Osteomielite


Índice

1. O que é Osteomielite
2. Causas
3. Tipos e classificação
4. Sintomas de Osteomielite
5. Diagnóstico da Osteomielite
6. Osteomielite Tratamento
7. Complicações da Osteomielite
8. Referência

1. O que é Osteomielite?

O termo osteomielite (CID M86), se refere a infecção óssea que pode atingir a cortical, osso esponjoso e medular óssea, com manifestação aguda ou crônica. Pode ocorrer por uma disseminação sanguínea de bactérias, após cirurgias ou fraturas expostas. Os ossos mais afetados são o fêmur, a tíbia e o úmero.

A doença gera muita dúvida entre os pacientes, inclusive alguns acreditando que “a osteomielite é câncer no osso”. Como veremos adiante, essa afirmação é errada, mas ainda assim deve ser tratada com seriedade, pois é uma doença de difícil tratamento e pode evoluir com complicações futuras graves.

2. Causas

A doença ocorre mais frequentemente pela bactéria Staphylococcus Aureus, entretanto, pode ocorrer por outros microorganismos em menor frequência. O espectro de gravidade é extremamente amplo, com alguns pacientes apresentando cura da osteomielite, enquanto outros tratando por toda a sua vida a doença crônica.

A osteomielite pode afetar qualquer indivíduo, de crianças à idosos. Mesmo os pacientes que conseguem curar da doença, podem apresentar complicações sérias, principalmente no esqueleto em desenvolvimento, em crianças. Quanto mais novo o indivíduo, maior o risco de sequelas no desenvolvimento ósseo.

Como comentado anteriormente a osteomielite pode ocorrer como uma infecção pós cirurgia ortopédica ou decorrente da disseminação de microrganismos pela corrente sanguínea. A primeira situação é mais comum em pacientes adultos, enquanto a segunda situação é mais comum na população pediátrica, com a osteomielite hematogênica aguda.

3. Tipos e classificação

A doença pode ser classificada de diversas formas, como em relação ao tempo de duração e sintomas (osteomielite aguda / osteomielite crônica e osteomielite crônica agudizada), classificações específicas pelo aspecto radiográfico, classificação de um determinado tipo de osteomielite (para infecção pós operatória, para osteomielite hematogênica aguda ou para osteomielite crônica, p. ex.).

A mais difundida é a descrita por Cierny e Mader:

Região anatômica:

  1. Medular
  2. Superficial
  3. Focal
  4. Difusa

Condição clínica do paciente

A: paciente saudável

B: comprometimento local ou sistêmico

C: tratamento com mais morbidade que a doença

Classificacao-de-Cierny-e-Mader-Scielo

Classificação de Cierny e Mader – Scielo

4. Sintomas de Osteomielite

A osteomielite pode desencadear sinais e sintomas locais e sistêmicos (no organismo). Isso vai depender da agressividade da bactéria, gravidade do quadro e tempo de duração. Geralmente os pacientes com osteomielite aguda evoluem de um quadro com sinais e sintomas locais para um quadro sistêmico. Por outro lado, os pacientes com osteomielite crônica apresentam sinais locais apenas, mantendo-se bem clinicamente, por um longo período.

Os principais sintomas locais:

– dor

– inchaço (edema) e aumento do volume local

– limitação da função do membro (dificuldade na movimentação)

– vermelhidão local (hiperemia)

– aumento da temperatura local (hipertermia)

– fístula (orifício) e saída de secreção pelo local da infecção (mais comum em osteomielite crônica e aguda em estágios mais avançados)

– quadros crônicos podem apresentar inclusive com saída de fragmentos ósseos necrosados (mortos), pela fístula, chamados sequestros ósseos

Sintomas sistêmicos da osteomielite:

– febre

– fraqueza e mal estar

– perda de apetite

– taquicardia e taquipnéia (aumento da frequência cardíaca e respiratória)

5. Diagnóstico da Osteomielite

Pseudoartrose-infecatada-da-tibia-SciElo

Pseudoartrose infectada da tíbia – SciElo

O diagnóstico de osteomielite é iniciado a partir da anamnese (história clínica) e exame físico bem feitos. O diagnóstico é concluído a partir de exames laboratoriais de sangue, exames de imagem e análise do material coletado do local da infecção.

Exames utilizados no diagnóstico da doença são:

– Hemograma / PCR / VHS / Hemocultura: exames de sangue que permitem a avaliação da presença de inflamação no corpo e infecção. O PCR e VHS permitem avaliar a inflamação, enquanto a hemocultura e aumento dos leucócitos permitem avaliar processos infecciosos.

– Ultrassom / radiografia / tomografia / ressonância magnética / cintilografia: são exames de imagem que permitem avaliar o comprometimento local da infecção.

– A ultrassonografia permite a avaliação das partes moles e articulação, observando a presença de abscessos, fístulas e infecção na articulação (pioartrite).

– A radiografia e a tomografia permitem avaliar o comprometimento ósseo com melhor nitidez, servindo também, no caso da tomografia, para avaliar a condição de partes moles.

