
Perna Torta: Quais as causas, riscos e como corrigir
Se você tem a perna arqueada, torta ou com alguma outra deformidade, como uma mais curta que a outra, esse artigo é para você.
Neste artigo, eu vou explicar quais as principais causas para uma perna ficar com alguma deformidade, a diferença de um joelho varo e valgo, qual o problema em ficar com a perna angulada, além do estético, e quais os tipos de tratamento para tratar esse problema. Boa leitura!
Quais as causas para a perna ficar torta e como ela pode ir piorando ao longo dos anos?
Pensando inicialmente no nascimento, a pessoa pode apresentar uma assimetria congênita, que pode resultar de um problema genético ou de uma complicação durante a formação do embrião.
Os problemas genéticos, infelizmente são mais difíceis de evitar. Por outro lado, é importante lembrar que vários remédios, drogas e outras doenças, podem levar a má formação congênita, assim como a falta de alguns nutrientes, como por exemplo o ácido fólico.
Por isso é fundamental fazer um acompanhamento com um ginecologista com ultrassom morfológico e prestar muita atenção. Depois que o bebê nasce, mesmo que ele nasça sem problema nenhum, vários outros problemas podem levar há uma perna torta.
Uma infecção óssea, como a osteomielite ou uma infecção na própria articulação, pode danificar a cartilagem de crescimento. Isso pode interromper o crescimento em parte dessa cartilagem, resultando em uma área específica do osso que não se desenvolve adequadamente.
Enquanto os demais ossos crescem normalmente, essa região afetada não acompanha o crescimento, causando um encurtamento ou arqueamento do osso ao longo do tempo. Assim, pode causar deformidades graves nas articulações. Nessa etapa é muito importante fazer um acompanhamento com um ortopedista pediátrico.


Algumas doenças do metabolismo ósseo, como por exemplo o raquitismo, levam a uma fragilidade do osso, e com isso ele vai arqueando ao longo do tempo. Nesses casos todos os ossos podem ficar arqueados de uma forma mais parecida.
Em outros casos, podemos observar algumas doenças mais raras que levam há uma fragilidade na cartilagem de crescimento, fazendo com que fique deformada.
Um exemplo é a Tíbia Vara de Blount, que ocorre durante o desenvolvimento infantil, causando um arqueamento da tíbia para fora, resultando em pernas em formato de alicate. Embora essas condições possam causar deformidades mais graves, felizmente são raras, e a maioria dos casos não requer cirurgia.
Como é o desenvolvimento normal de uma criança?
É muito importante entender essa parte, pois explica a maior parte dos casos de pessoas que tem perna arqueada na vida adulta.
Geralmente o bebê nasce com as pernas arqueadas para fora, em alicate, o termo médico é varo. Esse varo pode ficar mais visível por volta dos 6 meses de idade, depois disso tende a diminuir, com mais ou menos um ano e meio, o alinhamento se torna neutro, deixando as pernas retas.
Depois, o joelho começa a ir para dentro, ficando em “X”, chamado genu valgo. Genu significa joelho, então é um joelho valgo. Esse joelho costuma ficar em valgo mais ou menos até 4 anos de idade. Perto de uns 7 anos ele já está mais próximo do neutro, assim, esse alinhamento deve permanecer até a vida adulta.
Se o seu filho, sobrinho ou neto tem um arqueamento simétrico nas pernas, condizente com a idade, provavelmente é normal. Algumas pessoas têm uma tendência familiar a manter as pernas um pouco mais arqueadas para fora ou para dentro após o desenvolvimento. Geralmente, o arqueamento para fora é mais comum.
Outras dicas
Além disso, o uso de palmilha e botinha para corrigir esse alinhamento da perna não serve, não muda o formato do osso, mas em alguns casos pode melhorar a dor.
Excluindo as causas familiares e genéticas, que podem ser observadas pelo alinhamento das pernas dos pais, uma das causas mais comuns de pernas arqueadas de forma adquirida é o trauma.


Isso se aplica tanto a adultos quanto a crianças, mas com um detalhe importante para as crianças: conforme os ossos crescem, eles têm a capacidade de corrigir pequenos desvios de alinhamento ao longo do tempo. Portanto, dependendo do tipo de desvio e da idade da criança, o osso pode se endireitar à medida que ela cresce. Esse fenômeno é chamado de remodelamento ósseo.


