
Lesões longitudinais e lesões em alça de balde: Entenda o que são, como surgem e como tratar
O tema desse artigo é um dos mais importantes: as lesões longitudinais e as lesões em alça de balde.
Esses são os tipos de lesões de menisco que mais preocupam quando pensamos em instabilidade, travamento do joelho e necessidade de cirurgia.
Se você foi diagnosticado com uma dessas lesões, ou viu esses nomes no laudo da sua ressonância e ficou sem entender direito, fica até o fim. Hoje vamos te explicar o que essas lesões significam, como elas aparecem, o que causam no joelho e como tratamos, com ou sem cirurgia.
O que é o menisco e qual sua função
O menisco, como já falamos nos artigos anteriores sobre esse tema, é uma estrutura em forma de meia-lua que fica entre os ossos do fêmur e da tíbia.
Ele funciona como um coxim, protegendo a cartilagem e, assim, distribuindo a carga no joelho.
O que são as lesões longitudinais
As lesões longitudinais são rupturas que acompanham o formato natural do menisco.
Elas se formam paralelas às fibras circulares, como se abríssemos uma fenda ao longo do arco do menisco. Exatamente como você vê nesta imagem, apontada pela seta vermelha:

O que é a lesão em alça de balde
Quando essa lesão longitudinal aumenta e a borda interna do menisco fica solta, mantendo-se presa ao restante apenas nas pontas, chamamos de lesão em alça de balde.

O grande problema dessa lesão é que ela é muito instável e pode se deslocar para o centro do joelho, sendo chamada de lesão em alça de balde luxada.
Esse nome vem justamente da imagem da alça de um balde tombando para dentro da articulação.
Esse fragmento deslocado funciona como um “calço de porta” entre os ossos, assim, impedindo que o joelho dobre ou estique completamente.
Como identificar essas lesões na ressonância magnética
Agora vamos mostrar como visualizamos essas lesões na ressonância. Depois mostraremos a visão por dentro do joelho e, por fim, sobre o tratamento.
Aqui, olhando de cima, está marcado em vermelho o contorno do menisco. Como você viu antes, o menisco deveria estar no contorno externo do joelho, mas aqui ele está totalmente deslocado para o meio:

Aqui você consegue ver o menisco luxado olhando de frente:



Aquele risco ou bolinha preta com a seta amarela apontando não era pra estar ali. Compare com o menisco do outro lado, indicado pela seta vermelha.
Agora olhando de lado, vemos o famoso sinal do duplo LCP. O ligamento cruzado posterior aparece mais acima (seta vermelha) e o menisco luxado abaixo (seta amarela). Veja:

Como é a lesão vista pela artroscopia
Aqui, pela artroscopia, você consegue ver como o joelho fica por dentro com esse tipo de lesão. Repare como o menisco foi para o meio do joelho, na frente dos cruzados.
E quando olhamos onde o menisco deveria estar, percebemos que quase não há menisco no local. Veja:


Alça de balde luxada
Por que a lesão em alça de balde acontece
As alças de balde luxadas geralmente acontecem por trauma, por exemplo, uma torção, movimento brusco ou entorse esportiva.
É mais comum em jovens ativos, especialmente em esportes que exigem mudança de direção, salto e giro do corpo com o pé fixo no chão, como lutas e esportes coletivos.
Entretanto, também pode acontecer em adultos, principalmente se o menisco já estiver enfraquecido ou degenerado.
Além disso, é muito importe entender que a lesão em alça de balde luxada, ou seja, deslocada para o meio do joelho, é considerada uma urgência ortopédica.
Quando o joelho trava (fica bloqueado em flexão e o paciente não consegue esticar totalmente), isso significa que o fragmento deslocado está preso entre os ossos. E, se não for operado a tempo, esse fragmento começa a ser esmagado, sofre necrose e depois não dá mais para suturar.
Por isso, se você está com o joelho travado, ou conhece alguém assim após uma entorse, procure um ortopedista o quanto antes.
Tratamento: operar ou não operar?
Dependendo de alguns fatores, podemos pensar em operar ou não operar. E, dentro das opções cirúrgicas, avaliamos entre meniscectomia e sutura meniscal.
Quando pegamos uma lesão maior cedo, em um paciente jovem, sem artrose e com fragmento viável, a melhor opção é a sutura meniscal.
Como você consegue ver nesse exemplo:

