Os principais medicamentos para formigamento, dormência e queimação

Se você sente queimação, ardência, formigamento ou perda de sensibilidade nos pés ou nas mãos e precisa de medicamentos, este artigo é para você. Esses sintomas são frequentemente associados a um problema nos nervos, conhecido como neuropatia periférica.

Neste artigo, baseado no meu vídeo do YouTube, eu explico mais sobre como é feito o tratamento para aliviar esses sintomas e proporcionar mais conforto ao paciente. Boa leitura!

Por que o formigamento, dormência ou queimação ocorre?

Esses sintomas geralmente surgem devido a algum problema presente nos nervos periféricos, responsáveis por transmitir as sensações do nosso corpo para o cérebro, mandando de volta o comando do cérebro para os músculos e dando movimento a eles.  

Caso o nervo apresente algum problema, pode haver uma alteração na sensibilidade. Por exemplo, um toque suave pode ser percebido como dor ou queimação, ou pode haver sensação de dormência.

Alguns dos principais fatores que causam a neuropatia são o diabetes e alguma compressão de algum nervo, como, por exemplo, hérnia de disco, a dor do nervo ciático e a síndrome do túnel do carpo.  

Contudo, existem casos em que as neuropatias ocorrem devido ao consumo de bebidas alcoólicas, ao uso de certos medicamentos, como os utilizados na quimioterapia, e outras condições. Além disso, a deficiência de algumas vitaminas pode agravar o quadro. 

Como é possível tratar estes sintomas?

Existem alguns medicamentos que podem atuar como complexos vitamínicos para melhorar a função dos nervos e transmissão dos impulsos nervosos. Além disso, pode-se indicar também analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a dor e a inflamação associadas a problemas nesses nervos.

Geralmente a neuropatia periférica acontece como uma consequência de um outro problema, assim, o essencial é primeiro tratar essa causa. As classes de remédios que podem ajudar na condição são a Gabapentina e Pregabalina

Entenda sobre a Gabapentina e a Pregabalina

Esses dois medicamentos são da classe dos gabapentinoides e foram desenvolvidos inicialmente para tratar convulsões. No entanto, estudos mostram a presença de outros benefícios para outras condições, sendo elas:

Como esses remédios agem na neuropatia? 

Se o paciente apresenta uma dor no pé, por exemplo, o estímulo vai para o cérebro pelos nervos. Dessa forma, os neurônios no cérebro interpretam esse estímulo e, em seguida, o cérebro envia outro estímulo por outros nervos para tentar controlar essa dor.

O funcionamento dessa transmissão do impulso nervoso e a comunicação entre os neurônios estão prejudicados, então tanto a pregabalina, como a gabapentina, vão agir equilibrando parte dessa função neurológica, diminuindo a percepção da dor, melhorando a dor neuropática, a sensação de queimação e formigamento. Esses medicamentos auxiliam também na melhora da dormência e da sensibilidade. 

No entanto, estes remédios falham em resolver todas as causas da neuropatia. Por isso, usamos alguns tipos de vitamina e outros remédios para ajudar a diminuir e prevenir crises agudas de dor neuropática.

Antidepressivos indicados para a dor neuropática

Os médicos indicam muitos antidepressivos para pacientes com dor neuropática porque, assim como os anticonvulsivantes, esses remédios modulam outros neurotransmissores relacionados com a depressão e a ansiedade, que estão desregulados nos nervos com neuropatia.

Os antidepressivos podem agir tanto na sensibilização periférica para a dor quanto também tratar a sensibilização central no cérebro. 

Os médicos indicam principalmente dois tipos de antidepressivos para neuropatia: os tricíclicos, como a amitriptilina, e os duais, como a duloxetina.

Nem sempre encontramos o medicamento ideal para cada paciente de imediato. Por isso, é um processo de tentativa e erro, considerando os principais efeitos colaterais de cada opção e observando a resposta individualmente.

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Quais os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos para a dor neuropática?

A duloxetina pode afetar o sono e o apetite, já a amitriptilina, a pregabalina e a gabapentina, costumam causar mais sono e aumentar o apetite. 

A gabapentina e a amitriptilina são dois remédios muito baratos e facilmente encontrados pelo SUS. Indica-se esses dois medicamentos pela facilidade ao acesso. Já a pregabalina e a duloxetina já são mais caros, então se tornam medicamentos mais difíceis. 

Ao contrário dos analgésicos e anti-inflamatórios comuns, esses medicamentos não possuem dose padrão e seu efeito terapêutico leva tempo para se manifestar. Então, é preciso começar com uma dose baixa, aumentando gradativamente conforme a tolerância do paciente. Isso requer paciência, pois às vezes pode demorar de 2 a 4 semanas para o efeito esperado. 

Se o paciente apresenta algum efeito colateral, mesmo com uma dose mais baixa, ou se uma dose mais alta não está fazendo efeito, é possível associar alguma dessas medicações com outra, como a pregabalina com duloxetina, por exemplo. 

Nos casos de dores intensas e agudas, quais os melhores medicamentos? 

Uma neurite – também conhecida como nervo inflamado – pode causar uma dor mais intensa, especialmente em casos de compressão do nervo ciático. Para essa situação, é comum indicarmos algum tipo de anti-inflamatório ou analgésico para ajudar a controlar a dor. 

