Tendinite


Índice

1. Tendinite
2. O que é um tendão?
3. O que é tendinopatia?
4. Qual a diferença entre tendinite e tendinose?
5. Mas o que é tendinite e o que é a tendinose?
6. O que causa a tendinite?
7. Diagnóstico diferencial das tendinopatias
8. Quais são as tendinopatias mais comuns por seguimento corporal?
9. Tratamento de Tendinites
10. Infiltrações X Terapia de Ondas de Choque
11. Cirurgia para tendinites?
12. Conclusão
13. Referências

1. Tendinite

Tendinite-de-Cotovelo

Introdução

Você sabia que a tendinite é uma das doenças ocupacionais mais comuns? As doenças ocupacionais são doenças relacionadas ao trabalho, sendo as relacionados ao esforço repetitivo as mais comuns nos dias de hoje. Nos grande centros de serviço como São Paulo e região metropolitana como Osasco, Guarulhos, Barueri e Alphaville, a maioria das pessoa executa no dia-a-dia uma série de atividades repetitivas através do celular, computador e até em atividades físicas.

Vamos lá?

2. O que é um tendão?

Os tendões são os tecidos conjuntivos que conectam os músculos aos ossos, transferindo de forma eficiente e controlada o movimento para as articulações. Em indivíduos sadios, os tendões apresentam resistência maior que os músculos conectados a eles, sendo rara a ocorrência de ruptura em condições normais.

3. O que é tendinopatia?

As lesões não traumáticas dos tendões recebem o termo genérico de tendinopatias, que significa “doença do tendão”. Elas são divididas em tendinites e tendinoses. Para o tratamento adequado da tendinite e da tendinose devemos diferenciar as causas e características das lesões.

Tendinopatias

As tendinopatias, habitualmente, estão relacionadas aos esforços repetitivos realizados na prática esportiva, trabalho e atividades diárias, como usar o celular e limpar a casa.

4. Qual a diferença entre tendinite e tendinose?

As tendinites são lesões predominantemente inflamatórias, enquanto a tendinose é predominantemente degenerativa. Elas não são doenças separadas, podemos observar características de ambas em um mesmo tendão. Geralmente um quadro inicial de tendinite pode evoluir com o tempo, com a degeneração (desgaste) do tendão passando a uma tendinose. Da mesma forma, quadros crônicos, com tendinose, podem apresentar agudização após um trauma ou esforço repetitivo, com surgimento de um quadro inflamatório de tendinite. Em alguns casos, esse período inflamatório pode ser quase nulo, evoluindo direto para a degeneração.

5. Mas o que é tendinite e o que é a tendinose?

Por definição temos que:

A tendinite é a doença inflamatória do tendão. Geralmente está associada a um quadro prévio de esforço ou sobrecarga repetitiva, além da capacidade natural do tendão. Os sintomas mais frequentes são dor, edema e limitação do movimento.

A tendinose é a doença degenerativa do tendão, com enfraquecimento de sua estrutura e desarranjo das fibras de colágeno. Ocorrem por uma combinação de estímulo nocivo crônico e desgaste natural dos tecidos. Os sintomas mais comuns são dor, espessamento do tendão e limitação do movimento.

Tendinite-no-tornozelo

Diagnóstico

As tendinopatias estão entre as queixas mais comuns do pronto-socorro ortopédico, com incidência maior para as tendinites relacionadas ao trabalho e esporte. Elas podem acometer os mais variados locais (ex. ombro, patela, punho, tornozelo, etc) e muitas vezes estão associadas entre si e outras doenças.

6. O que causa a tendinite?

Já falamos um pouco sobre a questão da sobrecarga e esforço repetitivo, mas vamos aprofundar um pouco mais sobre isso…

Mas o simples excesso de carga ou repetições muitas vezes não se justifica por si só a doença. A postura na execução dos movimentos é fundamental para a prevenção e tratamento da tendinite. Desequilíbrios posturais no trabalho ou no esporte podem forçar algum tendão além do que é capaz de aguentar.