Possíveis riscos
Crianças têm um risco adicional de lesionar a cartilagem de crescimento durante traumas, o que pode formar uma barra óssea e prejudicar o crescimento do osso, semelhante ao que ocorre na osteomielite.
Já em adultos, traumas como fraturas ou lesões de ligamentos, especialmente no joelho, podem causar desalinhamento ósseo ou articular, agravando deformidades existentes, como pernas arqueadas. Se essas lesões não forem corrigidas, o desgaste ósseo e cartilaginoso tende a piorar o alinhamento ao longo do tempo.
O alinhamento frontal costuma ser o mais grave dos desalinhamentos. Além disso, podemos ter problemas de rotação, com o joelho ou o pé voltado para dentro ou para fora, e arqueamentos vistos de perfil.
Esses são chamados de ante curvo, quando a curva se projeta para a frente, e retro curvo, quando se projeta para trás. Dependendo do grau de angulação, o corpo pode compensar parcialmente esses desalinhamentos por meio do movimento articular.


A imagem é um exemplo de uma perna arqueada e na vista ampliada onde o eixo de carga passa na margem interna (medial do joelho)
Esse raio x é uma radiografia panorâmica dos membros inferiores, é necessário fazer esse exame com o paciente em pé, pois às vezes o alinhamento muda quando tem o peso do corpo, sobre as pernas.
A mesma coisa vale para um Raio-X da articulação, do joelho por exemplo, só assim é possível observar o verdadeiro desgaste articular. Essa linha vermelha representa o eixo mecânico do membro inferior, ela vai do centro da cabeça do fêmur, até o meio do tornozelo.
Uma paciente me procurou por dor intensa na parte interna do joelho. Como mostrado neste Raio-X, o peso do corpo dela é concentrado na margem medial do joelho, o que causa uma distribuição desigual da carga, sobrecarregando essa área.
Quais os problemas em ter uma perna torta, ou com um tamanho diferente do outro?
Essa área sobrecarregada se desgasta rapidamente, levando a lesões do menisco e cartilagem, evoluindo para artrose, mesmo sendo jovem. Apenas operar o menisco não resolveria, pois ele se romperia novamente. Era necessário corrigir o alinhamento da perna, e foi isso que fizemos.
Quando a pessoa tem um genu varo, ou seja, o joelho arqueado para fora, em alicate, geralmente desgasta mais a parte de dentro do joelho. Já um genu valgo, um joelho em x, ou em tesoura, desgasta mais a parte externa, de fora do joelho.
Agora um exemplo de uma perna mais curta que a outra. Um paciente que atendi apresentava dor intensa na coluna lombar. Durante o exame, notei que sua bacia estava inclinada ao ficar de pé, o que me levou a solicitar duas radiografias. A primeira foi para avaliar o alinhamento da coluna e verificar se havia escoliose ou outra causa para a dor.
O alinhamento da coluna desse paciente, de uma forma geral é bom, mas é possível perceber que a bacia estava inclinada e isso levava a um grau pequeno de escoliose, podendo aumentar a sobrecarga lombar bem na base da coluna. Inclusive ele já estava com uma lesão no disco entre L5-S1.

Olhando o segundo tipo de raio x, chamado escanometria, calculamos uma diferença de 1 cm e meio de uma perna para outra.

Essa diferença de comprimento entre as pernas pode causar uma leve escoliose ou uma sobrecarga na coluna, mesmo que ela pareça reta. É como construir um prédio em um terreno inclinado sem preparar a base adequadamente. Já as deformidades de rotação, em geral, não causam sobrecarga, mas podem dificultar a prática de atividades físicas.
Como isso acontece?
Pessoas com os pés muito voltados para fora ou para dentro podem ter dificuldade em correr ou realizar agachamentos corretamente, que são exercícios básicos para quem pratica atividade física.
Além de abordar o alinhamento relacionado à atividade física, gostaria de destacar um tipo específico de desalinhamento que observo com frequência no consultório e que frequentemente está associado a dores na lombar, no quadril e nos joelhos.
Esse desalinhamento não aparece nos exames de imagem tradicionais, como o Raio-X panorâmico, onde o alinhamento das pernas geralmente é considerado normal. Trata-se do desalinhamento dinâmico, em especial o valgo dinâmico.
O que é valgo dinâmico e por que é ruim para o seu corpo?
Nesse caso, não se trata de uma perna realmente torta, mas sim de uma fraqueza muscular que faz com que a pessoa projete o joelho para dentro ao caminhar.
Quando o movimento é feito de forma incorreta, o joelho é projetado para dentro e o quadril sofre uma queda, o que resulta em uma sobrecarga significativa tanto no quadril quanto na base da coluna lombar. Essa sobrecarga é semelhante àquela que mencionei anteriormente ao falar sobre os desalinhamentos detectados em exames panorâmicos.