Sutura all inside de lesão em alça de balde do menisco

No começo você vê a alça de balde luxada para o meio do joelho. Em seguida, eu a recoloco no lugar correto.
Como você está vendo na imagem, suturamos a lesão e fixamos o menisco de volta à posição original. Depois, é necessário dar vários pontos, porque essa lesão é grande. Por fim, você consegue ver o menisco totalmente suturado e de volta ao lugar.
Tudo isso é feito por artroscopia, com técnicas modernas e materiais de última geração. E a chance de cicatrização é excelente nesses casos.
As lesões longitudinais verticais agudas são, teoricamente, as melhores para suturar, elas têm a maior taxa de cicatrização.
Pós-operatório da sutura meniscal
O pós-operatório exige mais cuidado do que apenas retirar uma parte do menisco. O paciente precisa usar muletas e imobilização, não pode pisar com a perna operada nas primeiras semanas e segue um protocolo específico de reabilitação.
Mas o benefício é enorme: preservamos a estrutura do menisco e protegemos o joelho no longo prazo.
Quando a sutura não é possível
Entretanto, se a lesão for antiga, degenerada ou com fragmento frágil, a sutura pode não ser possível.
Nesses casos, pode ser necessária uma meniscectomia parcial, retirando apenas o pedaço solto e preservando o restante saudável.
Clique aqui e veja o vídeo do meniscectomia lesão complexa com flap
Nesse vídeo, você consegue ver o uso da lâmina de shaver para remover a parte danificada, seguido da regularização e cauterização do restante com ponteira de radiofrequência.
Entendendo por que tratar cedo é necessário
Quanto mais cedo tratamos uma lesão, maior a chance de conseguir suturar. Por isso, não ignore dor, travamento ou bloqueio de movimento.
Muita gente fica semanas travado achando que vai melhorar sozinho, e quando chega para operar, o menisco já está perdido.
O bloqueio pode até melhorar, mas só porque o menisco se desfez e parou de travar.
Critérios para tratar sem cirurgia
Lesões longitudinais maiores, com ou sem alça de balde, seguem o mesmo raciocínio. No entanto, na alça de balde luxada, precisamos operar o mais rápido possível. Não é aconselhado esperar semanas.
A primeira situação é quando a lesão é periférica, pequena e ocorre em um joelho estável. A circulação do menisco vem de fora para dentro, então quanto mais externa a lesão, maior a chance de cicatrizar, com ou sem cirurgia.
Um joelho estável é aquele sem lesões ligamentares e sem desalinhamentos que forcem o menisco machucado, como pernas arqueadas.
Por isso, se a lesão for pequena e respeitar esses critérios, ela tem chance de cicatrizar bem sem cirurgia, com repouso adequado, fisioterapia progressiva e técnicas que estimulem a cicatrização.
Mas é importante que o paciente colabore. Portanto, se ficar forçando errado, a lesão pode aumentar e evoluir para uma alça de balde.
A importância do acompanhamento
É essencial uma avaliação individualizada e acompanhamento do caso. Não é porque não vai operar de imediato que o problema está resolvido.
E vale reforçar: sutura parece rápida no vídeo porque foi editada. Na prática, não é todo mundo que sabe fazer bem esse tipo de cirurgia.
Por isso, é muito importante escolher um médico experiente em artroscopia de joelho e atualizado.
E tudo depende do perfil clínico, exame físico, exames de imagem e da conversa com um especialista que entenda não só de anatomia, mas da vida real do paciente.do bem ind correta do seu caso e uma cirurgia segura e bem realizada. É por isso que a gente ainda vê muitas pessoas que fazem tudo certo e, ainda assim, têm um resultado ruim.meu blog.
O Dr. Oliver Ulson é médico ortopedista, especialista em cirurgia do joelho, professor, mestre e doutorando na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Além disso, ele realiza também atendimentos em seu consultório particular em São Paulo e por telemedicina.



