O que é a tendinite no quadril e quais os tipos

A tendinite do quadril é a lesão que afeta os tendões (tendinopatia inflamatória) sendo a principal queixa nessa articulação. Ela pode ocorrer por uma fraqueza e desequilíbrio muscular, ou esforço repetitivo.

As principais tendinopatias no quadril são as dos glúteos, isquiotibiais, a pubalgia e a bursite, pode estar também associada.

Abaixo, saberemos mais sobre tendinite, bursite e outros problemas, além, é claro, como tratá-las.

Tendinite no quadril

Anatomia Da Face Lateral Do Quadril Demostrando A Bursa E Os Tendões Glúteos
Anatomia da face lateral do quadril demostrando a Bursa e os tendões glúteos

“A cirurgia que fiz é um crime hoje”. Assim, o ex-tenista Gustavo Kuerten define o procedimento que realizou em 2002 para tratar das dores no quadril que o acompanharam ao longo da carreira e até hoje o impedem de disputar uma simples partida amadora.

Na ocasião, o maior nome do Brasil na modalidade foi submetido à intervenção que retirou o labrum, estrutura fibrocartilaginosa que reveste a estrutura interna da região, onde se encaixa o fêmur.

Ironicamente, cerca de apenas um ano depois, um médico alemão mudou os rumos da medicina esportiva ao optar por reparar o labrum, em vez de retirá-lo, conseguindo, assim, melhorar a estabilidade no quadril.

As dores no quadril, infelizmente, abreviaram a carreira do Guga (ele tinha só 31 anos), mas hoje, graças aos avanços na ortopedia, existem tratamentos mais adequados e eficazes para disfunções nesta importante articulação.

Como comentado anteriormente, a principal causa da tendinite do quadril é pelo uso excessivo dos tendões presentes no entorno. A inflamação, que pode causar dor e irradiá-la pelas pernas, são comuns em atletas que usam muito os membros inferiores, em modalidades tipo corrida, ciclismo, futebol e o próprio tênis.

Mas o problema também pode acometer idosos, pela fraqueza e desgaste progressivo dos tendões fragilizados, conhecida como tendinose (degeneração do tendão).

Além da dor, são também sintomas das tendinopatias no quadril dificuldades para mexer as pernas; cãibras após longos repousos; dificuldades em movimentos básicos como caminhar, sentar-se ou subir e descer escadas.

O local onde o paciente vai sentir a dor vai depender de qual tendão afetado, como discutiremos mais a frente.

A tendinite, óbvio, tem tratamento, que, aliás, pode começar em casa mesmo. Recomenda-se que o indivíduo lance mão de repouso e aplicação de uma bolsa de gelo (20minutos 3 a 4 vezes ao dia), até o dia da consulta com o ortopedista.

Dependendo da causa, o profissional receitará ao paciente remédios anti-inflamatórios, como ibuprofeno e o diclofenaco, e o encaminhará à fisioterapia.

Na fisioterapia serão realizados exercícios de fortalecimento e alongamento, para o reequilíbrio muscular, terapias analgésicas, treinamento de equilíbrio, entre outros.

Lesões que não melhoram através dos métodos convencionais, podem ser beneficiadas por terapias como a infiltração com ácido hialurônico (viscossuplementação) e a terapia de ondas de choque, que promovem a cicatrização ou regeneração dos tecidos.

Os casos de cirurgia, são de exceção, sendo a ultima opção, para rupturas tendíneas mais graves ou lesões que não melhoraram de outra forma.

Tendinite do glúteo máximo, médio e mínimo

Sínfise Púbica E Osso Púbis

Os glúteos são músculos localizados na parte lateral e posterior do corpo, entre coxas e cintura. Na região, também conhecida como nádegas, estão os tendões dos glúteos máximo, médio e mínimo, que possuem importantes funções no quadril.

Além de manterem o equilíbrio entre bacia e tronco, permitem extensão (caso do máximo) e abdução do quadril (abrir as pernas). Já na rotina, são indispensáveis para movimentos como andar e correr.

Por isto, como prevenção contra lesões, recomenda-se a prática de reforço muscular, para se evitar sobrecarga no quadril e em articulações adjacentes, quadro que pode causar tendinite ou ruptura.

Os principais sintomas dessa tendinopatia são dor na lateral do quadril (até irradiação pela lateral da coxa) e fraqueza no ato de abdução.

No entanto, estes sinais podem ser consequências de outras patologias como bursite trocantérica, problemas intra-articulares, ressalto externo do quadril, entre outras.

No exame físico, o paciente vai referir dor ao realizar o agachamento com uma perna e dor ao fazer força para abrir as pernas. Movimentos de rotação e flexão do quadril podem também desencadear dor na parte lateral e posterior do quadril.