– A cintilografia permite a avaliação do esqueleto como um todo, de focos de reação inflamatória. Pode fazer o diagnóstico em fase mais precoce do que a radiografia e a tomografia, e dependendo do tipo de contraste permite a diferenciação de processos infecciosos para neoplásicos (tumores).

– A ressonância por fim, trata-se de um exame excelente quando persiste com dúvida diagnóstica, permitindo a identificação de processos infecciosos em estágios iniciais, avalia o comprometimento medular ósseo e de partes moles com alta precisão.

– Culturas / anatomia patológica: análise realizada com material colhido diretamente da lesão. Permite avaliar com exatidão a causa da doença, diferenciando de outros problemas (como neoplasias) e avaliando o microrganismo que está desencadeando a doença e o antibiótico ideal para o tratamento da osteomielite.

6. Osteomielite Tratamento

O tratamento para osteomielite divide-se em dois pilares: o tratamento clínico e o cirúrgico

Tratamento clínico da Osteomielite:

Modalidade de tratamento que consiste em fornecer o suporte adequado para o paciente, mantendo-se estável hemodinamicamente, proporcionando as condições favoráveis para que o próprio organismo consiga combater a infecção. O uso adequado de antibioticoterapia é fundamental para quê o tratamento cirúrgico seja eficaz. Assim a coleta de material para cultura e avaliação da resistência bacteriana aos antibióticos é fundamental para que se consiga controlar infecção de forma efetiva e rápida.

Classificacao-de-osteomielite-subaguda-Campbell-13th

Classificação de osteomielite subaguda – Campbell 13th

Cirurgias para a Osteomielite:

Quadros de osteomielite onde existe a formação de abscessos e/ou a presença de sequestro ósseo (osso morto), a cirurgia é fundamental e deve ser realizada assim que possível. Quanto antes realizada, melhor o resultado final do tratamento.

O tratamento cirúrgico proposto pode variar desde uma simples limpezadesbridamento e coleta de material para cultura, até cirurgias maiores onde é necessário realizar a ressecção do osso infectado, seguida de reconstrução e alongamento ósseo.

reconstrução e alongamento ósseo é indicada com maior frequência nos casos de osteomielite crônica e sequelas de osteomielite aguda, onde o paciente apresentou a cura da osteomielite mas evoluiu com deformidade óssea. Esta é mais frequente em crianças com esqueleto em desenvolvimento, pois o local que mais frequentemente afeta o osso é próximo da fise (cartilagem de crescimento do osso), e pode interromper o crescimento nesse segmento, evoluindo para deformidades com o tempo. As deformidades mais comuns nesse caso são por ossos mais curtos ou angulados (“tortos”).

Os casos de infecção pós cirurgia ortopédica, devem ser avaliados individualmente, pois às vezes é necessário retirar os implantes para que se consiga tratar a infecção. Porém implantes estáveis hoje sabe-se que podem ser mantidos até o término da consolidação da fratura. A conduta adequada na fase inicial de uma infecção pós cirurgia ortopédica é fundamental para o desfecho final. Pode ser realizada em alguns casos a remoção dos implantes e colocação de cimento ortopédico com antibiótico a fim de aumentar a concentração do mesmo de forma exponencial no foco da infecção.

Outra complicação que pode estar associada, principalmente após quadros de infecção pós cirurgia ortopédica para fraturas, é a pseudoartrose infectada, quadro este, complexo para o tratamento. Neste caso além do paciente ter uma fratura que não consolidou, a infecção dificulta a consolidação, necessitando de muitas vezes várias cirurgias de revisão e uso de fixador externo Ilizarov (popularmente conhecido como “gaiola”).

7. Complicações da Osteomielite

Como á comentado anteriormente neste texto, as principais complicações da osteomielite incluem:

  • Deformidade óssea e consolidações viciosas
  • Osteomielite crônica
  • Pseudoartrose infectada
  • Infeções graves com risco de amputação
  • Artrite séptica e artrose
  • Sepse e óbito

É importante lembrar também que quadros de osteomielite aguda e osteomielite crônica agudizada podem evoluir para sepse e choque séptico com risco alto de evolução para óbito.

Como vimos neste texto, a osteomielite e quadros de infecção pós cirurgia ortopédica, devem ser tratados com seriedade, pois as complicações podem ser graves e permanentes. O tratamento é realmente um desafio para o ortopedista e quanto mais capacitado no assunto melhores os resultados do tratamento.

Se você gostou do texto, ficou com alguma dúvida ou gostaria de deixar alguma sugestão escreva abaixo nos comentários. Seu retorno é fundamental para que possa continuar entregando conteúdos informativos para os pacientes. Se necessita de ajuda no tratamento de um quadro de osteomielite, entre em contato e agende uma consulta.

8. Referência

–Recomendações para o Tratamento de Osteomielite

–O que é Osteomielite

–Osteomielite: causas e sintomas

–Infecção no osso