Quem trabalha em escritório com computadores sabe da importância da ergonomia, a postura adequada. Mesas muito altas, telas muito baixas e cadeiras mal projetadas podem interferir diretamente. Isso foi bem compreendido durante a pandemia, onde as pessoas adaptaram de forma improvisada ao HomeOffice.

Para os atletas, é também sabido que a execução adequada do gesto esportivo, além de otimizar a força e velocidade, previnem lesões. O treinamento da técnica é tão importante quanto o treino físico!

Disfunções e desequilíbrios musculares, falta de alongamento entre grupos musculares também podem levar à sobrecarga. É ai que entra o papel do fisioterapeuta no tratamento da tendinite.

O estresse e tensão muscular pode agravar os sintomas na medida em que aumentam a tensão direta ao tendão e diminuir o limiar para a dor no sistema nervoso central.

Assim, a história é fundamental para fazer o diagnóstico, pois imaginando a causa podemos supor o tendão afetado e como tratá-lo.

Sintomas da tendinite

Os pacientes com tendinite queixam-se de dor ao longo do tendão inflamado, piorando ao fazer movimentação ativa ou alongamento do mesmo. Casos agudos, podem apresentar edema local e hiperemia (inchaço e vermelhidão), falando mais a favor de um quadro inflamatório.

Sintomas da Tendinose

Pacientes com tendinose habitualmente tem uma história mais arrastada, muitas vezes com tratamento para tendinite prévio. Dependendo da região pode-se perceber um tendão mais espessado, com irregularidades, com menos edema e hiperemia.

Tendinite-no-ombro-Mayo-CLinic

7. Diagnóstico diferencial das tendinopatias

É imprescindível diferenciar de outras possíveis causas, pois lesões infecciosas são mais graves e necessitam de tratamento cirúrgico. A história pode desviar a atenção de fraturas por estresse, artrose na articulação adjacente ou ainda doenças sistêmicas (no organismo), como as doenças reumáticas.

Conseguimos um alto índice de suspeita para a tendinite com a história e exame físico adequado. Utilizamos exames de imagem (radiografias, ultrassonografia e ressonância magnética) para confirmar a lesão e para excluir outros possíveis diagnósticos. Os exames de imagem que avaliam melhor a tendinite são a ressonância magnética e a ultrassonografia musculoesquelética.

Tendinite-no-punho

8. Quais são as tendinopatias mais comuns por seguimento corporal?

  • tendinite no ombro: tendinite do manguito rotador e tendinite calcárea e tendinopatia do supra espinhal
  • tendinite no tornozelo: tendinite de Aquiles, tendinite dos fibulares e tendinite do tendão tibial posterior e anterior
  • tendinite no quadril: tendinopatia do glúteo médio e tendinopatia do glúteo mínimo
  • tendinite no cotovelo: epicondilite lateral e medial
  • tendinite no joelho: tendinite patelar, tendinite do quadríceps e tendinite da pata de ganso
  • tendinite no punho: tendinite dos extensores e flexores dos dedos, tenossinovite de De Quervain

Estou criando posts específicos sobre cada lesão, acompanhe em nossa newsletter!

9. Tratamento de Tendinites

O tratamento enfoca em dois pontos, o preventivo e o terapêutico. A melhor forma de tratar é aprendendo como prevenir a tendinite. Uma vez com a doença, o diagnóstico e a terapia precoce são primordiais para evitar que a lesão se torne crônica.

Cada local de acometimento da lesão tem suas características próprias. Por exemplo, o tratamento para tendinite no ombro se diferencia do tratamento para tendinite do calcâneo. Assim, devemos avaliar cada caso em particularidade.

Como prevenir tendinite?

A prevenção consiste em aquecer e alongar a musculatura envolvida na atividade, evitar excessos de repetição (tentando realizar pausas), correção da postura e do gesto de movimento tanto no trabalho, nos esportes ou em casa. Reequilíbrio muscular é fundamental, como alongamentos e fortalecimentos musculares de formas individualizadas. Atividades boas nesse sentido temos o Pilates, o RPG e Terapia Ocupacional. Eventualmente podemos conseguir resultados satisfatórios na academia, quando avaliado por um profissional capacitado.