Obs: quando o paciente referir dor na parte posterior do quadril ao realizar manobras de rotação devemos suspeitar também da síndrome do piriforme, e dores na parte anterior (virilha), devemos pensar em impacto do quadril.

Para se ter certeza, ortopedistas pedem exames como radiografia, que pode descartar outras doenças; ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, que devem dar o diagnóstico e apontar o melhor tratamento.

Na maioria dos casos, medicações, fisioterapia, terapia de ondas de choque, ou infiltrações são suficientes para a correção.

Já a cirurgia é indicada para pacientes com rupturas do tendão ou que não tiveram os sintomas reduzidos pelo tratamento conservador. O procedimento pode ser aberto ou via videoartroscopia, visa a retirada da bursa trocantérica e a inserção de âncoras ortopédicas para o reparo dos tendões rompidos.

Bursite do quadril

A bursite trocantérica – ou bursite do quadril – leva esse nome pois acomete as bursas, pequenas bolsas de tecido conjuntivo cheias de líquido, localizadas entre os tendões glúteos e os trocânteres, como são conhecidas as proeminências ósseas da parte superior e lateral do fêmur (muitas vezes confundida pelos pacientes com a cabeça femoral).

Nesta região, as dores são causadas pela prática excessiva de exercícios físicos, que pode levar a uma sobrecarga dos tendões e das bursas; por fraqueza muscular, que acarreta lesão mesmo mediante atividades leves; e doenças como artrite reumatóide, artrose de joelho, gota, diabetes e escoliose.

Como dito mais acima, um dos principais sintomas da bursite trocantérica é a dor na lateral do quadril, que se intensifica quando o paciente fica muito tempo de pé ou deitado de lado. Também são notados inchaço, sensibilidade ao toque e dor que se irradia para a coxa.

Os sintomas da bursite trocantérica se misturam e são muito semelhantes com o da tendinite do glúteos médio e mínimo, inclusive são doenças frequentemente associadas.

Para o diagnóstico, o ortopedista pode recorrer à avaliação física – observação da sensibilidade e testes de força – e exames como ultrassom, ressonância magnética e raio-X.

Feito o diagnóstico, o tratamento para bursite do quadril inclui repouso; aplicação de gelo; e, se necessário, uso de remédios anti-inflamatórios não esteróides, como cetoprofeno ou naproxeno, para aliviar dor e inchaço.

Para redução da inflamação, diminuição da dor e da sobrecarga das bursas inflamadas, ortopedistas indicam ainda fisioterapia, com exercícios simples como ficar de pé e erguer alternadamente as pernas; deitar e fazer movimentos circulares com a perna; deitar e lado e elevar as pernas; e fazer a ponte, ou seja, suspender o quadril, apoiando-se nos pés e ombros. Exercícios semelhantes aos da tendinite glútea.

Tendinite dos isquiotibiais

Teste De Tredelenburg – Mostrando Fraqueza Dos Músculos Abdutores Do Quadril (glúteo Médio E Mínimo)
Teste de Tredelenburg – mostrando fraqueza dos músculos abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo)

Acima citamos a extensão do quadril, os grandes responsáveis por esta ação, em conjunto com o glúteo máximo, são os isquiotibiais, grupo de músculos na parte posterior das coxas. Além da extensão, permitem também a flexão do joelho e vão de uma articulação a outra.

Ou seja, os isquiotibiais são fundamentais para caminhar, correr e controlar a nossa velocidade. Assim, dores são comuns, quase sempre causadas por impactos, pancadas e grande exigência em exercícios.

Os pacientes com tendinite dos isquiotibiais referem dor no ísquio (osso da bacia que apoiamos ao sentar-se), que pode irradiar pela face posterior da coxa até o joelho.

É difícil identificar outras alterações no exame físico, pois trata-se de um tendão profundo. O que identificamos com maior facilidade são as lesões musculares dos isquiotibiais, que podem ocorrer no meio da coxa, na região posterior.

Para evitá-las, ortopedistas recomendam iniciativas simples, como melhorar a postura global, principalmente, em relação ao quadril e joelho; realizar exercícios específicos para a região; e alongar para melhorar a flexibilidade.

Se estes métodos não funcionarem, e o paciente sentir dor, o primeiro passo é buscar o diagnóstico de lesão nos isquiotibiais.

A melhor opção são exames de imagens, como ressonância magnética e ultrassonografia, que podem direcionar o ortopedista, já que os tratamentos variam de acordo com a gravidade do problema.

Mas, independentemente da gravidade, é fundamental fazer repouso relativo, para que não haja um agravamento do processo, tornando-se uma tendinopatia crônica.

Passada esta orientação, nos casos de dor leve, é indicado o uso de medicamentos analgésicos, compressas de gelo e elevação do membro, para diminuir a reação inflamatória local. A fisioterapia é fundamental e, em atletas, ela é recomendada profilaticamente, antes mesmo de iniciar a dor.

