenvolvimento e estudo para a indicação nas lesões crônicas do ligamento colateral medial são a infiltração com ácido hialurônico e terapia de onda de choque. Todas elas com resultados promissores mas ainda em estudo, até o presente momento.

7. Conclusão

Como discutido anteriormente, a lesão ligamento colateral tibial apresenta alta prevalência, principalmente em esportes de contato, mas felizmente a minoria dos pacientes tem necessidade de realizar um tratamento cirúrgico. O diagnóstico precoce e conduta adequada são fundamentais para um bom desfecho destes pacientes.

8. Referência

–Lesões do LCM: o que saber (em inglês)

–Ligamento Colateral Medial(em inglês)

–Lesões do LCM (em inglês)