Tendinite patelar

A tendinite patelar afeta aproximadamente 150 mil pessoas por ano no Brasil, sendo a principal tendinite na região do joelho! Sua importância cresce em relevância, na medida em que o número de atletas cresce ano após ano, sendo intimamente relacionada a esse público.

Se você é do tipo de pessoas que gosta de acompanhar esportes já deve ter visto alguma vez uma ruptura do tendão patelar, seja em atletas do futebol ou de levantamento de pesos.

O exemplo mais conhecido é do Ronaldo “Fenômeno” Nazário que apresentou uma ruptura do tendão patelar no dia 12 de abril de 2000, em um jogo pela Inter de Milão.

Ronaldo Rompimento Joelho

O que é a Tendinite Patelar

A tendinite patelar é tendinopatia (doença do tendão) de característica inflamatória que afeta o tendão patelar, localizado no joelho. É mais comum em indivíduos que praticam atividades físicas abaixo dos 40 anos de idade e está relacionada a atividades repetitivas e de sobrecarga na região.

Anatomia e biomecânica

Distribuição De Forças E Otimização Da Alavanca Do Quadríceps

Sabe aquele pequeno osso de forma circular localizado na parte frontal do joelho?

Ele se chama patela e, em contrapartida ao tamanho reduzido, possui uma enorme importância para esta fundamental articulação do corpo humano, responsável por movimentos diários fundamentais, como caminhar, correr, agachar-se, entre outros.

Tecnicamente classificado como um nódulo ossificado inserido nos tendões do quadríceps, a patela é vital para a articulação do joelho, por ter funções como fornecer apoio extra, aumentando o braço de alavanca do quadríceps (músculo anterior da coxa), alinhar o mecanismo extensor, distribuir forças e reduzir a pressão sobre os tecidos próximos.

Além disto, é parte fundamental na interligação entre dois dos maiores ossos do nosso esqueleto: o fêmur, o maior de todos, que fica na coxa, e a tíbia, o osso da popular “canela”.

Sendo um vetor de distribuição de forças, para aumento do braço de alavanca da musculatura do quadríceps, a patela sofre sobrecargas de 5 vezes o peso corporal em atividades diárias e em esportes como a corrida, pode aumentar para 9 vezes o peso corporal!!

O tendão patelar é uma fita de tecido conjuntivo fibroso de aproximadamente 2,5 a 3,0 centímetros de largura e 5,0 a 7,0 centímetros de comprimento, que vai do polo inferior da patela (ponta) até a tuberosidade anterior da tíbia (proeminência abaixo do joelho).

Responsável por tantos movimentos e com funções indispensáveis, é natural que a patela e seu tendão sejam bastante exigidos na nossa rotina.

Consequentemente, devido a ações impactantes repetitivas, ela vira alvo fácil de lesões e, principalmente, de inflamação. Ou seja, a temida tendinite!

Abaixo, vamos saber mais sobre a tendinite patelar, seus sintomas, como diagnosticá-la e os tratamentos que a ortopedia recomenda.

Quais as causas e fatores de risco

Distribuição De Forças Na Patela

Eventualmente podemos encontrar em laudos tendinite, tendinopatia e tendinose patelar. O que diferencia entre eles?

Tendinopatia: significa “doença do tendão”

Tendinite: significa “inflamação do tendão”

Tendinose: significa “degeneração do tendão” (desgaste com enfraquecimento)

Assim, a tendinopatia pode ser uma tendinite ou uma tendinose. Geralmente a doença começa através de uma reação inflamatória que com o processo crônico passa a sofrer degeneração do mesmo (desgaste).

Como comentado anteriormente, a tendinite patelar, na verdade, não tem como foco a patela exatamente, mas sim o seu tendão.

Também conhecida como joelho de saltador, a lesão é muito comum em atletas cuja modalidade exige muito do joelho – inclusive, o estudo pioneiro a respeito do distúrbio, realizado em 1973 nos Estados Unidos, teve como objeto de estudo atletas do salto em distância.

Esta correlação é explicada pela característica que a patela e seu ligamento têm de sofrer demasiadamente com impactos – que proporcionam uma concentração de forças nos joelhos, em vez de distribuí-la pelo corpo.

Atividades esportivas que requerem de movimentos explosivos, repetitivos e de sobrecarga de peso no quadríceps são fatores de risco para a lesão, como saltadores (incluindo jogadores de basquete, vôlei e handebol), corredores (incluindo jogadores de futebol), ciclistas e levantadores de peso.

Entretanto, não são apenas saltadores e outros atletas que exigem muito dos seus joelhos os únicos propensos a ter tendinopatia patelar.

Pessoas acima do peso, com joelhos valgos (direcionados “para dentro”, forçando os pés “para fora”) e pernas de comprimentos diferentes também podem sofrer com a patologia.