Quais são os tratamentos não cirúrgicos?
O primeiro recurso a considerar é a palmilha. Ela pode ser utilizada para compensar diferenças no comprimento das pernas. Diferenças de até 2 cm podem ser corrigidas com uma palmilha dentro do tênis; para medidas maiores, é necessário adicionar um solado externo ao calçado.
Se o paciente tem uma diferença pequena de uma perna para outra, e não se importa de usar um tênis ou um sapato, é a melhor opção, agora para a mulher que gosta de usar rasteirinha, salto alto etc., não vai conseguir compensar.
Diferenças de até 1 cm entre as pernas geralmente não exigem palmilhas, como é o meu caso, onde não me adaptei ao uso. Conheço pessoas que compensam até 7-8 cm, mas o calçado se torna volumoso e inconveniente, especialmente para quem não quer optar por cirurgia. Além disso, a dependência desse tipo de calçado pode ser limitante, dificultando atividades como ir à praia ou usar chinelos.
Quando a palmilha é indicada?
As palmilhas também são indicadas para aliviar dores causadas por sobrecarga articular em casos de genu varo ou genu valgo. Nessas situações, usamos palmilhas com cunha lateral ou medial.

Esse exemplo da foto você pode encontrar neste site.
Esse tipo de palmilha tem como objetivo redistribuir a carga no joelho, aliviando a sobrecarga na área afetada ao direcionar o peso do corpo para a parte saudável da articulação. Embora não corrija o alinhamento real do joelho, é uma abordagem não invasiva para aliviar os sintomas.
Para joelhos em varo (alicate), geralmente indicamos a cunha lateral, que empurra o joelho levemente para dentro. Já para joelhos em valgo (em X), usamos a cunha medial, que direciona o joelho um pouco mais para fora.
Algumas pessoas se adaptam bem às palmilhas, enquanto outras não sentem tanto benefício. Por isso, às vezes recomendo começar com uma palmilha mais acessível para testar, já que as sob medida tem um custo mais alto.
Uma alternativa considerada mais eficaz que a palmilha é a fisioterapia. Embora os tratamentos possam ser complementares, a fisioterapia, especialmente no caso de valgo dinâmico, é fundamental. O fortalecimento muscular proporcionado por esse tratamento corrige o desalinhamento e melhora a mecânica do movimento das pernas.
Mais uma vez, reforço a importância dos exercícios. Eles podem corrigir o valgo dinâmico, ajudando a reduzir a sobrecarga e aliviar a dor. No entanto, é importante entender que os exercícios não corrigem deformações ósseas já existentes.
As cirurgias para corrigir pernas arqueadas geralmente são invasivas e exigem um período de recuperação prolongado. Por isso, muitas vezes recomendo que os pacientes explorem essas abordagens menos invasivas antes de considerar uma cirurgia.
A joelheira vale a pena?
Praticamente, não indico joelheira, nesses casos, apenas se o paciente tiver algum problema ligamentar, pois a joelheira vai compensar um pouco esse ligamento que está frouxo ou rompido.
É preciso prestar atenção, a joelheira pode prender um pouco a circulação principalmente se o uso for contínuo, por isso é melhor usá-la ao praticar exercícios, caminhadas e não a usar direto.
Quando a cirurgia é indicada para tratar uma perna torta?
Nesses casos, é preciso avaliar os benefícios e os riscos da cirurgia e quando não operar. É necessário realizar uma avaliação desse paciente, passando por todos os passos e exames, fazer uma radiografia com carga da articulação que está com dor, e se o paciente apresentar um problema de rotação, é preciso pedir uma tomografia axial.