Quando a prevenção não é o bastante

Eventualmente a prevenção não é o bastante. Na parte terapêutica dos cuidados, podemos entrar com medicações antiinflamatórias, analgésicas, fisioterapia, acupuntura e eventualmente órteses (imobilizações e enfaixamento). Casos mais específicos, podemos utilizar métodos adjuvantes como a terapia de ondas de choque e infiltrações.

Terapia-de-ondas-de-choque-no-joelho

Fonte: BTL

10. Infiltrações X Terapia de Ondas de Choque

Tendinites agudas

No caso das tendinites agudas, não recomendo a utilização de nenhuma dessas formas de terapias, pois medicações orais, repouso, gelo e outras medidas conservadoras citadas acima são suficientes. Além disso, a terapia de ondas de choque não tem evidência de melhora nessa fase, bem como pode agravar a inflamação. As infiltrações com corticóides trazem alívio momentâneo mas podem levar à degeneração do tendão.

Tendinopatias Crônicas – Infiltração com corticoide

A meu ver a infiltração com corticoides deve ser evitada, pois promove a degeneração dos tecidos, como os tendões e a cartilagem articular. Poucas indicações podem ser feitas, devendo ser avaliado por um ortopedista.

Tendinopatias Crônicas – Infiltração com ácido hialurônico

Esta é uma indicação que tem crescido em evidência, chamada de proloterapia. Tipos específicos de ácido hialurônico estimulam a cicatrização de algumas lesões parciais de tendão ou lesões crônicas que não melhoraram de outra forma.

Tendinopatias Crônicas – Terapia de ondas de choque

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Fonte: BTL

A terapia de ondas de choque é um terapia que ganhou evidência nos últimos anos, principalmente pelos crescentes estudos mostrando sua eficácia. Ela não tem relação com o TENs (“choquinho da fisioterapia”), na verdade deve ser realizada por um médico especializado no assunto. Nela é utilizado um aparelho que emite ondas acústicas (sonoras) de alta intensidade, permitindo inclusive quebrar calcificações em tendões, sendo a tendinite calcárea uma das principais indicações.

Ela não é uma terapia milagrosa, mas que quando bem indicada tem resultados muito bons. Para saber mais afundo sobre suas variáveis que interferem na terapia veja o artigo “terapia de ondas de choque funciona”.

11. Cirurgia para tendinites?

Na verdade, com a evolução da medicina e terapias alternativas citadas acima, a indicação de cirurgia se tornou cada vez mais rara. Entretanto, nos casos onde a inflamação progride para uma lesão crônica (tendinose), a resistência do tendão fica menor que a força muscular, podendo levar às rupturas tendíneas, como do tendão do supra espinhal (no ombro), do tendão de Aquiles (no tornozelo) e patelar (no joelho), nesses casos pode ser necessária a realização de cirurgias, para unir as extremidades do tensão rompido.

12. Conclusão

As tendinopatias se dividem em tendinites e tendinoses (aguda X crônica – inflamatória X degenerativa) e apresentam causas similares, relacionadas a sobrecargas, erros posturais e atividades repetitivas. Existem muitas alternativas para o tratamento, mas a prevenção ainda é a melhor forma de lidar com a doença. Existe cura para a tendinite, bem como a tendinose, e quando antes iniciado o tratamento, melhores os resultados!

Se apresenta alguma dor que esta te limitando para realizar suas atividades físicas e diárias, não perca tempo. Agende uma consulta com Dr. Oliver Ulson.

13. Referências

-tendinite: sintomas e causas (em inglês)

-conceitos de tendinopatia do ombro (em inglês)

-tendinopatia patelar (em inglês)

-tendinopatia do Aquiles (em inglês)

-tendinopatia do cotovelo (em inglês)

-tendinopatia e terapia de ondas de choque (em inglês)

-tendinopatia do quadril

-tendinopatia