Para os meus pacientes, costumo prescrever um anti-inflamatório nos primeiros dias, como um dexa-citoneurin ou diprospan, corticoides injetáveis bem potentes, e, às vezes, Alginac 1000 ou outro anti-inflamatório convencional, para tomar por cinco dias no máximo.

Contudo, se for uma dor neuropática que não tem compressão, como o diabetes, é preciso evitar esses anti-inflamatórios. Nesses casos, é melhor um analgésico como a dipirona ou paracetamol, junto com um opioide, como o tramadol, a oxicodona ou o restiva. Recomenda-se também esses medicamentos para crises de ciático.

Vale ressaltar a importância de manter a atenção para os medicamentos opioides, já que o uso contínuo pode causar vício. Além disso, é indispensável que o paciente tenha acompanhamento profissional durante todo o tratamento, evitando automedicar-se.

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Medicamentos com efeitos anestésicos, como lidocaína e os que são feitos de capsaicina

A lidocaína é um anestésico local utilizado para suturas na pele ou aplicação tópica em forma de creme. Ela é frequentemente usada em procedimentos estéticos, como aplicação de botox, ou em procedimentos odontológicos, como extração de dentes. Já a capsaicina é a substância responsável pela sensação de ardência na boca ao consumir pimenta, sendo extraída diretamente da planta. 

A lidocaína e a capsaicina apresentam mecanismos de ação diferentes na captação do estímulo doloroso, mas a finalidade é bem parecida. Ambas são indicadas para a dor, mas não ajudam a dormência nessa região da pele. As diferenças delas são:

  • A lidocaína tem um pouco de desvantagem, porque ao remover a dor, na medida que ela anestesia, ela diminui a sensibilidade da pele. Por isso não indicamos passar na mão e no pé.
  • A capsaicina diminui a dor de forma mais eficaz, embora reduza menos a sensibilidade. Recomenda-se usá-la tanto nos pés quanto nas mãos. No entanto, deve-se tomar cuidado ao aplicá-la, pois, ao provocar o ardor da pimenta, causa desconforto se entrar em contato com mucosas, como olhos ou boca. Além disso, é mais comum os pacientes apresentarem alergia a essa substância e irritação na pele.

Tanto a lidocaína quanto a capsaicina são úteis para quem tem uma neuropatia herpética, decorrente do Herpes Zoster. 

No Brasil, a lidocaína está disponível em creme e adesivo, enquanto a capsaicina geralmente é manipulada como creme. No exterior, a capsaicina também pode ser encontrada em adesivo.

As vitaminas essenciais para os nervos, especialmente B1, B6 e B12

As vitaminas podem ser encontradas de forma oral, sublingual e até injetável. As mais comuns são Citoneurin, Etna e Milgamma. Algumas também estão presentes em alguns anti-inflamatórios, como Dexa-Citoneurin e Alginac 1000, que podem ser prescritos para pacientes com dor no ciático.

As vitaminas são essenciais para os nervos e alguns pacientes precisam mais do que outros, principalmente da B12. Essa vitamina é mais frequentemente encontrada em alimentos de origem animal. Portanto, quem consome pouca carne, especialmente a vermelha, pode ter níveis mais baixos de vitamina B12.

Além disso, quem fez cirurgia de redução do estômago, ou seja, a cirurgia bariátrica, e quem faz uso de muitos medicamentos inibidores de bomba de próton para gastrite, como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, também não absorve direito a vitamina B12. 

Se o paciente não obtém vitamina B12 suficiente pela alimentação, mas consegue absorvê-la adequadamente, pode suplementar com um comprimido oral. Em casos em que a absorção de B12 é comprometida, tomar um comprimido oral pode não ser suficiente, então recomenda-se usar um suplemento sublingual ou optar pela administração via injeção. 

No caso de uma neuropatia diabética, onde existem toxicidade de vários radicais livres e produtos da glicose, é possível fazer o uso de outras vitaminas antioxidantes como a vitamina E, e o ácido alfa-lipóico, por exemplo. A suplementação de Etna, combinada pregabalina, também é bem indicada para dores neuropáticas.

Dores neuropáticas decorrentes de doenças autoimunes

Doenças autoimunes ocorrem quando as células de defesa do corpo atacam os próprios nervos. Nesses casos, os tratamentos mais modernos para a dor neuropática recorrente destas doenças envolvem imunoglobulinas e plasmaferese. No entanto, eles são mais invasivos e caros, sendo mais específicos da área de neurologia.

Os medicamentos à base de cannabis também têm mostrado bons resultados para várias condições, incluindo dor crônica e fibromialgia. Além disso, parecem ser uma opção promissora que está sendo cada vez mais estudada para o tratamento da dor neuropática.  

Algumas pesquisas têm estudado produtos que estimulam o Fator de Crescimento Nervoso.

Lembre-se de que essas doenças geralmente são crônicas, e acompanhar continuamente com um médico é fundamental para alcançar bons resultados.

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Para obter mais informações sobre medicamentos para formigamento, dormência e queimação, ou outros assuntos relacionados à ortopedia, consulte um médico especialista para uma orientação adequada. No meu canal no YouTube, eu abordo diversos sintomas que podem servir como um sinal de alerta, clique e acompanhe.

Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista, especialista em joelho e traumatologista. Realizo tratamentos medicamentosos, infiltrações e terapia com ondas de choque para o controle da dor. Comece já seu tratamento!

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