Esse exame é importante, pois realiza uma sobreposição das articulações do quadril do joelho e do tornozelo, avaliando de uma forma objetiva onde está o problema de rotação: no fêmur ou na tíbia e fíbula.
Neste ano, atendi um paciente que veio ao consultório com a indicação de uma cirurgia, sugerida por outro médico, que recomendava corrigir o fêmur. No entanto, logo após realizar o exame físico, suspeitei que o problema não estava no fêmur, mas sim na tíbia e na fíbula. Um exame adicional confirmou minha suspeita.
Se ele tivesse seguido a recomendação inicial e corrigido o fêmur, o pé poderia até ficar na posição correta, mas o joelho giraria ainda mais para dentro, resultando em um problema maior.
Por isso, é importante que cirurgias desse tipo sejam realizadas por um médico experiente, capaz de avaliar e planejar corretamente. Muitas vezes, levo os exames para casa para estudar o caso com calma antes de decidir o melhor procedimento, pois corrigir um problema pode agravar outro.
É importante também avaliar se o paciente tem algum problema ligamentar ou desgaste em outras partes do joelho antes de qualquer intervenção.

Entenda os principais procedimentos cirúrgicos
Quando pensamos em corrigir uma deformidade na perna de um adulto, a técnica mais comum é a osteotomia, que envolve o corte do osso para corrigir sua forma. O que determina a técnica cirúrgica específica é a forma como o osso será fixado após o corte.
Podemos usar hastes, placas e parafusos, grampos ósseos, fixador externo ou, em alguns casos, até uma artroplastia, que é a substituição por uma prótese articular. Se não houver problemas de pele na área da cirurgia e o objetivo for apenas corrigir o alinhamento, a fixação com placa e parafusos geralmente é indicada.
Por exemplo, em um paciente com tíbia torta, realizamos um corte logo abaixo do joelho, corrigimos o alinhamento e fixamos com uma placa e parafusos. Esse mesmo tipo de cirurgia pode ser feito para corrigir uma deformidade no fêmur.

Nessa osteotomia, realizamos uma cunha de abertura, criando espaço entre os ossos. Quando fazemos uma cunha de fechamento, removendo um pedaço de osso, a fixação pode ser feita apenas com dois grampos, pois há mais estabilidade e contato direto entre as duas partes do osso.
No entanto, prefiro usar placa e parafuso, que proporcionam uma fixação mais firme e segura. Em crianças, é possível fixar com dois fios de aço e complementar com uma tala.
Artroplastia
Nos casos em que o paciente apresenta uma deformidade na articulação já com artrose mais avançada e dor, outra opção é corrigir logo com a artroplastia.
A prótese não é indicada para pacientes que não apresentam artrose e dor. Essa cirurgia é mais invasiva e necessita de revisão depois de uns anos, assim, sempre que possível procuramos preservar a própria articulação do paciente. Se for o caso, é possível colocar a prótese mais para frente.

Nas imagens mostramos um exemplo de uma paciente com uma artrose grave e um joelho em valgo, seguido da correção com a artroplastia.

Quanto maior a deformidade, mais difícil é a cirurgia. Essa paciente não ia melhorar apenas com a osteotomia, a artrose dela era grave, poderia até ficar com o joelho mais reto, mas ia continuar sem andar por causa da dor. Por isso, optamos pela artroplastia.
Para saber mais sobre a artroplastia, acesse essa playlist.
Por outro lado, quando o paciente apresenta uma deformidade rotacional, é possível realizar a osteotomia e fixar também com a placa e parafusos, ou pode usar uma haste bloqueada.

A haste tem a vantagem de estar posicionada no centro de carga da perna, permitindo que o paciente inicie a carga parcial já no primeiro dia após a cirurgia, com menor risco de fratura em comparação a uma placa com parafusos.
Além disso, a cicatriz costuma ser menor. É importante notar que, neste caso específico, foi realizada uma osteotomia na tíbia e na fíbula, pois a fíbula, estando fora do eixo de rotação, poderia limitar o movimento se não fosse cortada.
É possível alongar um osso, o que pode ser feito?
Sim, é possível. Mas nesses casos, é preciso fazer com fixador externo. O pessoal sempre lembra da gaiola, mas o nome correto é fixador circular de Ilizarov, método desenvolvido pelo russo de mesmo nome.