Sintomas da tendinite patelar

O principal sintoma desta tendinite é a dor, que ocorre ao longo do tendão patelar, sendo mais comum na sua inserção na patela. Esta dor pode ser classificada em quatro estágios:

  1. O incômodo é leve e notado na prática de atividades físicas;
  2. Ocorre durante os treinos e persiste mesmo ao fim, mas não provoca perda de rendimento para o indivíduo;
  3. Dor mais intensa inclusive no repouso, que prejudica a performance;
  4. Ruptura parcial ou total do tendão, impedindo qualquer exercício devido a uma diminuição da força dos músculos, principalmente, os da parte frontal da coxa, responsável pela extensão do joelho.

Diagnóstico

Ressonância Magnética Patela

Ressonância mostrando a tendinite patelar

Para se chegar ao diagnóstico, o ortopedista pode lançar mão de diferentes procedimentos.

A avaliação deve começar com um exame físico, que vai permitir ao profissional entender o histórico do paciente, o foco da dor, o nível de força, possíveis desequilíbrios musculares e o grau de sensibilidade do tendão.

Outra possibilidade são testes funcionais, como movimentos como corrida, salto e agachamento, para que se avalie a intensidade da dor e a capacidade de mobilidade das pernas.

Além disto, o ortopedista pode solicitar exames de imagem, a fim de ter um diagnóstico mais preciso e descartar outros focos de dor. A ultrassonografia e a ressonância magnética são importantes para se detectar alterações no tendão.

Entretanto, não é indicado que somente exames de imagem sejam realizados, já que eles podem apontar modificações no tendão, mesmo que o paciente não esteja sentindo dor.

Ressonância Mostrando A Ruptura Do Tendão Patelar

Ressonância mostrando a ruptura do tendão patelar

Para eliminar dores e recuperar funções e movimentos da articulação, o tratamento para a inflamação reúne diferentes alternativas.

A primeira delas é o repouso (que não precisa ser total, evitando apenas atividades mais desgastantes), inclusive, com uso de uma faixa elástica na articulação e aplicação de gelo por 20 minutos, três vezes ao dia.

Normalmente, o repouso é acompanhado de medicação – principalmente, caso a dor persista por um período mais longo, como entre 10 e 15 dias.

Para diminuição da inflamação e dos sintomas, os remédios analgésicos e anti-inflamatórios mais prescritos pelos ortopedistas são cetoprofeno, diclofenaco, naproxeno, entre outros.

Por fim, estão previstas sessões fisioterápicas com aparelhos de eletroterapia (laser e ultrassom), que ajudam a reduzir a dor e a regenerar o tecido;

A realização de exercícios, como alongamento e fortalecimento para os músculos da perna, principalmente, os da parte frontal da coxa,é importante pois torna o processo de cicatrização do tendão afetado mais eficaz.

Nos atletas, a correção do gesto esportivo é fundamental para a cura da tendinite patelar. Muitas vezes, em quadros iniciais apenas corrigindo o gesto, redução da sobrecarga e períodos curtos de anti-inflamatórios podem ser suficientes para a cura.

Alguns casos mais graves, que não têm melhora satisfatória com as medidas anteriores, podem ser tratados com a terapia de ondas de choque ou infiltração com terapias biológicas como o ácido hialurônico (um tipo específico para tendões e ligamentos).

A infiltração com corticoides não é mais utilizada, pois piora o quadro de tendinose, podendo levar à ruptura do tendão.

Terapia De Ondas De Choque No Joelho

Terapia de ondas de choque

Complicações

As duas principais complicações da tendinite patelar são a dor crônica persistente e a ruptura do tendão.

Nas situações onde aqueles procedimentos (repouso, medicação, fisioterapia, exercícios, terapia de ondas de choque e infiltração com ácido hialurônico) não foram eficientes, a cirurgia pode ser indicada em casos mais graves, aqueles que pouco ou nada evoluíram após todas as formas de tratamento anteriores.

A cirurgia pode ser indicada também nos casos de ruptura do tendão patelar e deve ser realizada, nesses casos, o mais rapidamente possível.

Cirurgia Para Ruptura Do Tendão Patelar

Cirurgia Para Ruptura Do Tendão Patelar

Conclusão

A tendinite patelar é uma doença que cresce em relevância na medida que o número de praticantes de atividades físicas aumenta ano após ano. A colaboração por parte do indivíduo é fundamental para que permita ao tendão recuperar de forma definitiva.

As medidas conservadoras resolvem na maioria das vezes, mas, em casos raros, a cirurgia pode ser necessária.

Se você ficou com alguma dúvida, gostaria de fazer algum comentário ou sugestão, escreva abaixo.

Ficarei feliz em poder lhe ajudar. Agora se necessita de agendar uma consulta, atendo como ortopedista em São Paulo (Itaim Bibi e Higienópolis) e Alphaville (Barueri / Santana de Parnaíba) e por telemedicina.

Referências

Tendinopatia Patelar
Tendinite Patelar: Diagnóstico e Tratamentos (em inglês)
Tendinite Patelar – Joelho de Saltador (em inglês)
Tratamentos par aTendinopatia Patelar (em inglês)
Tendinite Patelar: Patologia e Tratamentos (em inglês)