Pubalgia

Desequilíbrio Entre O Reto Abdominal E Adutores Na Pubalgia
Desequilíbrio entre o reto abdominal e adutores na pubalgia

Considerada uma síndrome (ou seja, um conjunto de sintomas e sinais), por não se tratar apenas de uma dor local, a pubalgia tem esse nome por ter reflexo na região do púbis, pequeno osso localizado na bacia, na região frontal, logo abaixo da altura do umbigo (próximo à virilha).

Só que a origem deste problema está um pouco mais abaixo, mais precisamente nos adutores, músculos localizados na parte interna das coxas, que, ao serem contraídos excessivamente, podem proporcionar desequilíbrios musculares na sínfise púbica (união entre os ossos do púbis), levando o indivíduo ao quadro.

Isso é muito comum no caso de jogadores de futebol, que costumam sofrer com pubalgia devido a arrancadas, dribles e chutes repetidos exaustivamente em treinos e jogos.

Não só o esforço repetitivo dos adutores, mas também o desequilíbrio entre o alongamento e fortalecimento da musculatura adutora e o músculo reto abdominal (musculo da parte da frente do abdome), são fundamentais para o início do problema e para a indicação do tratamento correto.

Por causa desta ligação entre coxas e bacia, inclusive, as dores causadas pela pubalgia podem se irradiar por regiões adjacentes, como a abdominal inferior, a inguinal (virilhas) e a superior e interna da coxa.

No caso dos homens – que costumam sofrer mais do que as mulheres com esse problema – o incômodo pode ser notado até nos testículos.

Para se diagnosticar a pubalgia, o ortopedista, primeiramente, deve investigar o histórico clínico do paciente, incluindo possíveis lesões e cirurgias anteriores.

A manobra de Grava, pode ser realizada para diagnosticar clinicamente a lesão. Nesta manobra pede-se para o paciente realizar uma “abdominal” com uma dar pernas rodadas para fora, com o pé apoiado sobre a coxa.

Quando o paciente apresenta a pubalgia o mesmo refere-se a uma dor perto da sínfise púbica.

Em seguida, a recomendação é de exames clínicos, como radiografia e ultrassonografia, que podem ser suficientes para se tirar uma conclusão, ou até uma ressonância magnética, cuja precisão é maior para se detectar o local da dor.

Quanto ao tratamento, é necessário, antes de mais nada, que o paciente suspenda as atividades físicas que o levaram ao quadro de pubalgia. Em seguida, o ortopedista escolherá o procedimento de acordo com os sintomas.

Da mesma forma que nas outras lesões, opções mais recorrentes são a medicação com anti-inflamatórios não-esteróides (comprimidos ou pomada) para casos de pubalgia aguda causada por inflamação.

O uso de analgésicos em situação de rotura muscular, com acompanhamento de gelo para os casos de dor mais intensa.

A fisioterapia, para diminuição das dores e retomada do funcionamento das articulações, com exercícios como reeducação proprioceptiva, reforço muscular e hidroterapia, entre outros.

Para a cura, é fundamental reequilibrar as forças entre a musculatura abdominal e dos adutores.

Por fim, há a possibilidade de cirurgia em casos mais graves, quando os sintomas não regridem com o tratamento conservador, mas seus resultados não costumam ser tão bons quanto comparados a outras cirurgias, assim, a cooperação por parte do paciente é fundamental na reabilitação da doença.

Conclusão

As tendinopatias do quadril são frequentes e podem ser incapacitantes, prejudicando desde a performance de atletas de alto rendimento, até o dia-a-dia de indivíduos sedentários.

O tratamento consiste na maioria das vezes em terapias medicamentosas, gelo, fisioterapia e para quadros mais complexos, a terapia de ondas de choque e a infiltração com acido hialurônico.

Os resultados cirúrgicos costumam ser piores que os conservadores, devendo ser a última opção para estes pacientes.

Espero poder ter ajudado no entendimento das diversas tendinites ao redor do quadril.

Se ficou com alguma dúvida, gostaria de fazer alguma sugestão, ou alguma colocação, escreva abaixo nos comentários. Agora, se gostaria de agendar uma consulta, ficarei feliz em poder ajudar.

Ficarei feliz em poder lhe ajudar. Agora se necessita de agendar uma consulta, atendo como ortopedista em São Paulo (Itaim Bibi e Higienópolis) e Alphaville (Barueri / Santana de Parnaíba) e por telemedicina.

Referências (em inglês):

Tendinite no Quadril

Tendinite e Bursite no Quadril

Tendinopatia Glútea

Exercícios para Tendinite Glútea

Tratamentos conservadoras para Tendinite no Quadril