Atualmente, existem vários fixadores modernos de fibra de carbono, mono laterais, que não ficam em volta de toda a perna.

Eles são mais práticos, especialmente para alongamento do fêmur, mas também são mais caros. O Ilizarov tradicional, por outro lado, é bastante acessível. O fixador externo apresenta vantagens e desvantagens.
Entre as vantagens, é o tratamento mais versátil disponível, capaz de corrigir qualquer tipo de deformidade ou sequela óssea, o que o torna preferido em casos mais graves. Uma pessoa com fixador circular geralmente pode suportar carga e caminhar, o que muitas vezes é incentivado para estimular a formação óssea.

Um exemplo notável é de alguém andando de moto com um Ilizarov.
Por outro lado, além da questão estética causar preocupação, é comum infectar os fios e pinos que estão atravessando a pele, além de atrapalhar muito para vestir a roupa.
Por que precisamos do fixador para alongar o osso, e por que as pessoas o usam por tanto tempo?
Muitas pessoas perguntam quanto tempo será necessário usar o fixador, mas é difícil prever com precisão. Quando realizamos uma osteotomia, o osso passa por um processo de consolidação semelhante ao de uma fratura, onde se forma um calo ósseo.
Durante esse período, o calo ainda é maleável, permitindo que o osso seja alongado em 1 mm por dia sem comprometer a regeneração. Se o alongamento for feito corretamente, é possível aumentar e regenerar o osso gradualmente.
Primeiramente, esse osso é meio mole e frágil e depois vai calcificando e ficando rígido, mas esse processo geralmente demora no mínimo o dobro do tempo que a pessoa passou alongando.
Se alguém tem um encurtamento de 5 cm, vai precisar passar cerca de 50 dias alongando e mais 100 dias esperando o osso se fortalecer. Esse é o processo básico para quem busca um alongamento estético para aumentar a altura.




Aqui um exemplo de transporte de uma falha óssea, mostrando o processo de formação (regeneração) osso, com imagens pré e pós do mesmo paciente.
É importante considerar se você está disposto a usar um fixador por tanto tempo, além de cuidar adequadamente dele e utilizar muletas. Para reduzir o tempo com o fixador, em alguns casos, é possível optar por um procedimento chamado alongamento ou transporte sobre haste.
Nesses casos a gente coloca uma haste junto com o fixador externo, faz o alongamento, e depois que terminam o alongamento, é possível travar a outra ponta da haste, e tirar o fixador.
Como não há contato direto osso sobre osso, a pessoa ainda precisa usar muletas. Além disso, quando a deformidade começa a surgir durante o crescimento da criança, é possível realizar uma cirurgia chamada epifisiodese.
Epifisiodese
A epifisiodese bloqueia o crescimento de parte do osso para igualá-lo ao lado que não está crescendo adequadamente. Isso permite que a correção ocorra naturalmente conforme a pessoa envelhece.
Embora esse procedimento possa resultar em uma leve diminuição da estatura, ele é menos invasivo do que o uso de um fixador circular. Para ser eficaz, a cirurgia deve ser realizada enquanto a pessoa ainda está em fase de crescimento; caso contrário, não haverá alteração.
Esse tipo de procedimento requer acompanhamento contínuo com um ortopedista pediátrico, pois é necessário monitorar o desenvolvimento do membro ao longo de todo o crescimento. Eu não realizo esse acompanhamento em crianças, mas é importante explicar o processo.

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Espero que este artigo tenha ajudado a esclarecer das dúvidas dos pacientes sobre as causas, riscos e como realizar o tratamento de possíveis deformidades nas pernas. Se quiser saber mais sobre esses ou outros assuntos relacionados a ortopedia, acesse o meu canal no YouTube.
Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista, especialista em joelho. Com duas subespecializações, em cirurgia do trauma ortopédico e reconstrução óssea, incluindo cirurgias para corrigir deformidades, fraturas que não colaram, entre outras. Além disso, realizo atendimentos em consultório particular em São Paulo e por telemedicina e estou à disposição para auxiliar pacientes com problemas ligados a ortopedia.



